O potencial dos espaços abertos na qualificação urbana = uma experiência piloto na Cidade Universitária Zeferino Vaz
Esta pesquisa lança um olhar sobre os espaços abertos de uso coletivo como articuladores da forma, uso e apropriação da cidade contemporânea, dando continuidade à linha de investigação iniciada na dissertação de mestrado, na qual o conceito da Arquitetura da Fronteira envolveu o redesenho dos espaços que fazem a mediação entre os territórios de domínio público e os de domínio privado. A hipótese da pesquisa é a existência de um potencial inerente aos espaços abertos de uso coletivo para a qualificação socioambiental dos lugares urbanos. O objetivo do trabalho é identificar os potenciais de qualificação socioambiental de partes consolidadas da cidade contemporânea pelo redesenho dos seus espaços abertos, à medida que se desenvolve uma maior sensibilidade na percepção da fronteira público-privada, conjugada à aplicação de estratégias processuais de projeto participativo. A pesquisa teve caráter exploratório e valeu-se de uma pesquisa-ação que se iniciou com um estudo de caso de natureza instrumental. O campo experimental selecionado foi a área central de um espaço universitário - a Cidade Universitária Zeferino Vaz, campus da Universidade Estadual de Campinas - por ter as características de um fragmento urbano que incorpora uma gama de interesses e conflitos ricos para investigação e estudo do tema proposto. A partir da investigação da área da Praça do Ciclo Básico, espaço aberto de grande representatividade para o campus e ponto referencial do seu traçado urbanístico, foi realizada uma experiência piloto, que teve início no projeto para requalificação desta praça. As diretrizes estabelecidas para aquele projeto se expandiram e foram aplicadas em outros projetos nos campi da Unicamp. A fundamentação teórico-conceitual do trabalho baseou-se no estado da arte das teorias e conceitos do Desenho Urbano e, para a análise ambiental, nos conceitos do Modelo Ecológico do Ambiente Urbano. Na experiência projetual piloto, a abordagem dos espaços abertos como protagonistas do espaço do campus representou uma inversão na cultura da universidade brasileira e da cidade contemporânea, que prioriza as edificações implantadas como objetos autônomos do seu contexto local, relegando o tratamento dos espaços abertos de uso coletivo a planos secundários e residuais.
A valorização dos espaços abertos de uso coletivo foi incorporada de forma inédita como uma das prioridades da universidade para melhoria da qualidade de vida da sua comunidade. A metodologia de pesquisa-ação mostrou-se adequada ao processo de projeto urbano, na medida em que viabilizou a interação com a comunidade envolvida e possibilitou também a aproximação da dimensão de pesquisa teórica com a práxis da produção arquitetônica e urbanística. Os resultados obtidos incentivam a realização de outras análises críticas e diagnósticos que embasem propostas projetuais que criem cenários que qualifiquem os espaços abertos de uso coletivo do meio urbano.