Memória, preservação e patrimônio

A rima na escola, o verso na história: um estudo sobre a criação poética e a afirmação étnico-social em jovens de uma escola pública de São Paulo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Ferreira, Maíra Soares
Sexo
Mulher
Orientador
Amaral, Monica Guimarães Teixeira do
Ano de Publicação
2010
Programa
Educação
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
adolescência
criação poética
culturas juvenis
preconceito e afirmação étnico-social
periferia
Resumo

Esta dissertação é o resultado de uma pesquisa e intervenção realizada em uma sala de aula com alunos da 7ª série de uma escola pública de São Paulo. Estes jovens, amantes do ritmo e da poesia, são descendentes de famílias afro-brasileiras e indígenas Pankararu, oriundas do sertão de Pernambuco, que se alojaram em São Paulo, a partir da década de 50, período desenvolvimentista, servindo como mão-de-obra da construção civil paulistana. A escola onde se fez a investigação está situada no bairro Morumbi e atende os estudantes, moradores da favela Real Parque, cujas histórias estão vinculadas a esta experiência de migração do sertão pernambucano para a região sudeste. Observou-se que apesar de conhecida a história desta comunidade, esta não se revelou integrada à cultura escolar, cuja tendência parecia ser a de negar a herança afro-indígena nordestina do corpo discente. Neste sentido, o objetivo do estudo foi investigar e propiciar, pela via poéticomusical dos jovens, formas de interlocução com este passado recente. Assim, a partir de uma pesquisa etnográfica" rumo ao sertão nordestino, na região do Brejo dos Padres, de onde veio grande parte dessas famílias, deparamo-nos com as mais ricas produções de poesia popular, que nos forneceu o material para algumas intervenções em sala de aula. O trabalho em classe, que contou com a participação de alunos e professores, foi em torno dos hibridismos culturais com ênfase nos processos de apropriação, recombinação e reinvenção presentes nas manifestações do cordel, do rap e do repente. Entendemos que este processo de mistura de diferentes estilos de produção poética, convertendo-o em algo próprio, foi um modo de os grupos sociais discriminados pela sociedade brasileira responderem às exigências de subjetivação e de afirmação étnico-social.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Região
São Paulo
Zona
Sul
Bairro/Distrito
Morumbi
Localidade
Favela Real Parque
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2003
Localização Eletrônica
https://doi.org/10.11606/D.48.2010.tde-30082010-102212

"A maior zoeira" : experiências juvenis na periferia de São Paulo

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Pereira, Alexandre Barbosa
Sexo
Homem
Orientador
Magnani, Jose Guilherme Cantor
Código de Publicação (DOI)
https://doi.org/10.11606/T.8.2010.tde-17112010-141417
Ano de Publicação
2010
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Antropologia
Instituição
USP
Página Inicial
1
Página Final
262
Idioma
Português
Palavras chave
juventude
escola
lúdico
tecnologia
periferia
Resumo

Esta tese aborda diferentes experiências juvenis observadas em variados contextos etnográficos em duas localidades em periferias do município de São Paulo: Cidade Ademar, na zona sul, e Brasilândia, na zona norte. A partir de uma perspectiva multilocalizada, a pesquisa buscou entender como as experiências juvenis modificavam e eram modificadas por outras experiências como as escolares, territoriais (de moradores da periferia), tecnológicas, além das de gênero, classe social e raça. Assim, com base em etnografias realizadas de maneiras e intensidades diferentes em cinco escolas, atentou-se para a importância de dois aspectos no cotidiano dos jovens: o lúdico e o tecnológico. A centralidade das tecnologias mostrou-se de forma bastante contundente nas experiências juvenis por meio dos telefones celulares acionados em sala de aula, da internet, dos games e dos sons automotivos emitidos em volume elevado nas festas funks produzidas no espaço da rua. As interações que os jovens estabeleciam com os itens tecnológicos mantinham fortes associações com o lúdico, muitas vezes esse também marcado por particularidades de gênero. Em suas múltiplas relações com o cômico, o jocoso, o festivo e o agonístico nas experiências juvenis contemporâneas, a questão da ludicidade mostrou-se como um componente importante não apenas do cotidiano das escolas muitas vezes desestabilizando a ordem institucional destas como também de outros contextos e práticas como as lan houses e a música funk.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Região
São Paulo
Zona
Sul
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Cidade Ademar
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Região
São Paulo
Zona
Norte
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Brasilândia
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2006 - 2009
Localização Eletrônica
https://doi.org/10.11606/T.8.2010.tde-17112010-141417

