Serviços, espaços e padrões de consumo
PERTENCIMENTO CLUBÍSTICO E PERTENCIMENTO TORCEDOR: MATERIALIDADE E GÊNERO NUMA TORCIDA ORGANIZADA DE FUTEBOL
A proposta é atualizar o debate sobre torcidas organizadas, desdobrado em novas abordagens analíticas e etnográficas. A noção de pertencimento clubístico elucidou dinâmicas torcedoras valendo-se das classificações agonísticas fomentadas no e pelo sistema competitivo das rivalidades do futebol profissional masculino. Agora, tomamos o torcer de outro ponto de vista, como manifestação inerente às demandas mais internas e circunscritas aos próprios torcedores, e passamos a nomear esse deslocamento analítico de “pertencimento torcedor”. Pertencimento torcedor será exemplificado nas práticas materializadas de torcedores e torcedoras organizadas, expondo formas mais contemporâneas de segmentaridade da sociabilidade, como as implicações de gênero, debatidas aqui a partir de etnografias centradas nos Gaviões da Fiel, torcida organizada que também se projeta no Carnaval oficial da cidade de São Paulo. Essa atualização analítica auxilia investigar o movimento de estranhamento metodológico ao problematizar o termo “clubístico” como extensão da esfera masculina do jogar, ao mesmo tempo que possibilita difratar questões de gênero no interior do torcer, liberando outras formas de pertencimento atadas a genérica categoria masculinizante “torcedor”.
SERÁ QUE AINDA TEMOS “BRASILEIRAGEM”? UMA ANÁLISE DA REPRESENTAÇÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO NO DISCURSO PUBLICITÁRIO DA NIKE
O artigo tem como objeto o anúncio principal da campanha publicitária “Vai na Brasileiragem”, produzida pela marca Nike para a seleção brasileira masculina de futebol nas vésperas da Copa do Mundo de 2018. O objetivo da análise do material foi interpretar o conceito de “brasileiragem” proposto pela marca, buscando identificar as continuidades e descontinuidades com narrativas históricas sobre o futebol brasileiro em suas relações com a identidade nacional.
FUTEBOL DE MULHERES EM PERSPECTIVA GLOBAL: REPRESENTAÇÕES, INSTITUIÇÕES E PODER (1965-1973)
Este artigo tem como objetivo analisar a dinâmica do futebol praticado por mulheres entre 1965 e 1973 a partir de uma perspectiva global, tendo em vista a proibição explícita da modalidade no Brasil em 1965 e na URSS em 1973, além dos primeiros campeonatos mundiais realizados na Itália em 1970 e no México em 1971. O futebol de mulheres foi proibido no Brasil e na URSS tendo como aparato principal o discurso da medicina. No entanto, nesse mesmo período o esporte se desenvolveu significativamente na Europa. Além disso, a FIFA recomendou às federações que assumissem o comando do futebol feminino, com o intuito de se reafirmar enquanto entidade máxima do futebol mundial e não permitir seu uso mercadológico e empresarial. A ideia é compreender esses acontecimentos sob um ponto de vista global, levando em conta os contatos e as trocas culturais, tendo como principal base teórica as reflexões do historiador Sebastian Conrad.
SURF RANCH E AS PISCINAS DE ONDAS. O SURFE MODERNO TAMBÉM ESTÁ PASSANDO POR UM PROCESSO DE “ARENIZAÇÃO”?
O crescente lançamento de piscinas com novas tecnologias para a geração de ondas próprias para o surfe está movimentando o cenário do esporte. A possibilidade da realização de algumas etapas do circuito mundial e até mesmo das provas das Olimpíadas nestas piscinas, assim como a cobrança de ingressos para se assistir ao espetáculo esportivo e a utilização de tais instalações para atrair sócios e compradores para clubes, resorts e condomínios, trouxeram à tona questões como o processo de midiatização, mercantilização e uma possível “arenização” do surfe. Diante desta perspectiva, este artigo tem o objetivo de discorrer sobre tais questões a respeito do surgimento dessas piscinas no Brasil e no Mundo.
SURF RANCH E AS PISCINAS DE ONDAS. O SURFE MODERNO TAMBÉM ESTÁ PASSANDO POR UM PROCESSO DE “ARENIZAÇÃO”?
