A Estação Ecológica da Universidade Federal de Minas Gerais é uma unidade de conservação urbana em implantação localizada no campus universitário, (19º 52' S e 43º 58' W) com cento e dois hectares de área formada por vegetação típica de matas semideciduais e de cerrado, onde são realizadas atividades de pesquisa, ensino e extensão. O estudo pretendeu contribuir para a implantação legal da unidade através de parâmetros científicos utilizando-se o zoneamento ambiental como ferramenta principal. As análises também podem servir como fonte de consulta para o estabelecimento de critérios de manejo em áreas similares. O Zoneamento Ambiental ou Ecológico é um termo genérico que abriga um variado número de métodos de compartimentação do ambiente em estudo, dividindo uma área ambiental em parcelas, conhecidas por zonas, para que possam ser definidos e alcançados os ojetivos básicos de manejo da área. O zoneamento foi efetuado ordenando-se porções homogêneas da unidade de conservação sob uma mesma denominação, segundo suas características naturais ou físicas e com base nos interesses culturais, recreativos e científicos, constituindo-se assim, em um instrumento de manejo que apoia a administração na definição das atividades que podem ser desenvolvidas em cada setor, orienta as formas de uso das diversas áreas, ou mesmo desaconselha determinadas atividades por falta de zonas apropriadas. A metodologia utilizada para o Zoneamento Ambiental da Estação Ecológica da Universidade Federal de Minas Gerais foi o mapeamento de biótopos, que foi realizado incialmente, com o uso do estereoscópio e do Global Position System (GPS). Foi realizado um planilhamento e uma descrição sumária das áreas amostrais, quando foram identificados 13 biótopos na unidade de conservação, o que revelou uma variação de formações vegetacionais. As matas semidecíduas e o cerrado se destacaram por apresentar um bom estado de conservação e um adiantado processo de sucessão ecológica. Em alguns biótopos, tais como, o bambuzal, a capineira, o solo exposto e a lagoa assoareada, verificou-se a presença de formas variadas de impactos. A identificação e valoração dos biótopos utilizando-se graus de relevância e indicadores ecológicos permitiu o estabelecimento de zonas específicas para a área. A Estação Ecológica foi classificada em sete zonas a saber: Zona Primitiva, Zona de Uso Extensivo, Zona de Uso Intensivo, Zona de Recuperação, Zona de Amortecimento, Zona Histórico-Cultural e Corredores Ecológicos. A Zona Primitiva possui a melhor qualidade ambiental da unidade, ocupando 30% de sua extensão, o que reforça a sua importância na conservação da área e indica a necessidade de ações que visem a sua proteção. As Zonas de Uso Extensivo e de Uso Intensivo apresentam níveis variados de conservação, devendo ser manejadas, de maneira a harmonizar as medidas de proteção e as atividades acadêmicas realizadas na área de estudo. A Zona de Recuperação ocupa a maior extensão dentro da unidade de conservação evidenciando a influência dos centros urbanos na degradação de áreas protegidas. Foram diagnosticadas várias fontes de impacto e ações no sentido de sua mitigação. A Zona Histórico-Cultural caracteriza-se pela presença de estruturas pontuais, uma olaria e um pedestral em homenagem a Juscelino Kubitscheck, que são utilizadas em atividades culturais da Estação Ecológica da UFMG. Foram definidas duas zonas especiais, localizadas nos limites da unidade de conservação, a Zona de Amortecimento e os Corredores Ecológicos, que têm como função a minimização dos impactos ambientais e a conexão da Estação com fragmentos florestais existentes no campus. O Zoneamento Ambiental da Estação Ecológica da Universidade Federal de Minas Gerais forneceu registros cartográficos, dados biogeoecológicos, como por exemplo, comunidades florísticas e faunísticas. A unidade poderá dispor de um conjunto de cartas temáticas, comparações e avaliações sobre locais de potencial ambiental elevado, zonas dispersoras de impactos ambientais, pontos críticos para determinadas obras ou construções, regiões com funções paisagísticas, indicativos de locais e formas de lazer adequados que contribuirão para a sua implantação legal junto ao conselho universitário da UFMG e como fonte de consulta para elaboração de seu plano de manejo.