O papel da escola pública na construção de ações preventivas ao HIV/AIDS entre jovens da periferia de São Paulo
O presente trabalho tem como objetivo verificar o papel da escola pública na construção de ações preventivas aos HIV/AIDS entre jovens da periferia de São Paulo. Esta pesquisa tem caráter quanti-qualitativo e teve como objeto de estudo uma escola localizada na Zona Sul de São Paulo. Foram utilizados como procedimentos metodológicos, estudo de documentos oficiais da escola, aplicação de questionários com questões objetivas e abertas. A pesquisa revelou que a “orientação sexual” para os jovens e adolescentes é precária e direcionada somente a algumas turmas do Ensino Fundamental durante as aulas de Biologia, mediante projeto específico da Secretaria Estadual de Educação. A pesquisa revela que muitos jovens iniciam suas atividades sexuais durante o Ensino Fundamental sem nenhum cuidado com o uso de preservativos e que, tanto as famílias como a escola, ainda não estão livres do preconceito quando o assunto é sexo, o que dificulta a conscientização de jovens e adultos para a necessidade de conhecer métodos preventivos e a negociação do uso de preservativos durante as relações sexuais. Em conseqüência disso, os jovens passam a discutir questões sexuais com os parceiros e amigos, longe da oitiva da família e professores. De acordo com a pesquisa, os alunos estão disponíveis para falar sobre sexo, homossexualidade e métodos preventivos, porém, o preconceito ainda é muito grande em torno destes temas. A pesquisa diz que os adolescentes que fazem sexo sem os cuidados preventivos acabam sendo pais e mães muito jovens e destes, são poucos os que têm assistência familiar e escolar, o que facilita a evasão escolar. Na maioria das vezes, nem a família e nem a escola estão preparadas para falar sobre “orientação sexual”, por falta de formação adequada e por preconceito. Os Parâmetros Curriculares Nacionais garantem a possibilidade de um trabalho efetivo e interdisciplinar para o tema, mas, a pesquisa constatou um grau mínimo de envolvimento pedagógico com o tema, sugerindo a necessidade de um projeto efetivo de “orientação sexual” que envolva a família, a escola e a comunidade durante o Ensino Básico.