Geografia

Diagnóstico Ambiental da Bacia do Rio da Ordem no Bairro do Tatuquara — Curitiba-PR

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Britto, Dirceu Mendes de
Sexo
Homem
Orientador
Santos, Leonardo José Cordeiro
Ano de Publicação
2002
Programa
Geografia
Instituição
UFPR
Idioma
Português
Palavras chave
Impacto Ambiental
Bacia hidrográfica
Ocupação urbana
Uso do Solo
industrialização
Resumo

A presente dissertação tem como proposta apresentar um estudo sobre as transformações ambientais geradas pela urbanização e industrialização dos grandes centros urbanos, que favorecem a ocupação desordenada dos espaços e comprometem seriamente os recursos hídricos. Para tanto, escolheu-se como objeto de investigação a Bacia do Rio da Ordem, pois, pelo fato de estar próxima a Cidade industrial de Curitiba, essa região, desde a década de 90, vem apresentando um considerável crescimento populacional, causado, principalmente, pela instalação de montadoras no entorno do município. Considerando as características dessa Bacia, determinou-se que o cruzamento entre os dados da legislação ambiental, da ocupação e o uso do solo de 1985 e 1999 e da degradação ambiental deveria ser a metodologia adotada por esta pesquisa. Assim, por meio dos dados obtidos, foi possível gerar o mapa que representa o atual zoneamento ambiental dessa Bacia, classificando-se em diferentes níveis: zona 1 — 11% — com forte degradação; zona 2 — 38% — com moderada degradação; e zona 3 — 51% — com fraca degradação. Com base nesse mapa, fez o diagnóstico necessário para concluir a pesquisa com a apresentação das diretrizes a serem implementadas a fim de promover a recuperação e a conservação do espaço estudado.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Quantitativo
Referência Espacial
Região
Bacia do Rio da Ordem
Cidade/Município
Curitiba
Macrorregião
Sul
Brasil
Habilitado
UF
Paraná
Referência Temporal
1985-1999
Localização Eletrônica
https://acervodigital.ufpr.br/xmlui/handle/1884/100053

Limites e possibilidades da Educação ambiental no conhecimento sobre a metropolização: um estudo a partir do Projeto Manuelzão.

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Ferreira, Adriana Angélica
Sexo
Mulher
Orientador
Martins, Sérgio Manuel Merêncio
Ano de Publicação
2002
Programa
Geografia
Instituição
UFMG
Idioma
Português
Palavras chave
Limites
Educação ambiental
Projeto Manuelzão
Possibilidades
Projeto de extensão
Resumo

Partindo do pressuposto de que a educação ambiental (EA) não é panacéia para todos os problemas comumente associados ao processo de metropolização, esta dissertação tem como objetivo central abordar os limites e potencialidades do seu fazer pedagógico, no que diz respeito às questões que envolvem o processo de produção do espaço urbano. Tal análise ampara-se na pesquisa documental e de campo das atividades desenvolvidas pelo projeto de extensão da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, chamado Projeto Manuelzão. Este projeto tem como objetivo a disseminação de práticas baseadas nos princípios da Engenharia Ambiental voltadas à recuperação da bacia hidrográfica do rio das Velhas, o que coloca Belo Horizonte na condição de um espaço importante para a realização de suas ações. Neste trabalho será discutida a recepção que as práticas político-pedagógicas do Projeto Manuelzão assumem para a população diretamente envolvida por suas proposições.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Região
Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas
Cidade/Município
Belo Horizonte
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Minas Gerais
Referência Temporal
2001-2002

A incorporação da dimensão ambiental no planejamento: uma discussão a partir do caso da zona de especial interesse social da Vila Califórnia, Belo Horizonte.

