Serviços, espaços e padrões de consumo

Política das ruas e das redes: autoexposição e anonimato nas multidões de Junho de 2013

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Cruz, Marcia Maria Da
Sexo
Mulher
Orientador
Mendonca, Ricardo Fabrino
Ano de Publicação
2018
Programa
Ciência Política
Instituição
UFMG
Idioma
Português
Palavras chave
autoexposição
personalização
multidão
desidentificação
performatividade
Resumo

Os protestos de Junho de 2013 em São Paulo e Belo Horizonte são o foco desta tese. Parte-se da pergunta: como se constitui o comum em tempos de personalização das ações políticas, sobretudo em um contexto de forte articulação entre redes e ruas? Argumenta-se que o comum das ações coletivas contemporâneas depende de singularidades e é atravessado por dois fenômenos aparentemente antitéticos, mas efetivamente correlatos: autoexposição e anonimato. Os manifestantes ora se destacam na multidão, ora compõem o coletivo, destacando-se e fundindo-se simultaneamente. Para tratar desses fenômenos, a tese articula os conceitos de multidão (Hardt e Negri, 2015), desidentificação (Rancière, 1996) e performances (Butler 2014 [1990], 2016). O trabalho empírico estruturou-se em duas frentes. A primeira delas é composta por um conjunto de 50 entrevistas semi-estruturadas feitas junto a ativistas de Belo Horizonte e São Paulo, a partir da técnica de snow ball. A segunda frente debruçou-se sobre uma amostra de 306 posts publicados no Facebook pelo Movimento Passe Livre (MPL) e pelo Anonymous Brasil, além de comentários relativos a esses posts. A análise foi realizada a partir da identificação de marcadores de autoexposição e de anonimato, com vistas a explorar como tais fenômenos se articulam na configuração de protestos hodiernos e na tessitura de comuns que dependem de singularidade. Identificamos como marcadores de autoexposição: a profusão de relatos pessoais, a utilização de selfies, a ocupação corpórea e expressiva de espaços públicos (incluindo cartazes, cores e performances) e a viralização de conteúdos pessoais sob a forma de memes e correlatos. O anonimato desponta de forma evidente no uso de máscaras e lenços; em imagens multitudinárias; na ocupação de espaços públicos em que corpos se diluem (cores, mar de cartazes, jogral) e na natureza cifrada de alguns memes. Por meio de anonimato e autoexposição, os sujeitos se deslocam de identidades pré-estabelecidas, em um processo de desidentificação que permite a emersão de novos processos de subjetivação e de construção de comuns. Os resultados da análise indicam que afetos desempenham um papel fundamental na articulação entre os manifestantes, embora o estar nas ruas não se restrinja à sua dimensão passional. As imagens compartilhadas sugerem como a multidão se apresenta como corpo político, dando novas feições ao mar de diferenças que a constitui. Concluímos que os atos de Junho de 2013 permitiram a experimentação de novas formas de os sujeitos se organizarem coletivamente. Colocou-se em discussão o papel e o lugar da liderança, questionando-se a ideia de representação em vigor. A personalização da política passa por novas formas de agenciamento que refletem no campo da cultura e na maneira como as pessoas performam publicamente, na expressão da própria existência nas cidades. As narrativas que decorrem da experiência dos sujeitos, mais do que processo de autoentendimento, alimentam formas de ação.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Métodos mistos
Referência Espacial
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Minas Gerais
Referência Temporal
2013
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=6831944

Difusão do Plano Estadual de Segurança Pública de 2003 a 2014

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Amorim, Alice Shama
Sexo
Mulher
Orientador
Tarouco, Gabriela Da Silva
Ano de Publicação
2018
Programa
Ciência Política
Instituição
UFPE
Idioma
Português
Palavras chave
Ciência Política
Políticas Públicas
Difusão de Políticas Públicas
Segurança Pública
Resumo

Essa dissertação examina a adoção do Plano Estadual de Segurança Pública (PESP) no Brasil. A pergunta a que se pretende responder é: O que explica o tempo de adoção do PESP pelos estados? Por busca entender o porquê de unidades políticas adotarem novos programas, o arcabouço teórico do trabalho baseia-se no estudo de difusão de inovações. São mobilizados determinantes internos dos estados, que englobam suas características econômicas, sociais e políticas; e determinantes externos, que indicam a existência de difusão vertical e horizontal. Argumenta-se que dois determinantes têm maior peso para explicar o tempo de adoção da política pelos estados: a severidade do problema da violência e a influência horizontal de estados vizinhos que adotaram previamente o plano. Para testar os efeitos dos determinantes, analisa-se as adoções que ocorreram entre os anos de 2003 e 2014 através do Event History Analysis. A regressão linear com função link Log-log permite que essa análise seja feita com intervalos de tempo discreto. Os resultados confirmam as hipóteses levantadas.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Quantitativo
Referência Espacial
Brasil
Habilitado
Referência Temporal
2003-2014
Localização Eletrônica
https://sucupira-legado.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=7114499

