Biograficidade: A arte urbana na formação de si e do espaço Fortaleza 2017
Esta tese tem como objetivo investigar como a arte urbana pode atuar na formação de si e dos espaços. Desenvolvo um estudo com cinco artistas urbanos da cidade de Fortaleza – Narcélio Grud, Emerson Tubarão, Gleison Luz, Leandro Alves e Rafael Limaverde – com o intuito de compreender como a produção de graffitis pelas ruas da cidade aparece como elemento biográfico em suas narrativas e como suas produções podem transformar os espaços ao serem incorporadas à paisagem urbana, compondo a ideia de “biograficidade”, desenvolvida nesta tese como uma forma de escrita que deixamos na cidade e que ela incorpora em sua narrativa. Uso os fundamentos e procedimentos da pesquisa (auto)biográfica, a partir de autores como Josso (2004), Delory-Momberger (2012a), Pineau (2006) e Ferrarotti (1988), como base metodológica e epistemológica da tese. Para a construção de dados para a análise, uso a entrevista narrativa a partir das contribuições de Jovchelovitch e Bauer (2005). Dividi o processo de análise das entrevistas em duas etapas, sendo a primeira a metodologia da “nuvem de palavras”, em que desenvolvo uma articulação teórica a partir das categorias emergentes das falas dos sujeitos. Na segunda etapa, uso a “compreensão cênica” de Marinas (2007) para analisar o contexto da entrevista, fazer uma articulação das cenas do cotidiano dos entrevistados e, por último, uma análise das imagens implícitas, esquecidas ou mesmo evitadas. Após a análise individual das entrevistas, faço uma discussão sobre graffiti a partir do “espaço entre”, categoria em que desenvolvo com base em autores como Deleuze (2006) e Samain (2012). Ao perceber que o graffiti foi um elemento recorrente em todas as falas e que existia uma diferenciação na forma como era visto pelos sujeitos da pesquisa, resolvi analisar como existe uma produção a partir da diferença, uma multiplicidade que não permite uma definição estável do graffiti e também uma conversação entre as narrativas, tanto nas suas aproximações quanto nos seus distanciamentos. Para fazer uma discussão sobre “biograficidade”, uso principalmente Jacques (2012), Certeau (1998) e Delory-Momberger (2012a), os autores e o campo possibilitam uma compreensão de que a nossa experiência possui uma forte relação com o espaço, pois mudamos e somos transformados por ele. Além disso, foi possível chegar à compreensão de que existe uma narrativa do espaço em si, visto que as marcas que deixamos no espaço podem ser articuladas e formar uma narrativa urbana.