A experiência escolar do mundo popular e os desafios de uma socialização para maior equidade no brasil
A presente dissertação busca compreender a socialização produzida pela escola brasileira no contexto de universalização do ensino. Para tanto, apresenta-se episódios de uma etnografia de recreio de quatro escolas públicas de ensino fundamental da cidade do Rio de Janeiro a fim de identificar os seus limites e suas potencialidades no trabalho de socialização dos estudantes de origens populares. Conclui-se que a Constituição de 1988 confere uma centralidade à escola na socialização de todas as crianças e, segundo seus princípios, uma de suas funções é desenvolver a habilidade no indivíduo para agir na sociedade de modo a fortalecer a democracia. Com efeito, como a interação escolar é marcada pelos efeitos da condição social do aluno morador de favela, os episódios de recreio dão indícios de uma socialização na qual há pouca reciprocidade de expectativas, e esse formato pode gerar uma integração precarizada na sociedade. Além disso, as diferentes formas observadas de socialização escolar apresentam baixa capacidade de ofertar aos alunos das classes populares a possibilidade de experimentar igualmente as instituições da democracia e as potencialidades educacionais atuais.