O Conselho Municipal de Transporte e Trânsito de São Paulo (CMTT/SP): participação e mobilidade urbana

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Barbosa, Gisele Heloise
Sexo
Mulher
Orientador
Kerbauy, Maria Teresa Miceli
Ano de Publicação
2018
Programa
Ciência Política
Instituição
UFSCar
Idioma
Português
Palavras chave
institucionalização da participação
instituição participativa
democracia
mobilidade urbana
Resumo

Esta pesquisa visa analisar a relação entre a criação e desenvolvimento do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito e os Protestos de Junho de 2013. Diante da proximidade temporal dos Protestos com a criação do CMTT e da semelhança temática, analisamos a complexidade do entrelaçamento de processos de participação política, relacionando as causas e atores dos Protestos de Junho de 2013 à instituição participativa. Como base teórica utilizamos autores do neoinstitucionalismo, da teoria da democracia deliberativa e da teoria da democracia participativa, com a finalidade de compreender as definições de participação institucionalizada, participação extra-institucional, instituição participativa e institucionalização da participação. Também situamos os conceitos na realidade democrática brasileira, estabelecendo os vínculos entre a modalidade de protesto de rua e o desenvolvimento de um conselho gestor de políticas de mobilidade urbana. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e consiste num estudo de caso, delimitando como período de análise de 2013 a 2017, que abrangem o período dos Protestos e a criação e desenvolvimento do CMTT, até a troca de gestão da prefeitura. Para responder aos objetivos propostos analisamos os documentos CMTT, notícias que contextualizaram a atuação dos atores e a legislação relacionada ao transporte e mobilidade urbana. Também realizamos entrevistas semiestruturadas com os conselheiros e com membros de movimentos sociais e associações que abordam a questão da mobilidade, principalmente o Movimento Passe Livre, indagando sobre sua participação nos Protestos e no CMTT. A análise dos dados mostrou que o Conselho Municipal de Transporte e Trânsito realizou discussões importantes sobre mobilidade urbana, permitindo a representatividade de grupos que não teriam voz caso este espaço não existisse, principalmente para elaboração do Plano Municipal de Mobilidade. A saída pela via da institucionalização da participação, adotada pelo governo Haddad pela pressão das ruas em Junho de 2013, embora já houvesse a necessidade legal de criação do CMTT, mostrou-se fundamental para a defesa do próprio transporte público, pois há diversos interesses em conflito no que diz respeito à delimitação do espaço do transporte público coletivo. Apesar do Movimento Passe Livre ter recusado formalmente a participação no Conselho, alguns integrantes acompanham as discussões de forma indireta. Concluímos que houve uma relação muito complexa entre o Conselho e a ocorrência dos Protestos de Junho. Os temas, as lógicas de ação e repertórios discursivos das Manifestações apareceram em diversos momentos na trajetória do Conselho, evidenciando o entrelaçamento entre os dois processos participativos e comprovando a hipótese apresentada neste trabalho.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2013-2017
Localização Eletrônica
https://sucupira-legado.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=7421636

A alimentação e a culinária da imigração italiana

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Silva, Marilda Checcucci Gonçalves da
Sexo
Mulher
Título do periódico
Travessia - Revista do migrante
Volume
15
Ano de Publicação
2002
Local da Publicação
São Paulo
Página Inicial
29
Página Final
35
Idioma
Português
Palavras chave
alimentação
imigração italiana
habitus
identidade
Resumo

Neste artigo, apresento os resultados de uma pesquisa¹ que teve por objetivo estudar, com base no conceito de habitus¹, os impactos que a vinda de famílias camponesas imigrantes de origem italiana promoveram sobre a produção de alimentos e a culinária da região do Vale do Itajaí/SC.

Orientado por esse objetivo mais geral, foram abordados, de forma mais específica, os seguintes aspectos:

  • As tradições trazidas desde a região de origem, bem como as inovações introduzidas nas técnicas de plantio, nas espécies plantadas e na dieta alimentar dos colonos imigrantes, em consequência do novo meio físico e social;
  • A influência mútua, do ponto de vista da alimentação, dos diferentes grupos étnicos presentes na região;
  • Os aspectos simbólicos ligados ao ato alimentar, tomando como base seus rituais familiares e comunitários de comensalidade e partilha, suas relações de gênero, e a maneira como a culinária é utilizada enquanto um elemento de identidade.

