O sujeito pixador: tensões acerca da prática da pichação paulista
A pesquisa em mãos discute acerca da dimensão cultural e social da prática da pichação paulista, conhecido como “pixo” e ou Escola Paulista de Pichação, bem como da sua relação com as questões do ordenamento jurídico e dos movimentos de positivação da ilegalidade e da marginalidade por parte dos pichadores. Para tal empreitada partimos de alguns momentos destacáveis na história e no espaço que percebemos serem importantes de ênfase, momentos em que a escrita no espaço público urbano ganhou forma e fora posteriormente repelida pelo ordenamento e pelos governamentos locais.
Falamos nas pichações políticas de Paris no maio de 1968, do grafite étnico e racial da cidade de Nova Iorque dos anos de 1970, da pichação de protesto político dos
Palestinos, bem como do surgimento da pichação poética na capital paulista no final dos anos da década de 1970. A partir dessas primeiras diferenciações foi possível entendermos as características e particularidades da “pixação” paulista, o “pixo”, oriunda dos primeiros anos de 1980 e presente até hoje pelas grandes cidades do estado de São Paulo. Focando no movimento da “pixação” paulista – sobretudo nas cidades de São Paulo e de Campinas – procuramos entender as relações desse circuito e de seus atores – os pichadores – para com os programas de combate a prática da pichação, tão em voga nos municípios paulistas. Partindo do exemplo de Campinas, cidade que conta com este formato de programa anti-pichação desde março de 2009, arriscamos entender qual a relação do pichador e de sua prática – a escritura ilegal de nomes – com os diversos cerceamos jurídicos e morais que atingem esta forma de agir no espaço urbano.
Buscamos em autores como Michel Foucault, Gilles Deleuze e Félix Guattari, entre outros, o suporte e o ferramental teórico para mirar essa prática, tentando entender qual a dimensão de escrita-de-si e de máquina-de-guerra pode ser encontrado na pichação paulista contemporânea. Na busca por arquivos – para a leitura da escrita da pichação e dos pichadores – nos debruçamos em trabalhos etnográficos, em vídeos documentários, em filmes de pichadores sobre a pichação, em matérias midiáticas e em diálogos com os
próprios agentes do “pixo”, a grande maioria desses contatos mediados pelas ferramentas da internet. Por fim percebemos a pichação paulista como um movimento de grandes dimensões de sociabilidade, uma agitação que aproxima os seus atores, que os movimenta pela cidade, que os coloca em uma situação de produção de subjetividade e de formas de existir. Afinal, os pichadores querem escrever o seu nome pela cidade e dessa forma se fazerem presentes – ser visto sem ser (re)conhecido – na dimensão metropolitana do urbano.