Mito e autoria nas práticas letradas

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Pereira, Anderson de Carvalho
Sexo
Homem
Orientador
Tfouni, Leda Verdiani
Ano de Publicação
2010
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Psicologia
Instituição
USP
Página Inicial
1
Página Final
348
Idioma
Português
Palavras chave
subjetivação
processos culturais
linguagem e história
periferia
letramento
Resumo

O objetivo deste trabalho foi interpretar posições de autoria, articuladas com a relação entre memória discursiva, mito e circulação das práticas letradas. Para isso, tomamos o efeito de separação entre Mito e verdade, para, de modo contrário, considerar como prática letrada a maneira pela qual as questões trazidas pelos Mitos se apresentam entre narrativas orais contadas por uma mulher não-alfabetizada. As bases teóricas são a Análise do Discurso francesa de Pêcheux (AD), a Psicanálise e as pesquisas sobre letramento, principalmente tal como conduzidas por Tfouni e colaboradores. Em relação à metodologia, seguimos o paradigma indiciário de análise proposto por Ginzburg. A partir desses referenciais, consideramos que há uma relação estreita entre a constituição mítica do dizer (a impossibilidade de nele marcar uma origem) e a função do recalque no interdiscurso (esquecimento número um, no sentido de Pêcheux) na estabilização e distribuição dos sentidos. Além disso, entendemos que as produções discursivas (orais e escritas) disponíveis numa sociedade letrada se interpenetram, mesmo que haja desníveis no seu poderio simbólico, por conta da heterogeneidade na distribuição dos sentidos sustentada pela interdição ideológica aos arquivos. A posição de autoria é uma das maneiras de se indiciar diversas alteridades presentes nessa distribuição do sentido que se articula em práticas letradas. Dentro dessa implicação estão formas de leitura do arquivo, que incluem produções de alfabetizados e não-alfabetizados. Concorde essa fundamentação teórica e pelo paradigma indiciário, foi analisado um corpus formado por trinta e quatro narrativas orais produzidas por uma mulher não-alfabetizada e moradora da periferia de Ribeirão Preto-SP, que foram gravadas e transcritas. Nelas, apontamos as marcas, indícios e gestos de interpretação utilizados pelo sujeito-narrador, considerando que o retorno ao já dito ocorre pela marcação de fronteiras com os discursos semanticamente estabilizados e que apontam graus de letramento de natureza vária. Dentre essas marcas, a análise das seqüências discursivas apresenta: 1- os processos de re-significação de narrativas já disponíveis na tradição oral; 2- a transmissão de saberes disponíveis na memória discursiva por meio de sua reformulação articulada às estratégias interpretativas em que o interdiscurso (arquivo) conflui para uma estabilidade do fio do discurso (intradiscurso); 3- as fronteiras discursivas marcadas pelas modalizações e por uma reflexão meta-discursiva que o sujeito-narrador sustenta ao longo do fio do discurso; 4- a articulação do efeito de fechamento de genéricos discursivos (máximas, provérbios, ditos populares) com o mito individual sustentado pelo recalque originário; e por fim, 5- a distribuição de sentidos por meio de formulações não marcadas pelo sujeito-narrador o que vai ao encontro de uma noção de escritura do sujeito (Derrida) e que rompe com a supremacia logocêntrica da escrita alfabética que monopoliza o conhecimento sobre a língua. Ao apostar na alteridade entre oralidade e escrita, portanto este trabalho se posiciona num esforço interpretativo de oposição à dicotomia entre as línguas de madeira e as práticas factuais de linguagem, dicotomia esta a que também se filia a cisão entre oralidade e escrita para enfrentar o monopólio do conhecimento cooptado pela escrita e possibilitar a circulação das práticas letradas (FAPESP).

