Geografia
A Cidade sob Quatro Rodas: o automóvel particular como elemento constitutivo e constituidor da cidade de São Paulo - o espaço geográfico como componente social
Tendo como referência uma concepção de Geografia que assume que o espaço geográfico é componente constituinte da sociedade, uma instância da sociedade (Milton Santos) ou uma dimensão transversal da sociedade (Jacques Lévy), o trabalho procura qualificar a reestruturação da cidade de São Paulo (que se inicia nos anos 1980) a partir da imensa disseminação do uso do automóvel particular. O trabalho investe na caracterização da natureza dos novos espaços produzidos como resultado da relação cidade automóvel, do mesmo modo que avalia como a cidade é inflexionada pelos espaços do automóvel. A referência específica para essa caracterização é a definição de cidade como espaço principal de convivialidade humana, processo esse apreendido pelo conceito de urbanidade e como a forma mais eficiente de administração da distância espacial (Jacques Lévy), cujos espaços se estruturam de dois modos principais: a forma territorial (predomínio da contigüidade) e a forma reticular (redes, predomínio lacunar). A difusão do automóvel favorece, em São Paulo, a formação de redes geográficas que fragmentam a cidade e criam um horizonte de separações e segregações. Nessa reconfiguração, a estrutura espacial mais característica é o que denominamos de núcleos de baixa territorialização associados ao uso do automóvel. São núcleos de rede que negam a cidade, assim como os subúrbios americanos negavam os centros das cidades americanas. Funcionam como se fossem subúrbios encravados no interior do núcleo denso da cidade Por essa razão esses núcleos de baixa territorialização (mantém um baixo nível de relações com os espaços contíguos) também são denominados por nós como "subúrbios internos". Essa reestruturação rebaixa a urbanidade da cidade, deteriorando os espaços públicos e abrindo caminho para o domínio das soluções privadas frente às dificuldades das cidades.
A Reprodução do Espaço na Periferia da Metrópole e a Lógica da Propriedade Privada
O presente trabalho procura compreender a produção e a reprodução do espaço metropolitano, abordando a problemática da evolução da propriedade privada da terra no Brasil e em particular na cidade de São Paulo. A análise consiste na aferição da formação do espaço metropolitano tendo por objeto investigativo três assentamentos irregulares localizados no vetor nordeste do município. Os loteamentos originaram-se em tempos históricos diferentes desenvolvendo processos de formação e apropriação do espaço que foram diversos entre si. A avaliação dos processos das ocupações é analisada por meio da apreciação da vida cotidiana do homem comum. Dois momentos são marcantes no estudo: o cotidiano como momento precípuo para a realização da apropriação do espaço e a reconstrução do espaço urbano por meio das relações sociais e culturais as quais possibilitam a identidade desse espaço, revelando-o como bairro.
O céu aberto na Terra: uma leitura dos cemitérios de São Paulo na geografia urbana
A presente dissertação de mestrado tratou os cemitérios da cidade de São Paulo, desde os primeiros sepultamentos nas igreja-cemitérios (século XVI) até os cemitérios atuais (construídos no século XX). O nosso estudo seguiu dois caminhos: o de verificar a gênese dos cemitérios e simultaneamente os interesses envolvidos na instalação dos mesmos (formação de patrimônio e valorização do espaço). As tipologias cemiteriais são datadas e específicas das configurações espaciais. As estudadas foram as seguintes: igreja-cemitério, - a cidade como centralidade da Igreja - cemitério público, - espaço da cidade como centralidade - cemitério público geral (sem concessão de jazigo), - centralidades periféricas.