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Santos, Daniela Maria Penna Amorim Carvalho
Sexo
Mulher
Orientador
Costa, Heloisa Soares de Moura
Ano de Publicação
2002
Programa
Geografia
Instituição
UFMG
Idioma
Português
Palavras chave
Dimensão ambiental
Interesse social
ZEIS
Planejamento urbano
Regularização fundiária
Resumo

Nos diversos períodos do planejamento urbano brasileiro a dimensão ambiental foi sendo incorporada, com diferentes enfoques. O momento atual coloca em destaque a questão ambiental, direcionando as ações no espaço urbano a internalizarem este tema, dentro de uma idéia de sustentabilidade urbana, buscando promover a melhoria da qualidade de vida nas cidades. O resgate das legislações urbanísticas de Belo Horizonte, desde o Plano de Arão Reis, que deu origem à capital mineira, até os dias de hoje, revela como os aspectos ambientais eram considerados no planejamento da cidade. As favelas, representantes de uma urbanização excludente e, muitas vezes, à revelia do planejamento, apresentam-se como um desafio ao planejamento atual que se propõe a alterar a forma de atuação nessas áreas, através da inclusão de novos parâmetros. Dentro deste contexto, as favelas de Belo Horizonte, hoje Zonas de Especial Interesse Social - ZEIS, passaram a ser tratadas como um zoneamento é a regularização urbanística e fundiária. No caso das ZEIS de Belo Horizonte, a proposta de planejamento tem ocorrido em cada vila/favela e conjunto popular, encarando-os como uma realidade similar, mas que possui especificidades. Com este intuito têm sido elaborados Planos Globais Específicos - PGEs, como forma de integrar a cidade "ilegal" à cidade legal. Nesse sentido, utlizando-se do caso da ZEIS da Vila Califórnia, discute-se os limites e vantagens da utilização deste instrumento, elucidando também algumas tendências recentes da intervenção urbana atual no Brasil.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Belo Horizonte
Bairro/Distrito
Vila Califórnia
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Minas Gerais
Referência Temporal
2001-2002

A "Terceira Itabira"- Os espaços político, econômico, sócio-espacial e a questão ambiental.

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Silva, Maria das Graças Souza e
Sexo
Mulher
Orientador
Costa, Geraldo Magela
Ano de Publicação
2002
Programa
Geografia
Instituição
UFMG
Idioma
Português
Palavras chave
Espaço urbano
Mineração
Processos Socioespaciais
Monindustria
Privatização
Resumo

Esta pesquisa insere-se no contexto do desenvolvimento de estudos sobre processos e teorias socioespaciais recentes relacionadas à organização e reorganização dos espaços urbanos, sobretudo aqueles decorrentes do domínio e hegemonia da monoindústria. O foco dessa pesquisa são os processos socioespaciais em curso, em Itabira, sobretudo na década de noventa - um momento de incertezas, indefinições, transformações, mudanças e mobilizações geradas pela instabilidade econômica e pelo processo de privatização da Companhia Vale do Rio Doce. Tudo isso indica o surgimento de uma "Terceira Itabira": uma Itabira diversa em que se iniciam novas posturas políticas da sociedade e do poder público frente às questões locais e se procuram a diversificação produtiva e a independência do município em relação à mineração como caminho para se alcançar o desenvolvimento sustentado. Esta análise baseia-se no constante processo desenvolvido em Itabira ao longo do tempo e do espaço: apropriação-expropriação, dependência, subserviência, acomodação e, poucas vezes, reação da sociedade e dos poderes públicos. Uma relação dialética entre o urbano e a grande indústria que se reproduz nas relações políticas, econômicas e socioespaciais locais.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Itabira
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Minas Gerais
Referência Temporal
1990-2000
Localização Eletrônica
http://observatoriodageografia.uepg.br/s/ogb/item/92929

A (re)produção social da escala metropolitana: um estudo sobre a abertura de capitais nas incorporadoras e sobre o endividamento imobiliário urbano em São Paulo

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Martins, Flavia Elaine da Silva
Sexo
Mulher
Orientador
Damiani, Amelia Luisa
Ano de Publicação
2009
Programa
Geografia Humana
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Abertura de capitais
Endividamento imobiliário
Escala metropolitana
Mundialização financeira
periferia
Resumo