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Região
São Paulo
Cidade/Município
Ribeirão Preto
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2007
Localização Eletrônica
https://doi.org/10.11606/T.59.2010.tde-03072011-175354

Narrativas de reforma psiquiátrica e cidadania no Distrito Federal

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Amaral, Marcela Corrêa Martins
Sexo
Mulher
Orientador
Nunes, Christiane Girard Ferreira
Ano de Publicação
2006
Local da Publicação
Brasília
Programa
Pós Graduação em Sociologia
Instituição
UnB
Idioma
Português
Palavras chave
Sociologia
Reforma psiquiátrica
saúde mental
cidadania
Resumo

A presente pesquisa tem por objetivo conhecer o processo de implementação das políticas de reforma psiquiátrica no Distrito Federal e o alcance das novas práticas de assistência à saúde mental sobre a cidadania das pessoas acometidas por transtornos mentais. Para desenvolvermos tal investigação, optamos por buscar os discursos dos profissionais que atuam nas seguintes instituições: Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, Instituto de Convivência e de Recriação do Espaço Social, Hospital São Vicente de Paula e Instituto de Saúde Mental. Entender os movimentos pela desinstitucionalização da atenção à saúde mental no Distrito Federal torna-se relevante para compreender como os profissionais, que são agentes concretizadores da reforma local, percebem estas transformações, o que nos possibilita, ainda, conhecer suas representações sociais sobre a doença mental.

A análise estende-se ao processo de exclusão social imposto às pessoas acometidas por transtornos mentais foram objeto, ao estigma que se construiu sobre a loucura, bem como a sua institucionalização e às mudanças dos paradigmas que vêm redirecionando o atendimento psiquiátrico à saúde mental. Nesta perspectiva, buscamos demonstrar a relevância dos movimentos sociais em saúde no Brasil, sobretudo a do movimento da luta antimanicomial, desde a década de 1970, para o redirecionamento das políticas de atenção à saúde mental. O trabalho pretende, ainda, analisar a Lei nº 10.216/01, conhecida como a “Lei da Reforma Psiquiátrica”, que trata do redirecionamento da psiquiatria e da proteção aos direitos dos portadores de transtornos mentais.

O foco principal deste estudo é provocar uma reflexão sobre os avanços e os impasses da reforma psiquiátrica no DF e sobre o exercício de uma cidadania plena para as pessoas acometidas por transtornos mentais e, nesse sentido, concluímos que pouco se avançou para desinstitucionalizar a assistência e criar serviços substitutivos ao modelo manicomial. Ademais, não existem ini-ciativas significativas que busquem reinserir as pessoas acometidas por transtornos mentais no convívio em sociedade, exceto pelas atividades desenvolvidas pela ONG Inverso. Quanto à Lei nº 10.216, esta é percebida como um respaldo para a defesa e proteção dos direitos das pessoas acometidas por transtornos mentais, mas não teve influência significativa para que as políticas de reforma fossem implantadas no DF.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Macrorregião
Centro-Oeste
Brasil
Habilitado
UF
Distrito Federal
Referência Temporal
Década 1970-2000
Localização Eletrônica
https://periodicos.unb.br/index.php/sociedade/article/view/5260

Distinção, cultura de consumo e gentrificação: o Centro Cultural Banco do Brasil e o mercado de bens simbólicos

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Vieira, Marco Estevão de Mesquita
Sexo
Homem
Orientador
Santos, Mariza Veloso Motta
Ano de Publicação
2006
Local da Publicação
Brasília
Programa
Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Instituição
Universidade de Brasília
Idioma
Português
Palavras chave
centro cultural
cultura
política urbana
Resumo

 

O trabalho analisa as condições de emergência dos centros culturais a partir do estudo de caso sobre o Banco do Brasil, a principal instituição financeira do País, que, por ser pioneira na criação de centros culturais corporativos, estabeleceu o paradigma que passou a conduzir os processos de enobrecimento urbano dos centros metropolitanos brasileiros.