Atlas Ambiental Digital da Bacia Hidrográfica do Rio Pirajussara São Paulo/Brasil
O objetivo do presente estudo é o desenvolvimento de um Atlas Digital Ambiental da Bacia Hidrográfica do Rio Pirajussara na Região Metropolitana de São Paulo, Brasil. O estudo foi inspirado pelo Atlas Ambiental de Berlim. O Atlas Ambiental Digital deve servir tanto para o planejamento urbano quanto para a educação no nível médio e universitário. Para alcançar este objetivo, diferentes fatores são apresentados em mapas interativos. O maior desafio na elaboração é a aquisição dos dados necessários.Poucos dados são disponíveis para a apresentação espacial de fatores físicos e socioeconômicos. Os fatores ambientalmente relevantes apresentados foram juntados de fontes disponíveis ou gerados pelo autor. Com a continuação do trabalho será possível alcançar o objetivo de desenvolver um instrumento valioso para fins educacionais e para o planejamento urbano. Os resultados do Atlas Ambiental Digital estão disponíveis na Internet.
Contribuição ao Estudo do Êxodo Rural do Estado de São Paulo
Avaliação e Monitoramento Ambiental da Expansão Urbana do Setor Oeste da Área Metropolitana de São Paulo: análise através de dados e técnicas de sensoriamento remoto
Baseia-se na possibilidade de verificação das alterações ambientais através da utilização de imagens orbitais miss-landsat, tm-landsat e hrb-spot. A partir da análise multitemporal com a utilização da técnica de registro semi-automático de imagens foi possível a identificação das alterações ocorridas na sobrevôo de helicóptero. Os diferentes níveis de degradação ambiental foram comparadas com as classes da carta de aptidão física de assentamento urbano para uma análise comparativa do direcionamento da expansão urbana do setor oeste de São Paulo em relação as classes consideradas adequadas e inadequadas para o assentamento urbanos. Os resultados mostraram que os impactos ambientais no setor oeste de São Paulo estão mais relacionados às condições do padrão de assentamento urbano do que propriamente as características físicas da área.
Geomorfologia e Problemas Urbanos em Marília, SP
A vivência durante alguns anos em Marília, cidade do interior do estado de São Paulo, foi que suscitou duas ordens de preocupações: uma pela sucessão de problemas que continuamente verificava-se em seu espaço, os de natureza geomorfológica; outra, de nível mais acadêmico, sobre a própria possibilidade da geomorfologia envolver-se praticamente com questões daquela natureza. Mas esta dupla preocupação ensejava, em si mesma, várias questões, das quais duas eram vitais para o desenvolvimento de um estudo: o que vinha a geomorfologia fazendo, em termos de contribuição para a solução de problemas que afetam a sociedade humana, especialmente em áreas urbanas? Como utilizar os conhecimentos e proceder a um estudo da cidade de Marília que dava mostras de precisar começar a viver em maior harmonia com seu espaço geomorfológico? Partindo destas preocupações, propôs-se a realização de um inventário bibliográfico referente aos problemas abordados pela geomorfologia aplicada, especialmente aqueles relativos à geomorfologia urbana, objeto de análise no primeiro capítulo. Para proceder este inventário selecionaram-se, de uma relação de trinta e dois periódicos voltados para o campo da geografia ou especificamente para o da geomorfologia, os vinte e quatro que seriam alvo da investigação, num período de dezessete anos (1960-1976). O segundo capítulo envolve duas partes de um mesmo tema - Marília. A primeira abrangendo um relato explicativo das características ambientais e humanas da "região de Marília". O objetivo de se ter estabelecido este referencial mais genérico, no qual se insere a cidade, foi o de poder entendê-la adequadamente, não só na avaliação de seus problemas, mas também, de suas potencialidades. Considerando-se que a cidade apresenta variações significativas de declividade, julgou-se que uma carta que categorizasse o espaço segundo esta característica, permitindo uma visão de conjunto mais ordenada, seria de grande interesse para a aplicação na área. Duas questões se impuseram desde o início para a sua elaboração: a base topográfica sobre a qual ela seria feita e a da escolha dos limites de classes de declividade.