Para atingir os objetivos pretendidos, foi realizada uma pesquisa de campo, recorrendo-se à etnografia e à história oral do grupo, através das lembranças retidas na memória das pessoas mais idosas das famílias.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Vale do Itajaí
Macrorregião
Sul
Brasil
Habilitado
UF
Santa Catarina
Referência Temporal
Século XIX - Século XX
Localização Eletrônica
https://revistatravessia.com.br/travessia/article/view/834

“Salud¡ sírvase compadre¡”: a comida e a bebida nos rituais bolivianos em São Paulo

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Silva, Sidney Antonio da
Sexo
Homem
Título do periódico
Travessia - Revista do migrante
Volume
15
Ano de Publicação
2002
Local da Publicação
São Paulo
Página Inicial
5
Página Final
10
Idioma
Português
Palavras chave
imigração boliviana
rituais alimentares
festas devocionais
identidade culturall
Resumo

O comportamento relativo à comida tem sido motivo de estranhamentos entre os vários grupos humanos, particularmente, entre os migrantes, pois a maneira como se come, o cheiro, o aspecto e o sabor dos alimentos denotam identidades, ou seja, a origem e o ethos sociocultural de um grupo.

No contexto migratório, os alimentos condensam, portanto, uma poderosa carga simbólica e passam a evocar os vários sentidos do pertencimento, seja em relação ao país de origem, cujos vínculos ficam fragilizados e, por isso, precisam ser continuamente realimentados através da comensalidade, bem como em relação ao país de destino, onde se procura remarcar as diferenças.

Os alimentos são também, nos mais variados contextos, fontes de interdições (jejum), permissões (refeição), restrições (abstinência) e doação ao sagrado (oferenda).

Nesta perspectiva, este trabalho propõe-se a traçar uma análise dos significados que a comida e a bebida passam a ter em alguns rituais recriados pelos bolivianos no âmbito das festas devocionais realizadas no espaço da Pastoral dos Migrantes, como é o caso do ritual dos “pasantes” (passagem dos encargos da festa), e outros dois, em âmbito mais privado, o ritual da Ch’alia (libação à Mãe Terra) e o do altar de todos os Santos, no dia de finados.

Iniciaremos, pois, nossa descrição etnográfica com os rituais realizados no âmbito do privado para depois ampliarmos para aquele de caráter mais público, numa tentativa de avaliarmos a importância da comensalidade, acionada em cada um deles.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
Anos 1990
Localização Eletrônica
https://revistatravessia.com.br/travessia/article/view/829

Flexibilidade e mobilidade nas agroindústrias de carne do oeste catarinense

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Espíndola, Carlos José
Sexo
Homem
Título do periódico
Travessia - Revista do migrante
Volume
16
Ano de Publicação
2003
Local da Publicação
São Paulo
Idioma
Português
Palavras chave
Flexibilização do trabalho
Reestruturação produtiva
Agroindústria
Resumo

As agroindústrias processa­doras de suínos e aves, originadas modestamente a partir de pequenos capitais locais, transformaram Santa Catarina em um dos maiores polos produtores de carne do mundo. Na suinocultura o estado “barriga-verde” respondeu, em 2001, por 665 mil toneladas produzidas e 210 mil exportadas (80% das exportações brasileiras). Na avicultura, o estado abateu em 2001 cerca de 642,9 milhões de aves (2º colocado no ranking nacional) e liderou as exportações com 479,4 mil toneladas, ou seja, 38,4% do total de frango exportado pelo Brasil (ICEPA, 2002). Esse dinamismo foi resultado de estratégias operacionais que combinavam flexibilização nas relações de trabalho, mobilidade social (referente aos movimentos de indivíduos de uma camada para outra na hierarquia social, implicando em mudança de ocupação e status), rotas de investimentos, reconversão produtiva, integração vertical, etc.

