Setor Cultural de Brasília: contradições no centro da cidade
A seguinte pesquisa trata das origens e projetos arquitetônicos do Setor Cultural de Brasília e busca compreender os antagonismos e similitudes existentes entre o Plano Piloto realizado por Lucio Costa e as diversas propostas elaboradas por Oscar Niemeyer e outros arquitetos para o local, algumas das quais construídas e consolidadas. A Esplanada dos Ministérios em Brasília é o ponto mais representativo do urbanismo e arquitetura da cidade e após cinquenta e três anos da inauguração da capital o Setor Cultural é o único trecho da Esplanada ainda não executado plenamente. Essa situação associada ao tombamento do conjunto urbanístico de Brasília em 1991 e à portaria 314/92 que estabelece exclusividade de intervenção aos dois arquitetos autores de Brasília fortalece a preocupação entre arquitetos, cidadãos e Estado em conciliar os propósitos de Costa e Niemeyer. Apesar da referência afirmativa de ambos sobre o modelo progressista na idealização do plano urbanístico e ainda um consenso e maturação dos conceitos e críticas ao urbanismo moderno, associados a uma postura respeitosa dos arquitetos em relação aos precedentes arquitetônicos, há contradições explícitas entre projetos executados de Oscar Niemeyer e o plano-‐piloto levando até hoje a diversos projetos inconclusos e à polêmicas discussões sobre o Setor. A compreensão do desenvolvimento desse processo resulta da análise crítica dos projetos concebidos confrontados ao Plano Piloto de Lucio Costa e seus precedentes históricos, além da organização do inventário de projetos para o setor.