Da casa para a escola: como a luta pela moradia tornou possível uma escola de horário integral
O objetivo do presente estudo é descrever e analisar o processo de construção do CIEP Brizolão 418 Antônio Carlos Bernardes (Mussum) e da implementação do horário integral alguns anos após sua criação. O CIEP compõe a rede pública estadual do Rio de Janeiro e está situado em uma região ocupada por um Movimento Social, ligado à luta por moradia em áreas urbanas. A escola citada nasceu a partir da reivindicação do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e Sem Teto (MSTST), que ocupou uma extensão de terras devolutas do Estado e, posteriormente, exigiu a construção de um Centro Integrado de Educação Pública (CIEP), para atender crianças, adolescentes e adultos que habitavam o local. Organizamos o trabalho a partir de três questões de estudo: a primeira questão tratava da relação entre a forma peculiar de criação da escola em foco e os processos internos de sua organização; a segunda questão abrangia as relações entre o movimento social, a luta pela moradia e o movimento pela construção da escola; e a terceira tratava da relação entre o corpo de profissionais da escola e os pais/responsáveis de alunos e comunidade do entorno da escola. Para o estudo histórico do programa dos CIEPs, e em especial, a concepção de escola em tempo integral, nos baseamos nos autores Cavaliere (2000; 2002a; 2002b); Bomeny (2007); Ribeiro (1986); Cavaliere e Coelho (2003); e no que tange aos movimentos sociais urbanos de luta pela moradia e pela educação, procuramos estabelecer um diálogo com autores como Castells (1976; 1983), Touraine (1973; 1977) e Gohn (1991; 1995; 1997; 2002). Este estudo constitui uma pesquisa qualitativa, com abordagem descritiva, caracterizando-se como um estudo de caso. A população pesquisada foi composta por amostras de professores da escola, alunos, moradores da localidade, pais, funcionários de apoio, lideranças comunitárias e gestores da escola que participaram da escola, em diferentes momentos, desde a fase inicial da ocupação de terras que levou à sua criação até o ano de 2008.