Modo de vida, imaginário social e cotidiano

Representações docentes sobre gênero e sexualidade no ensino médio

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Carvalho, Ana Carla Novaes de
Sexo
Mulher
Orientador
Fernandes, Luis Antonio Bitante
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
Mato Grosso
Programa
Sociologia
Instituição
UFMT
Idioma
Português
Palavras chave
Representações sociais
Docentes do ensino médio
Gênero
Sexualidade
Educação
Resumo
A investigação que deu origem a este estudo teve como base o seguinte problema: quais as representações das(os) docentes que atuam no ensino médio sobre as questões de gênero e sexualidade? Sendo assim, o trabalho teve, por objetivo principal, identificar as representações sociais de docentes, do ensino médio, de diversas escolas da rede pública e particular de ensino, das cidades de Cuiabá e Várzea Grande, em Mato Grosso acerca dessas temáticas. Entre os objetivos específicos, buscou-se compreender a natureza das respectivas representações, seus processos de formação e suas implicações no âmbito da atuação docente e da formação educacional. A fundamentação teórica se estruturou com base na Teoria das Representações Sociais – TRS, a partir dos estudos realizados por Moscovici (2003), Jodelet (2001), Jovchelovitch (2008), entre outras(os), além das teorizações do campo de estudos de Gênero e da Teoria Queer, a partir de Butler (2003), Louro (2016), Miskolci (2016), entre outras(os). O levantamento dos dados se deu a partir da realização de entrevistas com vinte docentes de diversas áreas. Na primeira etapa foram entrevistadas(os) individualmente dez professoras(os). Na segunda etapa foram realizados dois grupos focais, o primeiro deles contou com seis participantes e o segundo com quatro. O tratamento dos dados se pautou na análise de conteúdo proposta por Bardin (2006) e na abordagem compreensiva das formas representacionais presentes no discurso das(os) participantes. Os resultados demonstram que, em sua maioria, as(os) docentes se mostram favoráveis à abordagem das questões de gênero e sexualidade na escola, no entanto, as representações identificadas evidenciam certa estranheza e dificuldade em definir claramente os conceitos abordados. Algumas(uns) entrevistadas(os) demonstraram insegurança quanto ao domínio do assunto, bem como relativa preocupação quanto aos estigmas sociais relacionados a ele. Contudo, também expressaram o entendimento frequente de que as abordagens acerca das questões de gênero e sexualidade são relevantes para uma formação educacional mais ampla.
Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Cuiabá
Várzea Grande
Macrorregião
Centro-Oeste
Brasil
Habilitado
UF
Mato Grosso
Referência Temporal
2017-2018
Localização Eletrônica
https://ri.ufmt.br/handle/1/2651

Inclusão das tecnologias da informação e comunicação nas atividades didáticas de professores do ensino médio em Cuiabá-MT

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Renck, Marlene
Sexo
Mulher
Orientador
Covezzi, Marinete
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
Mato Grosso
Programa
Sociologia
Instituição
UFMT
Idioma
Português
Palavras chave
Tecnologia da informação e comunicação
Trabalho Docente
Formação inicial e continuada para o uso das tecnologias da informação e comunicação
Resumo
Este estudo teve como objetivo geral analisar a inserção das TIC nas atividades didáticas dos professores das duas escolas de ensino médio da cidade de Cuiabá-MT, se constituindo como objeto desta pesquisa. E tem como objetivos específicos: compreender se a formação inicial e continuada dos professores contempla o uso das TIC; - identificar o processo de introdução nas atividades didáticas dos professores; - conhecer as formas de utilização das TIC e a infraestrutura das escolas para uso das TIC. Para isso, desenvolvemos o seguinte problema de pesquisa: Como ocorre a inserção das TIC no trabalho dos professores do ensino médio de duas escolas públicas estaduais de Cuiabá/MT? A fundamentação teórica que norteou os estudos pautou-se em autores que abordam teorias relativas a formação inicial e continuada e formação para o uso das TIC: Nóvoa (1999), Tardif (2014) Tardif, Lessard (2014). Garcia (1999), Mizukami (2002), Candau (1997), e Imbérnon (2001), Peixoto (2016), Bacich (2015), Sancho (1998), Frozi (2012), entre outros. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, que teve como instrumento de coleta de dados a observação das escolas, diário de campo e um questionário composto por 28 questões, sendo 15 (quinze) fechadas e 13 (treze) abertas, as quais foram respondidas por 50 (cinquenta) professores. As questões fechadas tiveram como objetivo obter informações sobre o perfil dos sujeitos da pesquisa (sexo, renda; informações sobre o trabalho docente, rede de ensino, contratos, jornada e tempo de trabalho e formação inicial e continuada). E as questões abertas versaram sobre a inclusão de TIC no processo educativo, a formação dos professores para uso dessas tecnologias, a infraestrutura das escolas, além de percepções quanto aos resultados obtidos com a utilização das TIC no processo de ensino-aprendizagem. O material de pesquisa foi tratado com base na Análise de Conteúdo, proposta por Bardin (2004, 2006) e contribuiu na sistematização dos dados, que foram agrupados por categorias: inclusão das TIC, formação dos professores para uso das TIC, infraestrutura das escolas para uso das TIC e avaliação docente sobre o uso das TIC. Os resultados apontam que nas duas escolas 48, dos 50 professores pesquisados, utilizam as TIC nas atividades didáticas e em atividades complementares. Uma parcela possui formação específica para esse uso (17), indicando que essa formação é realizada em cursos de formação continuada (7), em cursos de escolas de informática (4) e os demais em cursos que encontram nos sites que tratam do tema. Os professores também afirmam que existe infraestrutura na escola para uso das TIC, entretanto, todos demonstram que não são adequadas e/ou são insuficientes para o uso de todos os professores e alunos das duas escolas. Há interesse dos professores na inclusão dessas tecnologias e de atualização no seu uso, porém o uso dessas tecnologias ocorre, na maior parte das vezes, como substituição aos recursos tradicionais, portanto, esse uso não se apresenta como processo de mediação inovador.
Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Cuiabá
Macrorregião
Centro-Oeste
Brasil
Habilitado
UF
Mato Grosso
Referência Temporal
2017-2018
Localização Eletrônica
https://ri.ufmt.br/handle/1/3136?mode=full

