As relações socioculturais no Mercado Municipal de São Paulo - produção de tradições na formação e no reconhecimento de grupos culturais a partir da alimentação
Esta pesquisa analisa o universo da compra e do consumo de alimentos no Mercado Municipal de São Paulo, tendo em vista as transformações socioculturais que interferem na escolha dos produtos e remetem a representações simbólicas envolvidas nesse ato. Foram utilizados como arsenal teórico os conceitos de processo civilizador (Elias, 1994) e de invenção das tradições (Hobsbawm, 1997) para compreender as trajetórias de vida de 11 permissionários do Mercado. Por meio da análise qualitativa das entrevistas realizadas, bem como das reflexões geradas a partir do diário de campo, com registro de observações e conversas estabelecidas com funcionários, turistas e consumidores, debateram-se os significados atribuídos às práticas de comércio. O Mercado paulistano foi classificado em três principais espaços – tradicional, popular e moderno – a fim de analisar de que maneira é praticada a venda de produtos alimentícios e de que maneira são interpretados esses espaços pelos que os frequentam. Há percepção não só das transformações de gostos e de preferências por determinados alimentos, mas também de mudanças comerciais que refletem as transformações sociais, culturais e econômicas da cidade, do país e do mundo, em que as dicotomias – novo e velho, indivíduo e sociedade, natureza e cultura – coexistem e se complementam no cotidiano das pessoas que compõem o cenário do Mercadão.