O encontro das ruas pelos muros da cidade de Joinville (2006-2013)
A presente dissertação versa acerca da cidade catarinense de Joinville, sendo esta uma localidade com inúmeras disputas, tensões e discursos relacionados ao seu caráter identitário e étnico, perpassando por discussões que envolvem e remetem aos processos e fluxos de migração ligados tanto ao seu passado de fundação durante a segunda metade do século XIX, bem como de uma história ligada ao tempo presente e as recentes movimentações dos anos 1980 e 1990. Durante a década de 1970 a cidade catarinense passou por um intenso processo de industrialização, voltando-se principalmente ao setor do metal-mecânico, que, por sua vez, atraiu e, sobretudo, necessitou atrair mão-de-obra de diversas localidades, dentre ela, a dos (i)migrantes. Este processo trouxe consigo a necessidade de revisar e repensar este “novo” fluxo migratório, bem como o seu caráter urbano (infraestrutura). Para além do capital humano ligado ao trabalho que ingressou em Joinville, outras práticas, tramas, redes-sociais e ideias adentraram os diversos espaços da cidade, acarretando em sociabilidades e experiências que, de certa maneira, destoavam, negociavam e abalavam os lastros de uma cidade que estabelecia uma nostalgia estetizada ao seu passado germânico, lançando-a em conectividade ao global. Dentre estas novas práticas sociais e culturais que configuram a cidade em seu tempo presente, tanto pela vinda de (i)migrantes internos por volta da década de 1980 e 1990, como pelas redes abertas por estes, se pode destacar o Movimento Hip-Hop e o Grafite que demonstram as transformações presentes na Joinville contemporânea, tanto em seus espaços físicos urbanos, quanto em sua presença na(s) programação(ões) de eventos culturais locais, a exemplo do Festival de Dança e o Encontro das Ruas, sendo este último criado no intuito de valorizar o Hip-Hop e os seus elementos, dando visibilidade, sobretudo entre os anos de 2006 a 2013, à cena do grafite local e a interação com grafiteiros/as de diversas cidades brasileiras. Estas novas modalidades de vivências e de se introduzir, identificar e relacionar com a urbe (e com os demais aspectos que envolvem o mundo e a cidade nos tempos atuais) se fizeram de forma conturbada, tendo como mediador, por vezes, a mídia e seus veículos de comunicação, sítios eletrônicos, portais e campanhas da cidade que lançavam olhares sobre estas novidades (Grafite ou Pichação? Prática que agride ou que agrada?), mas também a narrativa dos próprios grafiteiros e grafiteiras locais e as suas mais plurais produções de intervenção urbana. Neste diálogo aberto entre a historiografia joinvilense e estes mais variados elementos interligados com o tempo presente, fora possível identificar e perceber as permanências e rupturas acerca das experiências urbanas locais, sinalizando aspectos da trajetória desta prática (bem como do Movimento do Hip-Hop) para a urbe e o contato de alguns de seus praticantes com este cenário em constante estruturação.