Disciplina
Referência Espacial
Zona
Oeste
Macrorregião
Sul
Brasil
Habilitado
UF
Santa Catarina
Referência Temporal
Segunda metade do século XX
Localização Eletrônica
https://revistatravessia.com.br/travessia/article/view/805

Migração rural-urbana e política agrícola

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Monteiro, Manoel Antonio de Almeida
Sexo
Homem
Título do periódico
Travessia - Revista do migrante
Volume
17
Ano de Publicação
2004
Local da Publicação
São Paulo
Idioma
Português
Palavras chave
Desenvolvimento urbano
Urbanização
Migração rural-urbana
Resumo

No caso da Divisão Regional Agrícola de Ribeirão Preto, região considerada como das mais desenvolvidas do Estado mais desenvolvido da Federação, portanto uma das áreas favorecidas ou de concentração de recursos, verifica-se que seu desenvolvimento vincula-se à agricultura voltada para a agroindústria e a exportação, em que, progressivamente, maiores proporções das terras cultiváveis são exploradas com produtos a elas destinados, favorecendo-se o aumento do número de grandes propriedades e reduzindo-se o número de trabalhadores permanentes e residentes nas unidades de produção, de um lado pelas próprias características dos produtos, e de outro pelo elevado nível de tecnologia empregado em tais culturas . A extensão desse tipo de agricultura às médias e mesmo pequenas unidades de produção (médios e pequenos fornecedores de cana por exemplo) reduz acentuadamente a produção de alimentos e de outros produtos para os quais exige-se grande quantidade de mão-de-obra. Configura-se assim com o determinante da migração rural- urbana, um tipo de produção que requer pouca mão-de-obra ou que a exige apenas sazonalmente, e que favorece o crescimento das grandes unidades de produção agrícola. Colocam-se assim aos pequenos produtores de alimentos, dispersos em meio às grandes áreas de canaviais ou laranjais e que enfrentam progressivamente maiores dificuldades para sua manutenção na atividade, duas alternativas: sua integração ao modelo agroindustrial e exportador ou o desaparecimento, seja numa primeira fase, pelo arrendamento de suas terras para essas atividades, seja afinal, cedo ou tarde, pela venda de sua propriedade.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Ribeirão Preto
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://revistatravessia.com.br/travessia/article/view/708

Precisa-se Bolivianos na indústria de confecções em São Paulo

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Silva, Carlos Freire da
Sexo
Homem
Título do periódico
Travessia - Revista do Migrante
Volume
22
Ano de Publicação
2009
Local da Publicação
São Paulo
Idioma
Português
Palavras chave
Confecção
Bolivianos
Indústria têxtil
Resumo

Este texto discute a situação de trabalho dos bolivianos na indústria de confecções em São Paulo. Procura-se analisar como as mudanças que ocorreram neste setor de atividades colaboraram para que este fluxo migratório assumisse as dimensões e as características que tem hoje. No final dos anos 80 e, principalmente, no decorrer dos anos 90, a produção de vestuário na cidade passou por um processo de transformação profunda, com a intensificação das terceirizações na gestão de mão-de-obra. O número de empregos formais neste setor diminuiu drasticamente, passando de 180 mil em 1988 para apenas 80 mil em 2000, ou seja, menos da metade (Pochmann, 2004). Estes números não refletem uma perda de dinamismo do setor, ou uma suposta saída em massa destas empresas da cidade, e nem mesmo algum tipo de implemento tecnológico poupador de mão-de-obra. Neste período, a participação deste setor na economia da cidade aumentou e ganhou destaque pelo seu desempenho (Kontic, 2007). Ao mesmo tempo, se difundiam pela periferia da cidade, em algumas partes específicas da zona leste e norte, oficinas de costura subcontratadas que prestam serviços terceirizados às empresas confeccionistas do Brás e do Bom Retiro, fazendo aumentar o peso de trabalho informal.[...]

 
Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
Anos 2000
Localização Eletrônica
https://revistatravessia.com.br/travessia/article/view/267

Prazeres pentecostais: negociando intimidades e artigos eróticos no Capão Redondo e Jardim Ângela

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Ramos, Maisa Cardozo Fidalgo
Sexo
Mulher
Orientador
Gregori, Maria Filomena
Ano de Publicação
2017
Local da Publicação
Campinas
Programa
Antropologia Social
Instituição
UNICAMP
Idioma
Português
Palavras chave
Mercado Erótico
Gênero
Sexualidade
Pentecostalismos
Periferia
Resumo

A partir de etnografia em lojas de lingerie que revendem cosméticos e acessórios eróticos na periferia de São Paulo, essa pesquisa buscou identificar relações e discursos que cooperam a venda e consumo de bens eróticos e coproduzem significados de gênero e sexualidade. Nesse contexto, as religiosidades pentecostais, cuja presença é marcante na região, foram intensamente mobilizadas como importantes operadoras de significados para as práticas sugeridas e realizadas pelos artigos eróticos. Nas prescrições evangélicas as fronteiras entre o pecado e a pureza são estriadas, agenciadas e negociadas para categorizar bolinhas explosivas, géis para massagem, próteses entre outros. Inseridos em fluxos mais amplos de capital e informações, os interlocutores do Capão Redondo e do Jardim Ângela capilarizam um movimento maior gestado por empresários do ramo e pastores engajados na articulação entre os sentidos do mercado erótico e a preservação do casamento, central nas propostas evangélicas e já reforçado nos movimentos de feminização e segmentação da venda de artigos eróticos. Inspirados pela bíblia, tanto os interlocutores dos bairros quanto do mercado mais abrangente gestam e divulgam através e com os artigos semânticas de gênero, sexualidade, conjugalidade e religiosidade em negociações de possibilidades que transitam entre o sugestivo e o normativo, o prazer e o pecado. Nessa pesquisa as religiosidades pentecostais marcaram as práticas e narrativas, configurando e borrando fronteiras e revelando os feixes de relações que os sujeitos estabelecem tanto com os artigos