Nesta pesquisa buscamos compreender a produção social da escala metropolitana em um contexto atual de mundialização financeira. Neste sentido, reunimos dados referentes à abertura de capital nas incorporadoras do setor da construção civil brasileiras, abordando a penetração do capital financeiro em suas estruturas e a ampliação da escala de produção e de atuação geográfica destas empresas a partir de 2005. Estes dados foram iluminados com um estudo simultâneo sobre o endividamento imobiliário urbano, por meio da abordagem dos leilões de imóveis, trazendo os conteúdos do desemprego para a compreensão crítica do crédito imobiliário urbano. O mapeamento dos dados se concentrou na Região Metropolitana de São Paulo. Identificamos o desdobramento da noção de moderna propriedade da terra em posse e propriedade, liberando a propriedade abstrata para circular como mercadoria e concentrando na posse as lutas cotidianas pela habitação. Constatamos a introdução do endividamento imobiliário como forma significativa de acesso à habitação nas periferias metropolitanas. Este endividamento foi compreendido como elemento de ritmanálise, capaz de transmitir os ritmos de valorização do capital mundial financeiro, definidos pela presença do capital fictício, aos ritmos de trabalho, de exploração e de espoliação urbanos, redefinindo o modo de vida metropolitano, notadamente por meio do acesso à habitação e à cidade.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Quantitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Vila Nova Jaguaré
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2004-2005
Localização Eletrônica
https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-25052011-123730/pt-br.html

Metropolização e o discurso da modernidade na reposição da periferia: o bairro do Cabuçu no município de Guarulhos

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Carvalho, André Luiz de
Sexo
Homem
Orientador
Francesconi, Lea
Ano de Publicação
2010
Programa
Geografia Humana
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Especulação imobiliaria
Metrópole
Propriedade privada
Reestruturação produtiva capitalista
periferia
Resumo

O presente trabalho tem por objetivo de estudo a relação envolvendo a periferia e o seu processo de reposição na metrópole de São Paulo, tendo por base o estudo realizado no bairro do Cabuçu, no município de Guarulhos. A complexidade urbana do momento atual comporta diferentes análises no sentido de sua interpretação. Partindo-se desse pressuposto, o que se analisa neste trabalho é a atual condição da periferia na metrópole de São Paulo face as promessas da modernidade relacionada ao desenvolvimento urbano. Essa modernidade, acompanhando a evolução do capitalismo, leva a instituição propriedade privada à posição de centralidade, transformando esta numa das principais marcas da sociedade moderna. Em meio a tantas alternativas acerca da complexidade urbana atual, a escolha aqui feita foi a de analisar a periferia enquanto uma realidade sócio-espacial que, do ponto de vista desta reprodução ampliada, deve ser incessamente resposta ao longo do território da metrópole, não excluindo as contradições inerentes a esse processo. Por sua vez, esse movimento incessante vincula-se ao próprio sentido do urbano, que é reproduzido a partir da lógica do capital, e à impossibilidade no alcance das promessas da modernidade. A metrópole chega à atual fase enquanto um território que, dentre vários outros desdobramentos, passa a enfatizar a relação entre o capital especulativo e o mercado imobiliário. Vem daí a intensificação da especulação imobiliária, que é articulada longo do território da metrópole. Como consequência, a reposição da periferia, que se consubstancia em função do drama cada vez maior da moradia, passa também a ser um movimento articulado nessa mesma metrópole.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Guarulhos
Bairro/Distrito
Cabuçu
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2007
Localização Eletrônica
https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-21092011-140937/pt-br.html

Crise do trabalho e a abordagem centro-periferia na metropolização de São Paulo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Pinho, Rinaldo Gomes
Sexo
Homem
Orientador
Alfredo, Anselmo
Ano de Publicação
2011
Programa
Geografia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Crise do trabalho
Metrópole de São Paulo
centro-periferia
periferia
Resumo