Haitianos em Cuiabá: Um estudo sobre as experiências migratórias

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Silva, Daniela Fernandes da
Sexo
Mulher
Orientador
Covezzi, Marinete
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
Mato Grosso
Programa
Sociologia
Instituição
UFMT
Idioma
Português
Palavras chave
Migrações Internacionais
Experiências sociais
Viagem Haiti-Cuibá
Resumo

 

Esta dissertação é o resultado de uma pesquisa realizada sobre a migração haitiana para o Brasil, particularmente sobre um grupo de haitianos que se instalou na cidade de Cuiabá, no estado de Mato Grosso. A pesquisa partiu do seguinte problema: Como esse grupo de haitianos percebe a experiência migratória nos locais de moradia, trabalho, educação e de convivência comunitária em Cuiabá? E teve como objetivo geral compreender as experiências migratórias haitianas por meio do estudo das motivações e percepções dos migrantes; e como objetivos específicos: levantar o perfil dos sujeitos migrantes; entender as motivações que os levaram a migrar; identificar as estratégias de deslocamento; e conhecer as formas de inserção no mercado de trabalho local e a participação em atividades escolares, religiosas e culturais. Optamos por uma metodologia qualitativa, e os dados de campo foram obtidos por meio de observação direta, aplicação de questionários e entrevistas. A pesquisa de campo foi realizada em bairros da região Leste da capital, onde vive a maior parte desses migrantes. Foram aplicados cinquenta (50) questionários com migrantes haitianos estudantes do curso de língua portuguesa para estrangeiros do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso campus Cuiabá-Bela Vista; e realizadas nove (09) entrevistas com haitianos moradores dos bairros da região Leste de Cuiabá. A fundamentação teórica teve como base as explicações sociológicas de diversos autores, entre eles Bourdieu (1989; 2011), com destaque para os conceitos de habitus, campo e espaço social; em Dubet (1994) o conceito de experiência para explicar as lógicas do processo migratório; o Estado-nação com as explicações de Bourdieu (2014); a migração como fato social total de Sayad (1998); o conceito de transnacionalismo de Sassen (2010) e Mitchell (2003); e o conceito de campo migratório em Schaeffer (2009) e Baeninger (2013), ressalvando que outros autores também deram suporte teórico. Os resultados da pesquisa demonstram que a migração internacional realizada pelos haitianos se constitui em uma prática de organização da viagem para o estrangeiro segundo os interesses, os motivos e a situação do grupo social do qual faz parte o migrante. A experiência migratória haitiana é resultante de uma condição social de instabilidade no país de origem, e da percepção do espaço estrangeiro como lugar de reprodução social. Para que as experiências migratórias sejam possíveis, os agentes se apoiam em uma rede migratória, criada a partir de vínculos familiares e de amizade, resultando em apoios e relações na origem-trânsito-destino. Essa rede se constitui em uma estrutura espaço temporal receptiva da dinâmica da viagem haitiana. Observa-se que o campo migratório é operacionalizado por diferentes lógicas e o migrante busca a inserção no mercado de trabalho, luta pela conservação e reconhecimento de seu pertencimento à sociedade haitiana, entretanto, a lógica da subjetivação, que conduz esses sujeitos migrantes, não se reduz nem a integração e nem a estratégia, possibilita a experiência migratória como aprendizado, formação do sujeito e criação da comunidade migratória.
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Cuiabá
Macrorregião
Centro-Oeste
Brasil
Habilitado
UF
Mato Grosso
País estrangeiro
Haiti
Referência Temporal
2017-2018
Localização Eletrônica
https://ri.ufmt.br/handle/1/2962

