Natal e o meio ambiente frente aos problemas de inundação e participação popular
O presente trabalho foi impulsionado a partir da constatação das dificuldade vivenciadas pelas comunidades residentes em áreas de risco inundacional da cidade do Natal-RN, durante o período de chuvas da capital potiguar. Nessa perspectiva, adotou-se. Como meta de pesquisa o estudo dos cenários de desastres inundacionais. Nesse sentido, foram identificados determinados modelos de respostas da população e do aparato público administrativo frente a estes eventos agressivos da natureza. A partir de uma confrontação entre os modelos de respostas, foi possível identificar e analisar deficiências no desenvolvimento de estratégias de prevenção e combate destes desastres, bem como elaborar sugestões com a finalidade de minimizar as conseqüências psicossociais de tais acontecimentos (ou seja, efeitos colaterais). Para esta pesquisa foi escolhida a lagoa de São Conrado como área de estudo, estando localizada no bairro de Nossa Senhora de Nazaré, zona administrativa Oeste de Natal, por se caracterizar como uma região mais vulnerável a atais eventos. O procedimento metodológico compreendeu em: levantamento detalhado em jornais locais, análise da carta planialtimétrica da área, revisão de literatura especializada, realização de entrevistas semi-estruturadas com "atores sociais" relevantes (líderes na comunidade, Corpo de Bombeiros, Secretaria municipal de Viação e Obras, entre outros), bem como a aplicação de um questionário com perguntas abertas e fechadas com as 82 famílias residentes na área de risco. Após a identificação e análise dos cenários envolvidos foi possível verificar que soluções técnicas definitivas existem, mas são - muitas vezes - inviabilizadas pelos elevados custos de execução ou quando não descartados por desinteresse político. Outrossim, a participação social emerge como requisito fundamental e imprescindível à minimização dos riscos de inundação, mas que não ocorrerá antes da tomada de consciência do problema por parte do poder público e da comunidade. No caso da população, faz-se necessário que a mesma assuma a sua responsabilidade pela prevenção e gerenciamento das inundações no local, sem delegá-la única e exclusivamente ao poder público-administrativo, aguardando soluções mágicas e elevando o grau de dependência. São sinalizadas algumas sugestões para se tentar minimizar os efeitos negativos das inundações no local.