A dissertação teve como principal questão a discussão acerca das abordagens das periferias urbanas no processo de metropolização de São Paulo, discutindo os pressupostos da literatura sobre o tema desta divisão intra-urbana a partir das idéias de marginalização e exclusão sócio-espacial. Procuramos problematizar a divisão entre centro e periferia urbana a partir da crítica às abordagens que privilegiavam estas análises a partir da centralidade das categorias de luta de classes, dos espaços periféricos como lócus do exército industrial de reserva e da hegemonia do capital produtivo. A pesquisa procura repensar a questão da divisão da metrópole no atual momento de reprodução crítica do capitalismo que marca uma mudança qualitativa de entendimento dos espaços considerados periféricos para além da materialidade e da visão geométrica da divisão centro periferia. Discutimos a perda de potência da idéia de espaços excluídos a partir da premissa de um processo de socialização negativa das populações pauperizadas, neste momento de crise dos fundamentos do trabalho, aliada à nova estrutura da reprodução do capital, baseada na financeirização e na ficcionalização. Deste modo através da generalização do crédito e do consumo para estas populações, buscamos um caminho possível para pensar a própria destituição da relação centro-periferia na metrópole de São Paulo.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Métodos mistos
Referência Espacial
Região
Região Metropolitana de São Paulo
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2010
Localização Eletrônica
https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-06062011-174242/publico/2010_RinaldoGomesPinho.pdf

Subúrbios de veraneio: condicionantes históricas, sociais, econômicas e ambientais da urbanização às margens de represas no entorno do Rio Grande (SP/MG)

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Larrabure, Sara Pugliesi
Sexo
Mulher
Orientador
Cruz, Rita de Cassia Ariza da
Ano de Publicação
2009
Programa
Geografia Humana
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
segunda residência
turismo residencial
urbanização às margens de represas
periferia
Resumo

Esta dissertação aborda o fenômeno da segunda residência, propagado em forma de ranchos, ao redor de diversas represas formadas a partir da implantação de usinas hidrelétricas que se localizam no Rio Grande, a norte do Estado de São Paulo e sudoeste de Minas Gerais, mais especificamente entre a Usina de Volta Grande e de Furnas. O objetivo principal foi compreender o papel desta forma de consumo do espaço na apropriação e ordenamento do território na região estudada. Para isso, buscou-se analisar os diferentes vetores que contribuíram para a ressignificação da região e formaram, na orla fluvial do Rio Grande, grandes áreas de subúrbios de veraneio que servem às cidades economicamente mais pujantes da região, como Franca, Ribeirão Preto e Uberaba. No intuito de compreender esse fenômeno, além do suporte bibliográfico, foi necessária a realização de trabalhos de campo na região estudada. Observou-se que esse fenômeno acaba produzindo a fragmentação do espaço, dada por um uso especializado e elitista de parte do território regional, pela apropriação e privatização de áreas de preservação permanente. A ocupação das margens do Rio Grande vem crescendo de uma forma acelerada, novos empreendimentos estão sendo comercializados e as áreas livres lindeiras ao Rio são objeto de interesse por parte de loteadores e outros empreendedores imobiliários. Este estudo nos permitiu perceber que os subúrbios de veraneio são um dos principais fenômenos promotores da urbanização na região, e que existe um sistema de ações que incentiva a proliferação desses subúrbios de veraneio pelas margens do Rio, como a ampliação das zonas urbanas, criações de zonas de interesse social e ausência efetiva de fiscalização

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Região
Região Metropolitana de São Paulo
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
1970-2010
Localização Eletrônica
https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-17042012-084731/pt-br.html

Os conteúdos sociais da crise ecológica: a reprodução do espaço urbano e a ocupação da Guarapiranga

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Bertoletti, Frederico
Sexo
Homem
Orientador
Carlos, Ana Fani Alessandri
Ano de Publicação
2011
Programa
Geografia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Indústria
Produção
Reprodução
Mananciai
Periferia
Resumo

