Parques Públicos Urbanos na Metrópole Paulista: concepção e uso na produção do espaço urbano
Neste trabalho objetivamos analisar o processo de criação, os usos e significados de alguns parques públicos urbanos da metrópole paulistana. Para tanto, utilizamos a segregação espacial e a dialética do público-privado como categorias de análise a partir das quais buscamos analisar e compreender os parques públicos na produção do espaço urbano. Estabelecemos critérios para selecionar alguns parques para estudos de caso: origem das terras (incorporadas à municipalidade no processo de abertura de loteamento); entorno do parque (caracterizado pela segregação espacial); relação do parque com o entorno (parques destinados preferencialmente à população local); zona do município de São Paulo (ao menos um parque para cada zona). Com base nestes critérios selecionamos os seguintes parques: Parque Burle Marx (no Panamby), Parque Santo Dias (no Capão Redondo), Parque Santa Amélia (no Itaim Paulista), Parque Luís Carlos Prestes (no Butantã) e Parque Jardim Felicidade (em Pirituba). Ainda que tenhamos encontrado aspectos em comum entre os parques estudados, os quais revelam os conteúdos universais do processo de urbanização, deparamo-nos particularidades e especificidades em cada caso, segundo a diferenciação sócio-espacial dos lugares onde estão inseridos, bem como pelas distintas formas de apropriação destes espaços pelos respectivos públicos que os usam. Os parques urbanos estudados caracterizam-se por serem públicos e segregados. Assim, revelam os conflitos e contradições do modo de produção capitalista da cidade, os quais podem ser observados no processo de segregação espacial implicando na apropriação diferencial da cidade para a reprodução da vida.