A partir da história do Banco do Brasil e de sua ambigüidade de atuação, ora como agente de políticas publicas, ora como banco comercial, o trabalho analisa as estratégias desenvolvidas pela empresa para manter posição ante as perdas processadas com a criação do Banco Central e as ameaças de privatização decorrente da reestruturação capitalista da década de 1980 e do domínio do pensamento neoliberal. Identifica a série discursiva que moldou a invenção de suas tradições e as motivações para instalar um centro cultural na sua antiga sede no Rio de Janeiro.

O sucesso do empreendimento possibilitou recuperar o centro histórico da cidade, fato que transformou o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em âncora do Corredor Cultural, projeto de requalifacação urbana do Rio de Janeiro. Sob esse aspecto, o trabalho analisa as afinidades eletivas entre os interesses da empresa e do município e os resultados e as limitações do projeto de reurbanização carioca, suas conseqüências para o surgimento de processos semelhantes nas demais capitais brasileiras e os seus elos com os pressupostos da pós-modernidade.

A bem-sucedida ação da política urbana carioca levou as demais metrópoles brasileiras a exigir do Banco do Brasil igualdade de tratamento, dando início a uma disputa que levou a instituição a criar novos CCBB em São Paulo e Brasília. Nesse tópico, o trabalho analisa o processo de expansão dos CCBB e as novas orientações mercadológicas que o transformaram em moeda de troca. Estuda também a consolidação da era dos museus e centros culturais no Brasil sob o conceito de distinção e do mercado de bens simbólicos e como conseqüência das ações para tornar as cidades elegíveis para investimentos e trânsito dos agentes da globalização econômica.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Rio de Janeiro
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Rio de Janeiro
Referência Temporal
N/A
Localização Eletrônica
https://periodicos.unb.br/index.php/sociedade/article/view/5249/4770

ENTRE A CULTURA POPULAR E A ARTE URBANA: A cidade de São Caetano de Odivelas-Pará nos murais contemporâneos de And Santtos e Adriano DK

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Brito Cosme, Priscilla
Sexo
Mulher
Orientador
Dos Santos Neves, Ivania
Ano de Publicação
2020
Programa
Comunicação
Instituição
UFPA
Idioma
Português
Palavras chave
Cidade comunicativa
São Caetano de Odivelas
Interação
Graffiti
Murais Contemporâneos
Resumo

As cidades e seus sujeitos são historicamente construídos, suas memórias são fraturadas e, a depender das condições de possibilidades, visibilizam e silenciam discursos. Nesse sentido, tomamos a cidade não como um espaço neutro, esvaziado de memória, ou ainda um cálculo urbanístico, mas sim como espaço interativo e comunicativo. A partir desta perspectiva, analisamos os murais contemporâneos com a imensidão de cores, pincéis, tintas, spray de graffiti e Boi de Máscaras, desenvolvidos pelos artistas Adriano DK e And Santtos, com a noção de “odivelismo” proposta por ele, um estudo voltado aos valores sociais e culturais da cidade de São Caetano de Odivelas, no estado do Pará. Nosso objetivo é compreender como suas obras traduzem o espaço urbano, interagem com os moradores da cidade e deixam ver a diversidade étnica de seus moradores. Para tanto, o trabalho de campo com base em tonalidades etnográficas, envolve entrevistas semiestruturadas com atores sociais da cidade, mas se pauta, sobretudo, nas experiências vividas na cidade em companhia do artista. Nosso referencial teórico-metodológico se fundamenta na formulação de cidade comunicativa e polifônica, proposta por Lucrécia Ferrara e Canevacci, nos estudos de Foucault sobre saberes sujeitados e na definição de mural contemporâneo de Gitahy e sobre a abordagem antropológica do graffiti por Campos. Esta investigação identificou uma forma de etnomural, constituída como uma expressão pautada no cotidiano do odivelense, na poesia singular, no sentimento do morador às margens do rio Mojuim revelada em ritmos, sons e cultura popular, o olhar do mangue e da pesca, do brincar no cortejo Boi de Máscaras materializada nos muros da urbe.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Caetano de Odivelas
Macrorregião
Norte
Brasil
Habilitado
UF
Pará
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://sucupira-legado.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=9784472

