Geografia da internet no Brasil: redes técnicas e espaço
A presente tese visa reafirmar o papel do espaço no estudo das novas tecnologias de informação e comunicação (ntics). Parte-se da hipótese que as estruturas da internet reproduzem as desigualdades socioespaciais prévias, não constituindo um padrão de ruptura, apesar de, não raro, lhe ser atribuído um caráter revolucionário no qual o espaço é tido com anulado ou minimizado. Essa hipótese foi verificada em escala nacional, a partir da análise de três dimensões: a da oferta de informações online, mensurada pela geografia dos domínios de internet no país; a do consumo, ou a quantidade de acessos à internet domésticos e de pequenas e médias empresas nos municípios brasileiros; e a da infraestrutura física, tratada pela topologia dos backbones operados pelas firmas de telecomunicações.. Os domínios apresentam uma concentração bem marcada no território, sendo grosso modo, paralela à hierarquia urbana. Quando comparados às atividades econômicas, as metrópoles, sobretudo São Paulo, emergem como os centros mais importantes. A infraestrutura, a cargo principalmente de empresas privadas, espelha a capacidade de mercado de cada cidade, estando mais presentes nos maiores centros urbanos e nas regiões mais populosas e de maior demanda solvável. Os acessos correlacionam-se mais fortemente com a renda dos domicílios, com o pib dos municípios e com o nível educacional dos cidadãos. Os resultados nos levaram a confirmar a hipótese central.. A aplicação de um modelo aditivo generalizado (gam) a partir dos dados de acesso à internet e de pib municipal evidenciou o estado do paraná como centro de uma área onde esta correlação resulta em efeitos positivos muito acima do esperado. Partiu-se, então, para uma segunda hipótese: as demandas logísticas do agronegócio e a busca por atendê-las na ação do estado local, investindo em infraestrutura de telecomunicações, são responsáveis pela difusão da internet nesse espaço, enquanto ferramenta geoeconômica de valorização do território. O cruzamento do resultado do modelo com as relações entre sedes e filiais das firmas de agronegócio, entretanto, nos apontou que a hipótese secundária é plausível, necessitando de investigações específicas para sua confirmação plena.