Educação Ambiental em Cubatão: das diretrizes legais às práticas pedagógicas
A pesquisa fundamentou-se em teorias sobre questões socioambientais; diretrizes legais e orientações sobre Educação Ambiental e analisa de que forma são incorporadas na rede pública do Município de Cubatão, Estado de São Paulo. Neste trabalho discutem-se as características ambientais do Município de Cubatão, as principais medidas para a Educação Ambiental e de que forma se dá a articulação entre a Secretaria Municipal de Educação de Cubatão e as Unidades Municipais de Ensino, no que diz respeito ao enfrentamento dessas questões. O Município de Cubatão foi rotulado de “Vale da Morte” no início da década de 1980, devido a concentração de poluentes oriundos da atividade industrial. Houve necessidade de mobilização de vários segmentos da sociedade para encontrar soluções que conseguissem reverter essa situação extremamente caótica. Este processo se constituiu em vitória ambientalista. Porém, o município continua com um parque industrial em plena atividade e ainda emite poluentes no ar, nos rios e no solo. Sem dúvida, Cubatão permanece um município de grande risco ambiental. A pesquisa buscou conhecer as questões ambientais e sociais presentes na educação escolar, de modo a compreender a formação voltada para a cidadania plena de cidadãos que conheçam sua História, seu ambiente e os problemas socioambientais instalados nagião. Como fundamentação teórica para a análise das questões socioambientais utilizou-se: Carvalho (2008a e 2008b); Grüm (1996) e (2007); Löwy (2005); Mészáros (2008); Minc (2005). Para discutir as questões relacionadas às políticas públicas de educação foram utilizados os seguintes autores: Foster (2005); Gentili e Alencar (2003); Libâneo, Oliveira e Toschi (2007); Loureiro (2007); Martins (2002); Sacristán e Gómez (1998). Os resultados da pesquisa, realizada com gestores e professores, indicaram problemas decorrentes da não implementação de diretrizes, que deveriam articular a Educação Ambiental no município de Cubatão e as práticas pedagógicas efetivadas nas UMEs. Práticas que por este e outros fatores, acabam tendo eficiência reduzida quanto à necessidade de uma Educação Ambiental crítica, que colabore com a conscientização da comunidade em relação aos problemas socioambientais do município. Os resultados indicaram também a fragilidade das iniciativas em Educação Ambiental desenvolvidas nas escolas, além de não integrá-las ao currículo de forma transversal, como esperado, além da desvinculação da maioria dos projetos desenvolvidos, em relação ao entorno escolar e ao histórico socioambiental do município.