Estar aqui, estar lá... o retorno dos emigrantes valadarenses ou a construção de uma identidade transnacional?
Este artigo analisa um movimento específico de migração verificado particularmente na cidade de Governador Valadares (MG) - conhecida nacionalmente pelo significativo número de valadarenses nos EUA - procurando problematizar um dos aspectos deste fluxo de grande impacto na vida cotidiana da cidade: o caráter temporário da migração. O projeto do emigrante valadarense de “Fazer a América”, em geral, consiste em trabalhar de 02 a 05 anos para conseguir capital para comprar uma casa, um carro, ou montar um negócio e retornar ao país de origem. Para executá-lo, estes emigrantes contam com aqueles que ficaram para financiar a viagem, cuidar dos filhos, fazer os investimentos na terra natal e esperar pelo retorno. O projeto toma-se, portanto, familiar, afetivo e econômico envolvendo aqueles que não migraram nesse processo. Neste sentido, analiso como é complexo classificar os fluxos migratórios contemporâneos utilizando categorias como: “temporários”, “permanentes”, “retorno de emigrantes”. O que pretendo demonstrar é que, dadas as características dos recentes fluxos internacionais de população, o migrante contemporâneo vivencia um singular campo social que vem sendo denominado transnacional.