O crescente lançamento de piscinas com novas tecnologias para a geração de ondas próprias para o surfe está movimentando o cenário do esporte. A possibilidade da realização de algumas etapas do circuito mundial e até mesmo das provas das Olimpíadas nestas piscinas, assim como a cobrança de ingressos para se assistir ao espetáculo esportivo e a utilização de tais instalações para atrair sócios e compradores para clubes, resorts e condomínios, trouxeram à tona questões como o processo de midiatização, mercantilização e uma possível “arenização” do surfe. Diante desta perspectiva, este artigo tem o objetivo de discorrer sobre tais questões a respeito do surgimento dessas piscinas no Brasil e no Mundo.
Marombeiros e marombeiras em duas academias de ginástica cariocas: dores e usos do corpo sob a ótica das intersecções de gênero e de classe social
O objetivo desse trabalho foi apreender e analisar como aqueles que praticam exercícios físicos com muita intensidade e regularidade, conhecidos/as como “marombeiros/as”, concebem as dores e seus riscos. Sob a ótica teórico-metodológica do Interacionismo Simbólico da Escola de Chicago, foi realizada uma etnografia comparada em duas academias de ginástica inseridas em distintos contextos socioeconômicos e culturais da cidade do Rio de Janeiro entre os anos de 2012 e 2013. Foi possível compreender que as intersecções de gênero e de classe social influenciam peculiarmente nas múltiplas maneiras dos/as marombeiros/as de cultuar o corpo, o que contribui para (re)pensar as investigações sobre práticas esportivas entre (sub)grupos no campo da Antropologia.
Que estádio é esse? Em busca de uma taxonomia torcedora para o novo Maracanã
O presente artigo procura identificar e classificar os principais tipos de torcedores encontrados no Maracanã, após a observação, ao longo dos anos de 2015 e 2016, de cinquenta e uma partidas realizadas no estádio. Reinaugurado em 2013, após uma longa reforma/reconstrução, o mítico equipamento esportivo carioca ressurgiu com o seu interior completamente descaracterizado, concebido como uma arena para um público de maior poder aquisitivo, disposto a obedecer a rígidas normas de conduta. Em nome de um discurso de inclusão de grupos tradicionalmente excluídos do antigo estádio e partindo de uma associação equivocada entre comportamento do público e classe social, o filtro da exclusão passou de sociocultural para socioeconômico. Entretanto, a resistência empreendida por diferentes grupos de torcedores, fez com que o espaço concebido pelos atores hegemônicos não conseguisse se impor plenamente sobre o espaço vivido pelo público frequentador.
Vigiar e punir o torcedor: uma reflexão sobre as tecnologias disciplinares no contexto do futebol brasileiro e chileno
Este artigo contrapõe as medidas atuais de segurança para os espetáculos futebolísticos no Brasil e no Chile e analisa suas tecnologias disciplinares. Busca, com isso, contribuir para a compreensão das tensões, dos conflitos e das contradições presentes na regulação da violência no futebol sul-americano. Para tanto, recorre a duas técnicas de pesquisa: a revisão de literatura e a análise documental. As informações obtidas por meio dessas técnicas foram discutidas à luz do referencial teórico proposto por Michel Foucault. Entre outras coisas, o artigo conclui que, a despeito das diferenças entre os dois países, as medidas em questão buscam exercer um controle panóptico sobre os torcedores e docilizar seus corpos, tornando-os úteis economicamente e obedientes politicamente.
Estádios sem mito: cadeiras e esquizofrenia
Partindo de alguns relatos etnográficos ao longo de uma pesquisa realizada no cotidiano de torcidas organizadas de futebol, em especial da Torcida Young Flu do Rio de Janeiro e de um grupo de torcedores do Paris Saint-German em Paris, este artigo, baseando-se teoricamente em autores que fazem dialogar os campos da antropologia e da psicologia como Durand, Clastres e mesmo Freud e Jung, trata do embate fundamental entre a coletividade da torcida, com todos os sintomas ao mesmo tempo prazerosos e perigosos e sua aparente incompatibilidade aos projetos de Estádios destinados à Copa do Mundo de 2014 no Brasil e à EuroCopa 2016, cujas arquiteturas trazem, camuflada sob um “conforto do torcedor”, sob uma “visão completa de campo”, sob a “cadeira”, uma preferência pela cisão dessas subjetividades táteis em favor de uma objetividade da visão, ou seja, privilegiam um torcedor mais do tipo individual, um torcedor sem mito.