Liberdade: Limites e Possibilidades de Uma Prática Clínica Psicológica com Moradores do Complexo da Maré
O presente trabalho pretende discutir a questão da liberdade enquanto abertura de sentido da existência, diante de limites e possibilidades para aqueles que chegam à clínica em busca de atendimento, frente a um território específico, onde condições factuais de extrema violência e restrição vêm compor um horizonte de sentido. A presente pesquisa iniciou-se em 2006, através da experiência clínica de um trabalho voluntário na comunidade Vila do Pinheiro, que compõe o conjunto de comunidades do Complexo da Maré, na Cidade do Rio de Janeiro. Dialogando com pensadores da chamada filosofia existencial, buscaremos pensar através dos atendimentos realizados na clínica, como a questão da liberdade se desvela diante da lógica da comunidade, pois compreendemos que, cotidianamente, somos atravessados por tradições, costumes, referenciais de uma época e de um território. Nossa experiência com o mundo, portanto, se dá através de um horizonte de sentido e significado. Assim, o homem da era da técnica é concebido como algo simplesmente dado, sendo classificado e condicionado por uma lógica do imediato e do controle. Neste sentido, as narrativas compartilhadas na clínica nos conduziram a um olhar mais atento para as especificidades da comunidade, ao compreendermos que nosso modo de ser se dá em um contexto impessoal, em que de início nos encontramos. Desta maneira, apostamos que nossa pesquisa, ao propor refletir a questão da liberdade enquanto abertura de sentido da existência, poderá contribuir com a clínica e com aqueles que chegam à clínica em situação de restrição de sentido.