ESCRITAS MARGINAIS URBANAS NAS RUAS DE SALVADOR: Cartografias e reescritas do Direito à Cidade
Esta conversa privilegia as margens - este interstício, ora lugar de encontros, ora lugar de tensões – que conduz a pensar Salvador, cidade negra, e suas escritas desautorizadas, que preenchem muros e superfícies à revelia das leis. Principia pelo diálogo entre as escritas marginais urbanas e o direito à cidade, entendido aqui como o fazer cotidiano das ruas, horizonte de emancipação e modo de existir. Defronta-se com os conflitos que têm como base a invenção de (i)legalidades para controle e homogeneização dos espaços urbanos. Interessa, pois, investigar como as estruturas de poder, mais precisamente o ordenamento jurídico-urbano, operam processos de marginalização e de invisibilização contra as expressões fora-da-lei, perseguição e apagamento lidas como face da necropolítica e do epistemicídio em curso. Como suporte metodológico, se orienta pela cartografia incorporada aos rolês, que parte da análise das Ocorrências de Flagrantes à pichação, feitas pela Polícia e Guarda Municipal, e caminha ao encontro dos muros, observando e provocando as múltiplas narrativas das ruas, acessando diversas camadas de percepção da cidade. Num constante estado de travessia, aposta, ainda, na experiência da escuta e da memória, para construção de imaginários mediativos, vislumbrando possíveis espaços de negociação nas disputas socioespaciais por visibilidade e por participação na vida urbana.