Conflitos E Negociações No Parque Estadual Do Jaraguá
Esta dissertação é resultado de uma pesquisa qualitativa que se insere na disciplina de Sociologia Ambiental e que visou captar as relações sociais entre vários atores/grupos sociais que influenciam direta ou indiretamente a gestão e o manejo de recursos naturais do Parque Estadual do Jaraguá, um remanescente da Mata Atlântica que faz parte da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da cidade de São Paulo. Pelo fato de localizar-se em uma área periférica da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), o estudo de caso deste parque urbano permite discutir o tema da conservação, contrapondo-se com correntes preservacionistas - que analisam a questão das áreas naturais protegidas sob o enfoque da exclusão da ação humana - e também através do diálogo com a corrente sócio-ambientalista - que se utiliza da categoria de "populações tradicionais". Na dissertação, defende-se a insuficiência desta última noção, calcada no aspecto da "tradicionalidade", por excluir grupos sociais que não se enquadram nesta noção, mas que, no entanto, são de fundamental importância para a efetividade do processo de gestão destas áreas. Revisão de conceito ainda mais necessária considerando-se o fenômeno de expansão da urbanização da região Noroeste de São Paulo, onde se situa o parque, caracterizada por bairros com condições de vida precárias. Os grupos/atores sociais estudados na pesquisa foram: (i) lideranças de sociedades de amigos de bairros; (ii) organizações não-governamentais (ONGs) situadas no entorno do parque; (iii) uma Reserva Indígena situada nas adjacências do parque; (iv) representantes dos dois órgãos governamentais responsáveis pela administração da área protegida, da SET (Secretaria Estadual dos Negócios de Esportes e Turismo) e do IF (Instituto Florestal, ligado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente); (v) a União dos Escoteiros do Brasil (UEB), que ocupa uma área do parque sob o regime de comodato; (vi) o Condomínio das Antenas (CA), que ocupa área cedida pelo governo estadual; (vii) a Associação Paulista dos Albergues da Juventude (APAJ), que ocupa o casarão histórico situado no parque; (viii) a FUNAI (Fundação Nacional do Índio); (ix) moradores do parque; e (x) usuários.