MUROS QUE NÃO SEPARAM – A ARTE DE RUA EM MANAUS: A identidade indígena e sua representação em murais grafitados
Os registros mais antigos da linguagem humana são visuais e se encontram em paredes de cavernas em todos os continentes, revelando que o uso de representações através de imagens pintadas em paredes e muros é inerente à cultura humana, à qual, pelo conceito genérico, é atribuída “a qualidade de característica universal de todos os homens e apenas destes” (BAUMAN, 2012, p. 133). Por isso, não há evidências de cultura pura, sem interferência de outras. Nesse contexto de culturas híbridas, identidades são deslocadas (HALL, 2015) por meio da propagação de ideologias, as quais são “capazes de propiciar a base sobre a qual os indivíduos possam moldar uma identidade coerente” (EAGLETON, 1997, p. 27). Tais ideologias são reconhecidas tanto em discursos disseminados verbalmente, como por meio de recursos multissemióticos, dentre os quais se destacam nesta pesquisa as manifestações artísticas expostas em muros e paredes das ruas das cidades. A Arte de Rua ressignifica essas construções, reunindo artistas que produzem coletivamente murais e aproximando a sociedade daqueles que são representados por meio dessa manifestação artística, como os indígenas pintados em muros e paredes da cidade de Manaus, capital do Amazonas. Partindo desses princípios, viu-se a possibilidade de, através desta pesquisa, desvelar os discursos manifestos em murais grafitados produzidos nos espaços urbanos da cidade de Manaus em que indígenas estão representados e evidenciar criticamente aspectos relacionados a essas representações através de imagem do que é ser índio, sua cultura e sua relação com a cidade e o meio ambiente. Visando atender a esse objetivo, foram selecionados como corpus quatro murais produzidos por Raí Campos e Rogério Soares e, como metodologia, usaram-se as categorias da Gramática do Design Visual – GDV – a qual define que “as estruturas visuais não reproduzem apenas estruturas da realidade, mas estão ligadas aos interesses das instituições sociais, sendo, assim, ideológicas” (KRESS; VAN LEEUWEN, 2006, p. 47), por isso a necessidade de uma metodologia que considere o poder discursivo de recursos multissemióticos de comunicação. A pesquisa foi dividida considerando-se os processos de produção artística: O Esboço, em que se trata da Fundamentação Teórica sobre a qual se sustentam as análises; A Técnica, na qual são apresentadas a metodologia e as categorias analíticas utilizadas no corpus escolhido; O Acabamento, que se refere às análises e dados discutidos; por fim, A Arte Final, em que são apresentadas as considerações finais, limitações e sugestões para futuras pesquisas.