Processo Contemporâneo de Industrialização: um estudo sobre a expansão da produção industrial em território paulista
A dissertação tem por objeto algumas questões relacionadas ao processo contemporâneo de industrialização do país e, em particular, o que se desenvolve em território paulista, sob o comando do modo capitalista de produção. Enfoca, sobretudo, as questões relativas à extensão territorial da produção industrial no âmbito do Estado de São Paulo, em conexão com o desenvolvimento e a estrutura atual do parque industrial de um centro urbano paulista de médio porte e relativamente interiorizado. Para tanto, analisa o movimento histórico da industrialização no país, com ênfase nas diferentes etapas de seu desenvolvimento, bem como as articulações que se estabelecem entre a produção industrial concreta e os diferentes espaços de que se apropria, domina e transforma. No bojo dessas preocupações centrais, procurou-se também, explorar uma série de questões relacionadas à estrutura industrial, no nível do Estado e do município, além daquelas relacionadas às distintas formas de concentração inerentes ao próprio capitalismo (de capital, de meios de produção, de empresas, de estabelecimentos e de espaço). Na primeira parte do trabalho examina-se a natureza do processo de industrialização, as características da indústria brasileira e paulista e a sua expressão material na cidade de São Paulo, procurando enfatizar os seus arranjos espaciais no interior desta. A seguir, passa-se ao exame da expansão do parque industrial paulistano, vinculando-o à expansão da própria cidade em direção ao seu estágio metropolitano. Procura-se relacionar as transformações estruturais da economia brasileira e da produção industrial, em particular, com a expansão territorial da industrialização em direção a novas áreas da metrópole e principalmente, em direção a áreas extra-metropolitanas. A partir daí, passa-se ao estudo do "anel industrializado paulista", em especial de três de seus principais centros urbano-industriais, representados pelas cidades de Campinas, São José dos Campos e Sorocaba e suas respectivas áreas de influência imediata. Exploram-se os aspectos da estrutura industrial do Estado de São Paulo e a sua participação relativa em cada área estudada, chegando a uma hierarquia entre elas, quanto à natureza da atividade industrial de cada uma, tomando como parâmetro a metrópole. Na segunda parte, passa-se ao estudo da produção industrial da cidade de São José dos Campos, localizada uma relativa distância da metrópole paulista, onde ocorre atividades ligadas aos processos contemporâneos de industrialização do país, notadamente aquele relacionado à atuação da grande empresa transnacional e nacional. Faz-se um breve resumo da evolução histórica do município até a década de 1920, época em que se instalam as primeiras indústrias. Apresentam-se alguns aspectos da relação entre a industrialização local e as transformações no nível da estrutura da cidade, procurando captar o seu significado frente aos processos contemporâneos de urbanização comandados pela moderna atividade industrial no país.
A Comunidade na Sociedade de Classes: estudo sociológico sobre imigrante italiano e seus descendentes no subúrbio de São Paulo (Núcleo Colonial de São Caetano)
A tese realiza uma reconstrução histórica do núcleo colonial de São Caetano, que abrangia grande parte da área do atual município industrial de São Caetano do Sul, na periferia de São Paulo. Cobre o período que vai da sua fundação em 1877, pelo governo imperial, mediante povoamento com imigrantes da Itália setentrional, até aproximadamente 1910, a partir de quando a localização ali de um número crescente de industrias alterou substancialmente sua fisionomia e a situação de seus habitantes. A importância desses núcleos como objeto de estudo aparece na sua plenitude quando se tem em conta que frutificaram do intuito de instaurar um campesinato no Brasil, o que supõe duas categorias fundamentais da sociedade capitalista: a propriedade privada da terra e a divisão do trabalho na agricultura. Esse intuito brota das mudanças de condições que até então haviam caracterizado o trabalho escravo como necessário à sustentação do capitalismo periférico. Por esta razão inscreve-se no quadro das transformações cruciais na estrutura da sociedade brasileira dessa fase, que têm como centro a implantação do trabalho livre. O estudo do núcleo colonial como sociedade local suscita a questão de sua validade como procedimento científico, embora não seja a rigor um estudo de comunidade. A grande dificuldade desse método repousa em que, definindo como objeto-unidade de investigação a sociedade local, supõe, de um lado, a coincidência entre o geográfico e o social, o que implicaria, na formação societária, atribuir àquela a condição de formação histórica; de outro lado, supõe que nesse nível da sociabilidade existam singularidades relevantes.