A rede social DRS do Banco do Brasil: os laços que sustentam a estratégia negocial DRS

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Lohmann, Renato Alfredo
Sexo
Homem
Orientador
Paese, Joel
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
Mato Grosso
Programa
Sociologia
Instituição
UFMT
Idioma
Português
Palavras chave
Rede social
Laços Fortes e laços fracos
Sustentabilidade
Análise de redes sociais
Resumo
O objetivo desta dissertação é entender como transcorreu o processo de criação e implementação da estratégia negocial de Desenvolvimento Regional Sustentável do Banco do Brasil no seio de uma comunidade que foi assistida por essa estratégia. A partir das teorias do Ator-Rede (Callon, Latour e Law, principalmente) e da teoria da Força dos Laços Fracos (Granovetter) buscamos explicar a criação da rede social DRS e como se constituíram os laços sociais entre os atores que constituíram a rede e foram os responsáveis pelo êxito da mesma junto a Comunidade do Imbê, município de Poconé – MT. A formação dos vínculos sociais, tendo como alicerce os aspectos: tempo de relacionamento, intensidade emocional, confiança mútua e reciprocidade foram suficientes para criar laços fortes? E os laços fracos, qual sua importância para a rede? Os conflitos, sempre presentes nas relações sociais, tiveram impacto nos vínculos sociais entre os atores da rede social DRS e “quebraram” alguns desses vínculos? São respostas que buscamos responder ao longo da pesquisa, mas que ao final nos mostrou um desfecho não previsto inicialmente, a respeito da teoria da força dos laços fracos e sua linearidade. Baseado no estudo de uma rede social DRS com comprovado êxito buscamos esse entendimento sobre o processo de criação e implementação de uma rede social baseada nos princípios apresentados pela estratégia negocial DRS do BB que trás no seu cerne a questão da sustentabilidade, onde o sucesso de um empreendimento deve atender as questões econômicas, sociais, ambientais e culturais, em outras palavras, deve ser economicamente viável, socialmente justo, ambientalmente correto e respeitando a diversidade cultural. Descobrimos que o ator central da rede, papel esse que se supunha inicialmente, ser exercido pelo BB, não se consolidou. Da mesma forma verificamos que a rede social DRS do Imbê foi criada com laços fortes e que os conflitos não conseguiram mudar essa dinâmica. Mas a nosso ver, o grande ponto deste estudo foi uma descoberta sobre o aspecto “tempo de relacionamento” tido como fundamental na teoria de Granovetter e que percebemos não ser um elemento indispensável para a determinação da força de um vínculo social.
Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
Poconé
Macrorregião
Centro-Oeste
Brasil
Habilitado
UF
Mato Grosso
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://ri.ufmt.br/handle/1/3538

Moda e identidade social: um estudo de caso da favela de Paraisópolis em São Paulo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Nunes, Carolina Wolff
Sexo
Mulher
Orientador
Borin, Marisa do Espírito Santo
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Ciências Sociais
Instituição
PUC/SP
Idioma
Português
Palavras chave
Moda
Identidade
Consumo
Resumo

Esse trabalho tem como objetivo analisar a moda enquanto identidade do sujeito que a usa e sua relação com o espaço em que está inserido. Para realização deste objetivo foi feita uma pesquisa sobre os hábitos de consumo de moda na periferia da cidade de São Paulo, com foco na favela de Paraisópolis, através de seus moradores, de suas lojas de moda e do projeto "Periferia Inventando Moda" - PIM, localizado no interior desta comunidade. O projeto PIM usa a lógica da moda como um fator de inclusão social, aliado à capacitação profissional. A partir do vestuário e dos espaços que a moda ocupa na vida social, pelo olhar do consumo e das lojas de moda encontradas em Paraisópolis, procura-se identificar elementos constitutivos da cultura, da identidade e da representação social das pessoas que lá vivem. Parte-se da premissa de que a moda é parte importante na construção identitária das pessoas. A metodologia utilizada se apoiou em abordagem qualitativa, especialmente em entrevistas semiestruturadas, com lojistas, moradores, com os dois líderes do referido projeto e seus alunos, assim como, em observação participante, durante os eventos de moda realizados em Paraisópolis pelo PIM.