O objetivo central do trabalho repousa na tese de que a crise ecológica tem um conteúdo eminentemente social. Para tanto, localizamos a problemática da ocupação das áreas de mananciais da represa Guarapiranga na história da produção do espaço urbano capitalista na metrópole de São Paulo. Realizamos um percurso teórico usando o método regressivo-progressivo como caminho necessário para localizar a problemática dos mananciais no seio dos conteúdos da produção do espaço urbano, possibilitando destacar os fundamentos, processos e contradições sociais obscurecidos pela ótica que representa e reduz a problemática dos mananciais a uma questão ecológica. Nos dedicamos a entender a natureza desse fenômeno social, tentando desvendar os processos, sujeitos e contradições que justificaram a formação e expansão da periferia urbana em todas as direções dos extremos da metrópole de São Paulo; nas últimas décadas essa expansão vem promovendo a ocupação das áreas do entorno da Guarapiranga. Também nos empenhamos criticamente sobre a representação da crise de abastecimento hídrico, na qual buscamos desmistificar a linha de pensamento que responsabiliza os moradores pobres das áreas de mananciais pela crise de abastecimento hídrico.  A pesquisa demonstrou que a formação e expansão da periferia urbana de São Paulo foi um dos resultados da industrialização na primeira parte do século XX e manteve-se nas últimas décadas, quando a indústria foi perdendo hegemonia como principal pólo indutor da acumulação capitalista na capital paulistana, sendo substituída parcialmente pelo setor terciário moderno - capitaneado pelo capital financeiro. O processo de constituição da maior metrópole do país deu-se assentado em relações sociais contraditórias, resultando numa urbanização que não apenas reforçou as contradições sociais derivadas da introdução das relações capitalistas de produção, como elevou-as a patamares superiores, na condição de contradições do espaço. A ocupação das áreas de mananciais utilizadas no abastecimento público na região sul é resultado direto da lógica de acumulação que se consolidou em São Paulo, promotora da precarização do trabalho, por um lado, e da valorização do espaço por outro, resultando na deterioração das condições de vida da classe trabalhadora ao promover a segregação sócio-espacial e a deterioração das condições ambientais da cidade, ao forçar grande parte da população a habitar nas áreas menos valorizadas, em boa parte localizadas nas áreas de proteção ambiental.  A representação hegemônica desse fenômeno reforça uma ideologia que responsabiliza o morador de periferia pela crise de água para o abastecimento público, obscurecendo todas as contradições e fundamentos que estão na base do processo de urbanização, os interesses do setor imobiliário num dos últimos “recantos de natureza” da metrópole e também joga uma “cortina de fumaça” sobre as diferentes estratégias envolvidas na utilização dos recursos hídricos da bacia do Alto Tietê. A pesquisa revelou que a crise de abastecimento hídrico resulta, sobretudo, das estratégias do setor energético na bacia, da gestão dos serviços de saneamento básico na metrópole e do estabelecimento da água como mais uma mercadoria a serviço da diferenciação social através do consumo.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Métodos mistos
Referência Espacial
Região
Região Metropolitana de São Paulo
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Campo Limpo, Capão Redondo, Jardim Ângela
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2000-2010
Localização Eletrônica
https://gesp.fflch.usp.br/sites/gesp.fflch.usp.br/files/Frederico_pronto.pdf

Conforto térmico em habitações de favelas e possíveis correlações com sintomas respiratórios: o caso do Assentamento Futuro Melhor - SP

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Utimura, Isabel
Sexo
Mulher
Ano de Publicação
2011
Programa
Geografia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Microclimatologia
conforto térmico
climatologia aplicada
Resumo