O Grafite como discurso de (Re)Existência na Ladeira da Preguiça

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Reis, Isabela Assunção
Sexo
Mulher
Orientador
Teixeira, Maria da Conceição Reis
Ano de Publicação
2020
Local da Publicação
Salvador
Programa
Estudo de linguagens
Instituição
UNEB
Página Inicial
1
Página Final
93
Idioma
Português
Palavras chave
Análise de Discurso
Memória
Contradiscurso
Ladeira da Preguiça
Grafite
Resumo

Trata-se da Análise do Discurso de re(existência) na Ladeira da Preguiça sob a ótica da linha francesa, filiada á Teoria Pêcheutiana. Tomaram-se como operador de análise os conceitos de memória, sujeito discursivo e forma de silêncio, para investigar quais discursos são materializados pelos grafites elaborados para eventos políticos-culturais na localidade da Ladeira da Preguiça em Salvador/Ba. Fundada no século XVI, é a segunda ladeira da primeira capital do Brasil, atualmente classificada como uma das “cracolândias” da metrópole baiana, pelo grande número de dependentes químicos e/ou pessoas em situação de rua, um dos motivos para ser marginalizada e sofrer com o preconceito social. Um dos mecanismos encontrados pela comunidade, para alterar está realidade, foi através dos grafites, produzidos nas fachadas das casas e nas faixas que compõem as manifestações culturais promovidas pelos “preguiçosos”, com intuito de resgatar a cidadania e identidade local. Constitui-se assim, discursivamente como uma comunidade que emerge sentidos no espaço urbano. O grafite, linguagem que era repudiada pela organização da cidade - por revelar o que o discurso dominante por muito tempo tentou silenciar – faz retomar o sentido histórico através de seu interdiscurso e, hoje, é utilizado pelos moradores para romper o silêncio social e institucional ao qual são submetidos. Discutem-se os possíveis efeitos de sentidos gerados pelos grafites, destacando seu papel como linguagem, e sua importância como testemunho histórico e social, consequentemente, como operador da memória discursiva. Sua leitura forneceu elementos para uma análise contemporânea, que o concebeu como objeto simbólico, produtor de sentido, com características conceptuais e estéticas próprias, apontando questões sobre o contexto sócio-histórico-ideológico no qual foi produzido. Deste modo, o grafite contribui com a memória social como um contradiscurso, que rompe o silenciamento e a relação do público e do privado, de forma subversiva. Materializa-se como prática contra hegemônica, dos lugares de produções dos dizeres. Por conseguinte, o material aqui analisado apontou para as condições de produção, dos dizeres nele contidos, revelando a realidade social da comunidade da Ladeira da Preguiça, bem como a posição dos sujeitos dos dizeres, frente à problemática social na que estão submetidos.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Salvador
Bairro/Distrito
Ladeira da Preguiça
Macrorregião
Nordeste
Brasil
Habilitado
UF
Bahia
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://sucupira-legado.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=9365726

TRANSGRESSAO E SALVAGUARDA: Olhares sobre a pixação e as edificações históricas do Bairro de Jaraguá - Maceió/AL

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Lemos Pessoa, Eloisa
Sexo
Mulher
Orientador
De Oliveira Rodrigues, Rafael
Ano de Publicação
2020
Local da Publicação
Maceió
Programa
Antropologia
Instituição
UFAL
Página Inicial
1
Página Final
157
Idioma
Português
Palavras chave
Jaraguá
Pixação
Patrimônio Edificado
Maceió
Resumo