Referência Espacial
Zona
Zona Sul
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Paraisópolis
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
Década de 2010
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoconclusao/viewtrabalhoconclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=8020942

Metroshopping: uma etnografia sobre os ambulantes do metrô do Recife

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Ribeiro, Rafael Soares
Sexo
Homem
Orientador
Fontes, Breno Augusto Souto Maior
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
Recife
Programa
Sociologia
Instituição
UFPE
Página Inicial
10
Página Final
125
Idioma
Português
Palavras chave
Informalidade
Organização
Sociabilidades
Resumo

A cada dia, o comércio informal cresce exponencialmente, configurando-se como uma válvula de escape e uma saída de emergência para centenas de pessoas desempregadas, ou para aquelas que não se enquadram com as exigências do mercado formal e para outras que optam por uma via de empreendedorismo. Recentemente, os complexos metroviários se tornaram um espaço frutífero para esses trabalhadores. Esta forma de comércio varia de quiosques montados próximos das plataformas até vendedores ambulantes que percorrem a extensão do transporte e das plataformas vendendo suas mercadorias. São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Recife retratam os diferentes tipos de comércio dentro das estações de metrô. Tendo em vista este cenário, o objetivo dessa pesquisa foi observar, descrever, analisar e interpretar os arranjos e a estrutura social construída pelos ambulantes que atuam no sistema metroviário do Recife. Além das ações guiadas pela imersão do ambulante na estrutura, procurou-se ressaltar as atuações, as performances e suas estratégias nas ações econômicas desses ambulantes. Descrevi em relação à organização os posicionamentos dos ambulantes na rede social criada por eles, categorizando-os em fixos, semifixos, ambulantes e siris. Nestas posições destacam-se a função de cada um em relação às formas de agrupamento, as normas estabelecidas, as estratégias de venda e de segurança, as performances e, para alguns, os circuitos de venda. Por fim, descobri que os alicerces fundamentais para a existência de uma rede de ambulantes são os processos que envolvem as sociabilidades e o dom.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Recife
Macrorregião
Nordeste
Brasil
Habilitado
UF
Pernambuco
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/43028

Metamorfoseando o “nóia”: formas de poder-saber, controle e sujeição em torno da figura do “usuário de crack” em São Paulo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Santos, Ednan Silva
Sexo
Homem
Orientador
Teixeira, Alessandra
Ano de Publicação
2019
Programa
Ciências humanas e sociais
Instituição
UFABC
Idioma
Português
Palavras chave
Crack
Nóia
Rap
História Oral
Narrativa
Resumo

A presente pesquisa tem como objetivo discorrer sobre o “Nóia” como uma categoria discursiva e sobre os laços que circundam esse discurso. Esses discursos de poder/verdade carregam um conhecimento que legitima toda uma ordem de violência sobre esses corpos. Procura-se entender como essa corporalidade se desenvolveu na cidade de São Paulo e os impactos do aparecimento do crack no final da década de 1980 e início dos anos 90 a partir da história de vida de quatro sujeitos.

Parte-se da seguinte noção: a construção narrativa que envolve o “Nóia” é sociológica, histórica, fruto de metamorfoses de discursos e práticas. Portanto, não está alheia às lógicas globais de controle e dominação sobre populações assujeitadas. Ainda se apresentam outros discursos que cooperam com essa produção discursiva, como o tráfico, o rap e a imprensa.

A partir de entrevistas, letras de rap, imprensa, observação e relatos etnográficos, recursos de história oral e memória coletiva, buscou-se entender quais as inflexões e metamorfoses ocorridas nas periferias da cidade de São Paulo nesse período e como resultaram na emergência do “Nóia”. Estes discursos fazem do corpo do “Nóia” um corpo em disputa permanente.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=7748278

A construção da cultura funk no Brasil e a criminalização da questão social

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Costa, Luana Kelsen Ferreira
Sexo
Mulher
Orientador
Lima, Angela Maria de Sousa
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
Londrina
Programa
Sociologia
Instituição
UEL
Idioma
Português
Palavras chave
Cultura Funk
Mídia
Desvio social
Seletividade arbitrária
Questão social
Resumo

