De Olho nos Muros: Itinerário do Graffiti em Fortaleza
Este trabalho tem como tema o graffiti na cidade de Fortaleza e os desdobramentos dessa prática entre lugares: dentro e fora das cenas que congregam a paisagem dessas experiências. Entende-se por graffiti imagens figurativas, desenhos, letras e nomes feitos com tinta spray de várias cores em muros, paredes, viadutos, caixas de telefone, entre outros suportes, que compõem a paisagem das cidades grandes e médias, brasileiras e internacionais. Visto como atividade marginal em um passado recente no Brasil, o graffiti atualmente é uma prática permitida por lei, embora sua legalização ainda comporte contradições. Ele vem sendo cada vez mais utilizado pela mídia e publicidade e parece ter atraído a atenção da população em geral. No âmbito das visões de positividade do graffiti, identificam-se, comumente, duas posições: a que acredita que se trata de uma intervenção que embeleza a cidade e segundo a que considera que essa atividade desvia o foco da pixação e de experiências de delinquência. Pode-se dizer que o graffiti, mesmo atravessado por entendimentos diversos, é uma das linguagens que compõe a street art ou arte urbana, conceito do universo da arte que compreende as produções artísticas que utilizam o urbano como tema e como suporte. Ele também pode ser considerado uma espécie de caligrafia urbana, já que as letras também tem lugar no graffiti, constituindo um de seus estilos mais antigo e privilegiado. Por ocupar a esfera pública, o graffiti faz parte do rol dos registros murais que desde a pré-história utilizam as superfícies públicas para comunicação, protestos, declarações etc. Ao acompanhar os itinerários dos grafiteiros pela cidade, foi possível esboçar uma cartografia do graffiti em Fortaleza identificando-se: como ocorre a escolha dos locais grafitados, quem são os grafiteiros, de que maneira relacionam-se com a cidade, como constroem seus repertórios artísticos e de que forma articulam um habitus (BOURDIEU, 1993; 2003) específico, denominado por mim de transgressor, que é o que garante o reconhecimento como grafiteiro dentro e fora da cena. A relação entre graffiti e pixação também foi discutida, revelando as conexões que existem entre estas duas práticas.