Habitação social: o graffiti como catalisador para ressignificação dos espaços coletivos e inclusão social
A questão da habitação social no Brasil tem sido tratada principalmente pela abordagem quantitativa, ou seja, pela construção numérica de unidades habitacionais para a população de mais baixa renda. Nesta orientação, os Programas Habitacionais brasileiros recentes priorizam a construção do maior número de unidade habitacional para suprir a demanda existente e, nesse cenário, os espaços públicos e coletivos das áreas habitacionais sociais são negligenciados, provendo apenas a função de circulação entre os blocos. Adotar o espaço público e o coletivo para promover a permanência e o convívio entre as pessoas e estimular a vida cotidiana não tem sido considerado um dos elementos principais dos projetos desenvolvidos. Como consequência, a segregação socioespacial se fortalece, deteriorando as relações sociais entre os moradores. O direito à cidade, frequentemente negado nestes contextos, poderia ser conquistado através da expressão das pessoas no meio urbano e, nesse sentido, a arte urbana possui um papel fundamental, pois se firma como função social da apropriação do espaço, o que possibilita a busca pela compreensão da cidade pela sociedade. Assim, o objetivo deste trabalho é identificar como o graffiti pode ser um importante catalisador para a qualificação socioespacial dos espaços públicos e coletivos das Áreas Habitacionais de Interesse Social. Para tanto, realiza-se uma pesquisa exploratória e qualitativa que se configura num estudo de caso, destacando duas unidades de estudo: o Conjunto Habitacional Parque do Gato e Comunidade da Água Branca, ambos na região central da cidade de São Paulo. Os resultados desta pesquisa permitem compreender a questão espacial nos conjuntos habitacionais e constrói referências interessantes para que o graffiti possa ser explorado como um instrumento catalisador importante em projetos habitacionais e urbanísticos, especialmente na concepção projetual para qualificação dos espaços públicos e coletivos em áreas habitacionais.