O objetivo deste trabalho é verificar a influência do microclima no condicionamento do ambiente de residências representativas da favela do “Assentamento Futuro Melhor” do Município de São Paulo. A investigação procura isolar e caracterizar os controles climáticos cuja variação espaço-temporal seja significativa a ponto de influenciar a ocorrência e distribuição de doenças respiratórias em população de baixa renda. O estudo foi desenvolvido com base no conceito de ritmo climático e na concepção bioclimática do ambiente construído, que foram aplicados empiricamente em trabalho de campo. Foram realizados monitoramento e avaliação do conforto térmico em ambiente interno de longa permanência de oito habitações com tecnologia e padrão construtivos diferentes, usando mini-regitradores digitais de temperatura e umidade relativa do ar com frequência de amostragem de 1 hora durante o verão de 2009 ao inverno de 2010. Procurou-se isolar a influência topoclimática (orientação e posição da vertente), instalando-os num mesmo quarteirão com declividades muito baixas. Foi classificada, hora a hora, a combinação de temperatura e umidade relativa do ar resultando no índice de sensação térmica humana segundo a proposta de Olgyay (1963). A comparação do ambiente interior das habitações com o exterior foi realizada a partir de dados obtidos junto às estações meteorológicas do INMET - Mirante de Santana (SP) e do IAG-USP, e das informações da circulação secundária sobre a área de estudo obtida das cartas sinóticas da Marinha do Brasil, e imagens do satélite GOES no canal infravermelho (CPTEC/INPE). Para associar o fator conforto térmico com sintomas respiratórios recorreu-se à aplicação de questionários, buscando investigar in loco se havia uma variação da prevalência de sintomas respiratórios em função de atributos das habitações. Foram realizadas entrevistas sistemáticas com cada um dos indivíduos moradores de 150 habitações tomadas como universo amostral. Os dados dos sintomas respiratórios foram associados e agrupados segundo os tipos construtivos de habitações, o perfil socioeconômico e demográfico, além de hábitos da família que interferem no conforto térmico e/ou na saúde respiratória. Essas associações buscaram um controle das variáveis que poderiam influir na incidência de sintomas e serviram para isolar exclusivamente a influência das variáveis construtivas da habitação. Por fim, buscou-se incorporar os dados climáticos registrados às informações qualitativas levantadas junto à população moradora. Os resultados apontam para a influência do padrão construtivo nos níveis de conforto térmico, consistindo em fatores diferenciadores dos atributos microclimáticos do ambiente interior. As habitações em fechamento de madeira e cobertura de telha ondulada de fibrocimento apresentaram um isolamento menor dentre às habitações pesquisadas, sendo que a habitação em alvenaria com laje ofereceu um maior isolamento e inércia térmica em relação ao ambiente externo. As habitações em alvenaria com telha de fibrocimento apresentaram diferenças nas condições de conforto térmico em função das pequenas melhorias construtivas empregadas em cada caso. Verificou-se que nas habitações da favela ocorrem extremos de temperaturas, e que nas habitações localizadas fora do ambiente de favela, tomadas como posto de controle o mesmo não ocorreu. Sobre os efeitos meteorológicos no condicionamento do ambiente das habitações estudadas, verificou-se que os maiores resfriamentos estão associados à MPA; os maiores aquecimentos sob a ação dos sistemas tropicais TC e MTA, e as FFs criam uma situação de homogeneização nas variações das temperaturas médias horárias ao longo do dia. A análise integrada da variação horária de temperatura e umidade relativa do ar permitiu verificar que existe um ritmo sazonal nas condições de conforto térmico humano. No tocante à sensação térmica, todas as habitações da favela mostraram-se, na maior parte do tempo, fora da faixa de conforto proposta por Olgyay (1963), variando entre situações de desconforto ao calor-úmido e ao frio-úmido. Verificou-se que as habitações da favela condicionam ambientes propícios à ocorrência de sensações opostas e extremas no mesmo dia, o que não ocorre nas habitações localizadas fora do ambiente de favela. Os resultados das entrevistas indicam que nas habitações mais precárias, em madeira e alvenaria sem reboco, há maior prevalência de sintomas respiratórios do que nas habitações mais estruturadas em alvenaria com reboco. Houve associação entre a frequência e distribuição dos sintomas respiratórios e as variáveis climáticas e o índice de conforto de forma diferenciada por tipo de padrão construtivo. Os resultados corroboram a hipótese de que as habitações precárias de favelas apresentam maior impacto negativo à saúde respiratória dos moradores. As habitações da favela do “Assentamento Futuro Melhor” produzem o oposto daquilo que se espera de qualquer abrigo humano, pois pioram a condição do ambiente e prejudicam a saúde de seus ocupantes.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Métodos mistos
Referência Espacial
Região
Região Metropolitana de São Paulo
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Paraisópolis, Jardim Pery Alto
Localidade
Assentamento Futuro Melhor
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2009-2010
Localização Eletrônica
https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8135/tde-06072011-091727/pt-br.html