A região de Garanhuns oferece um patrimônio de paisagens pouco usuais e de extrema beleza que vão desde a presença de remanescentes de vegetação florestal de altitude, até esculturas naturais e cochoeiras de águas frias e permanentes. Há uma combinação rara de patrimônio natural e estrutura de assentamento tradicionais (fazendas e sítios). Neste sentido a região que já foi calçada pelo pisar vigoroso das boiadas e que se tornou importante devido ao consórcio das atividades agropastoris abre-se também agora - em função da implementação das atividades turísticas - àqueles que a procuram pelo interesse de investir em hóteis (urbanos ou hóteis fazendas), bem como em atividades associadas aos eventos em cenário de um verdadeiro Oásis - área ecologicamente diferenciado - em pleno interior do nordeste semi-árido. Assim, a difusão da função turística na Região de Garanhuns esta relacionada com os condicionantes naturais, uma vez que a mesma possui características diferenciadas daquelas dominantes no semi-árido do Agreste Pernambuco. isto possibilita a implementação de iniciativas de uso turístico na região, num turismo diferenciado, peculiar e raro, do tipo serrano e interiorizado, o que contrasta com o padrão dominante do turismo comumente desenvolvido no nordeste do Brasil (padrão litorâneo/praias ou que os estudiosos chamam do tipo SSS: "sun"=sol, "sea"=mar e "sand"=areia). Diante desses fatos trabalhamos com as categorias região, espaço, paisgem e lugar que são extremamente relevantes para o desenvolvimento de um estudo geográfico acurado, pois para enterdermos as modificações empreendidas na Região de Garanhuns, decorrentes de fatores naturais (agentes endógenos e exógenos) ou sociais e econômicos (forma de organização e uso do solo ocasionado pela ação antrópica) estas categorias se revestem de enormes significados para a compreensão de processos que os engendram. O trabalho tem por objetivo central analisar as transformações sócio-espaciais na região de Garanhuns decorrentes de interesses econômicos e políticos viabilizados pela implementação da interiorização do fluxo turístico no território pernambuco, buscando identificar os efeitos das atividades turísticas sobre a realidade regional e as paisagens geográficas. O período estudado compreende do ano de 1970 a 1999, que se constitui de grande significação temporal para uma análise mais consistente da dinâmica do uso do solo regional e, por conseguinte, das alterações ocorridas nas paisagens ocasionadas pela implementação de uma nova via de difusão do turismo rumo ao interior, integrando a região de Garanhuns à dinâmica dos serviços turísticos, construindo junto com o turísmo litorâneo uma imagem regional do Nordeste. A inserção dessa nova dinâmica funcional começa por re-difinir a região funcionalmente, ao mesmo tempo em que redesenha as paisgens, e reforça características herdadas (história, fazendas, café) nesta área integrante do agreste Meridional Pernambucano. O trabalho se baseia em pesquisa bibliográfica, na coleta de dados secundários, na interpretação de cartas topográficas, bem como nos resultados obtidos durante as pesquisas de campo (observações diretas, realização de entrevistas e cobertura fotográficas).