Esse trabalho consiste em um estudo voltado a pixação na cidade de Maceió, em especial aquelas encontradas no bairro histórico de Jaraguá. O bairro se configura como um dos primeiros núcleos de formação da cidade de Maceió e, portanto, apresenta elementos históricos institucionalmente preservados. Entretanto, como a maioria dos centros históricos brasileiros, Jaraguá está cercado por diversos conflitos que envolvem a forma como as edificações e monumentos são preservados, a escolha dos bens patrimonializados e um longo processo de segregação social e mercantilização do espaço. Em meio a esse cenário, as pixações são realizadas nos muros, portões e demais superfícies do bairro, à revelia do que o poder hegemônico considera ideal e agradável. Diante disso, surge o interesse em buscar compreender como a pixação se insere na paisagem de Jaraguá, em especial no entorno da Rua Sá e Albuquerque. Para tanto, fez-se necessário um levantamento da forma como o patrimônio cultural brasileiro foi construído e as leis que o regem e quais os bens patrimoniais do Estado e do Município, compreendendo o perfil do que é considerado patrimônio; uma análise física e da dinâmica de ocupação do recorte de estudo, atentando para a maneira como a sua paisagem foi sendo moldada ao longo dos anos; bem como uma contextualização sobre a pixação em Maceió, refletindo sobre algumas características do movimento local. Por fim, reflito sobre os contextos físicos, sociais e políticos que envolvem a pixação na paisagem do bairro de Jaraguá considerando seu potencial político, questionador, inclusivo e ressignificativo do espaço

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Maceió
Bairro/Distrito
Jaraguá
Macrorregião
Nordeste
Brasil
Habilitado
UF
Alagoas
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://sucupira-legado.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=9776804

Intervenções no bairro do Recife e no seu entorno: indagações sobre a sua legitimidade

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Lacerda, Norma
Sexo
Mulher
Código de Publicação (ISSN)
1980-5462
Título do periódico
Sociedade e Estado
Volume
22
Ano de Publicação
2007
Local da Publicação
Brasília
Página Inicial
621
Página Final
646
Idioma
Português
Palavras chave
Patrimônio histórico
Legitimidade espacial
Bairro do Recife
Resumo

O presente artigo tem como objetivos (i) mostrar como a experiência de revitalização do Bairro do Recife foi desvirtuada, aproximando-se da tendência de city marketing, entendida como a aceleração da taxa de transformação de certas localidades, com ênfase especulativa sobre imóveis e grandes obras de renomados arquitetos, com importantes repercussões em termos de trânsito de veículos e fluxos de pessoas, e (ii) questionar sobre a legitimidade de projetos que, embora institucionalmente aprovados, comprometem as características de determinadas estruturas espaciais urbanas, como é o caso dos centros históricos.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Zona
Centro
Cidade/Município
Recife
Bairro/Distrito
Bairro de Recife
Macrorregião
Nordeste
Brasil
Habilitado
UF
Pernambuco
Referência Temporal
1992 - 2005
Localização Eletrônica
https://periodicos.unb.br/index.php/sociedade/article/view/5367

The coloniality of infrastructure: Engineering, landscape and modernity in Recife

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Davies, Archie
Sexo
Homem
Código de Publicação (ISSN)
1472-3433
Título do periódico
Environment and Planning D: Society and Space
Volume
39
Ano de Publicação
2021
Local da Publicação
Londres
Página Inicial
740
Página Final
757
Idioma
Inglês
Palavras chave
Coloniality of infrastructure
coloniality of power
urban political ecology
infrastructure
Recife
Resumo

Geographical scholarship has, since the late 1990s, shown how infrastructure was central to the making of urban modernity and the metabolic transformation of socio-natures. Meanwhile, the work of Latin American scholars including Aníbal Quijano and Maria Lugones has focussed attention on the imbrications between modernity and coloniality, in particular through the international racial division of labour. Moving between these ideas, I argue that there is intellectual and political ground to be gained by specifically accounting for the coloniality of infrastructure, in both its material and epistemic dimensions. I ground the analysis in the history of Recife, Northeast of Brazil, analyzing the role of British engineering in the production of the city's landscape and infrastructure, and address the epistemic dimensions of the coloniality of infrastructural by exploring infrastructural spectacle in 1920s Recife. Finally, I explore how the coloniality of infrastructure directs our attention to race, labour and finance.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Recife
Macrorregião
Nordeste
Brasil
Habilitado
UF
Pernambuco
Referência Temporal
1920-1930
Localização Eletrônica
https://journals.sagepub.com/doi/full/10.1177/02637758211018706