Mobilidade espacial da população e urbanização dispersa: regionalização do cotidiano na aglomeração urbana de Piracicaba-SP
As diferentes formas de mobilidades (espacial, virtual e imaginária) se relacionam com processos de dispersão urbana em curso em diversos países. O dia a dia das pessoas acaba por transbordar os limites político-administrativos do município de residência e o cotidiano se regionaliza. O objetivo desta dissertação foi analisar a mobilidade espacial da população e a dispersão urbana, discutindo seu papel para a regionalização. O recorte geográfico de análise é a Aglomeração Urbana de Piracicaba. Localizada no interior paulista, a AUP conta com 23 municípios e foi institucionalizada pelo governo do Estado de São Paulo em 2012. A AUP foi discutida a partir da ideia de arte-fato, ou seja, um artifício analítico e um fato regional. Para análise de mobilidade foram utilizados dados secundários de pendularidade e migração dos Censos Demográficos de 2000 e 2010, por municípios. Métricas espaciais aplicadas à grade estatística foram utilizadas para a mensuração da distribuição da população em um período de urbanização dispersa, enquanto modo de vida e dispersão urbana, enquanto a forma das cidades. Elementos importantes constituintes dos fenômenos da dispersão urbana e da regionalização do cotidiano foram encontrados, tais como um aumento na pendularidade – a qual aumentou cerca de 250%. Tais fluxos apresentam uma lógica de agrupamento, sobretudo entre municípios próximos espacialmente. As métricas espaciais e de análise da paisagem utilizadas indicaram diferentes intensidades do processo de dispersão urbana nos municípios pertencentes à AUP, sobretudo as cidades de médio porte como Piracicaba, Limeira e Araras, tendo as rodovias um papel importante como vetor e produto da dispersão. O New Mobilities paradigm apresentou-se como um importante conjunto teórico para pensar a dispersão urbana como um modo de vida da sociedade contemporânea aliado às diferentes formas de mobilidade.