Disciplina
Referência Espacial
Zona
Zona Sul
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Jardim Ângela
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Zona
Zona Sul
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Capão Redondo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2014-2017
Localização Eletrônica
https://repositorio.unicamp.br/acervo/detalhe/986222

"Um sonho não tem preço": uma etnografia do mercado de casamentos no Brasil

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Pinho, Erika Bezerra de Meneses
Sexo
Mulher
Orientador
Oliven, Ruben George
Ano de Publicação
2017
Local da Publicação
Porto Alegre
Programa
Antropologia
Instituição
UFRGS
Idioma
Português
Palavras chave
Mercado de casamentos no Brasil
Antropologia Econômica
Etnografia de Mercados
Conjugalidades
Resumo

Desde a década de 1970, o número de casamentos no Brasil vem diminuindo significativamente. Novos arranjos familiares e formas de viver a conjugalidade ganharam espaço. A importância de ritualizações foi colocada em xeque por muitos casais que rejeitavam a ideia de formalizar suas uniões. O início do século XXI, no entanto, marca um renovado interesse dos casais em marcar a transição para o casamento com eventos cada vez mais elaborados, em uma tendência que já foi chamada de a "revanche do ritual" (Segalen, 2003). Em 2016, o investimento dos casais brasileiros em festas de casamentos rendeu cerca de 16 bilhões de reais (o equivalente a aproximadamente 5 bilhões de dólares) em ganhos para o setor de eventos, segundo o instituto de pesquisas data popular. Acompanhando o crescimento desse mercado desde 2011, o instituto vem registrando uma tendência de crescimento, mesmo em meio à crise econômica pela qual passa o país. O quadro é de um crescente interesse por complexos eventos de casamento, performados por homens e mulheres pertencentes a camadas medias urbanas. A partir de dados demográficos do instituto brasileiro de geografia e estatística (IBGE), sabe-se que, nas últimas décadas, as pessoas casam-se menos. Por outro lado, a etnografia aqui apresentada permite afirmar que, quando decidem casar-se, sujeitos de camadas medias da população brasileira optam por marcar essa passagem com eventos cuja preparação exige um grande investimento de tempo e recursos financeiros. Nesta tese, apresento análises sobre este fenômeno, com base na etnografia que realizei entre os anos de 2013 e 2016, junto a sujeitos que protagonizam a organização de tais eventos. Trata-se de mulheres pertencentes a camadas médias urbanas, com formação superior e financeiramente independentes. Em vários dos casos observados, tais mulheres assumem a totalidade ou a maior parte dos gastos com o evento. A etnografia aqui apresentada se desdobrou em entrevistas em profundidade realizadas com noivas, acompanhamento de organizadoras de casamentos, observação participante em feiras do setor nas cidades de Fortaleza, Porto Alegre e São Paulo, participação em grupos virtuais de noivas e entrevistas com agentes deste mercado. Como resultado, destaco a compreensão de que os ritos contemporâneos aqui descritos nada tem de tradicionais no modo como são performatizados, mas representam novas formas de demarcar uma passagem cujos significados estão em transformação. Com os grandes eventos, os sujeitos procuram produzir lastro simbólico para suas uniões, em um momento no qual as relações são percebidas como cada vez mais voláteis. Além disso, esta tese apresenta reflexões sobre a invisibilidade dos ofícios que envolvem o cuidado, aqui representados na figura das cerimonialistas. Essas e outras questões são discutidas ao longo dos capítulos que compõem esta pesquisa sobre os ritos contemporâneos de casamento no brasil e o mercado a eles dedicados.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Fortaleza
Macrorregião
Nordeste
Brasil
Habilitado
UF
Ceará
Cidade/Município
Porto Alegre
Macrorregião
Sul
Brasil
Habilitado
UF
Rio Grande do Sul
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2013-2016
Localização Eletrônica
https://lume.ufrgs.br/handle/10183/157909