A presente pesquisa pretende elucidar, sociologicamente, a trajetória da cultura funk no brasil a partir dos anos 1980 e 1990, concomitantemente com sua demonização por parte da mídia nacional até os dias atuais. Inspirado no hip-hop norte-americano, o funk compartilha de inúmeros elementos comuns às culturas periféricas e marginalizadas, os quais incitam acalorados debates sobre um molde aceitável de cultura por um meio social condicionante e, por vezes, conservador. Portanto, ao longo do trabalho aponta-se como a aversão por essas culturas são na verdade um posicionamento hostil ao perfil de seus sujeitos, ou seja, indivíduos pobres, de maioria negra e moradores de regiões periféricas, demonstrando a partir disso como a mídia e determinados segmentos da sociedade as estigmatizam, no contexto da criminalização da questão social, econômica e racial. Diante desse panorama, por meio de análise bibliográfica e de entrevistas semi-estruturadas, utilizando-se de autores como Adriana Lopes, Hermano Vianna, Adriana Facina, Erving Goffman, Homi Bhabha e Micael Herschmann, expõe-se como as manifestações culturais, a exemplo do movimento funk, são classificadas como próprias ou impróprias para o mercado. Tais achados de pesquisa são experienciados com estudantes egressos e profissionais da educação de uma escola pública de ensino médio, da rede estadual, localizada no município de São Paulo - SP, ilustrados com resultados de entrevistas semiestruturadas. Sabe-se que, partindo da lógica capitalista, de forma arbitrária, tem-se neste processo como instrumento de dissipação a indústria midiática, a qual projeta ao público versões muitas vezes estigmatizadas da população à margem da sociedade. Pelo viés jurídico, apoia-se em autores como Danilo Cymrot e Alessandro Baratta, os quais discutem sobre estudos criminológicos baseados na teoria da criminologia crítica, a qual dispõem da ideia de desvio social, observando os processos de criminalização e procedimentos de rotulação de criminosos. Alessandro Baratta, por exemplo, precursor dos estudos da criminologia crítica, buscou, através de suas análises expor a seletividade arbitrária do sistema penal e as implicações desta na estrutura das desigualdades sociais. Enfim, entre outras hipóteses, defende-se que o movimento funk, por gerações, vêm entretendo e legitimando a existência de um grupo invisibilizado socialmente e abandonado pelo estado, expondo por meio da cultura seu caráter identitário. O fato de manifestar-se culturalmente vai muito além do caráter democrático advindo de revoluções culturais globais do final do século XX, observadas por Stuart Hall, mas permeiam o campo político e jurídico quando o fato de expor seu cotidiano torna-se crime.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
Décadas de 1980 e 1990
Localização Eletrônica
https://pos.uel.br/ppgsoc/teses-dissertacoes/a-construcao-da-cultura-funk-no-brasil-e-a-criminalizacao-da-questao-social/

“Não é preconceito, é gosto pessoal”: intersecção de marcadores de diferença social em mídia digitais, eventos e fluxos em Bauru/SP

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
De Cicco, Shelton Ygor Joaquim
Sexo
Homem
Orientador
Silva, Larissa Maues Pelucio
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
Marília
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNESP
Idioma
Português
Palavras chave
Gays
Mídias digitais
Marcadores de diferença social
Resumo

Esta dissertação parte do preconceito entre um e outro gays, denominado “preconceito interpares”, veiculado em relações sociais virtuais e atuais, para descobrir como os agentes criam agenciamentos coletivos para subvertê-lo. Os problemas de pesquisa que este tema suscita são: como este preconceito funciona? Quais cruzamentos de marcadores de diferença social são mobilizados? Que elementos da vida social são acionados? O objetivo principal é estudar e descrever de maneira abrangente como o preconceito interpares funciona entre gays, segundo os marcadores de diferença social (principalmente classe social, cor/etnia/“raça”, gêneros e sexualidades e subsidiariamente escolaridade e pertencimento geracional) para compreender como os agentes rompem com as normativas. O campo de pesquisa foca na cidade de Bauru, no Noroeste paulista, e na população de gays entre 18 e 35 anos de idade. Utiliza de observação participante em locais de sociabilidade de LGBT+. Para dar conta do objeto e do problema, a pesquisa divide-se em dois momentos. Inicialmente, observa o ambiente virtual de uma mídia digital com geoposicionamento, voltada para socialização e relacionamentos afetivo-sexuais da referida população de gays, desenvolvida para telefones inteligentes (aplicativo de smartphones). Em um segundo tempo, analisa os eventos que atraem fluxos de pessoas e desejos até a cidade em questão, notadamente o X encontro da diversidade e o Interunesp, ambos os quais tiveram lugar em Bauru em 2017. Ainda nesta etapa, o pesquisador participa como observador de locais de sociabilidade tais como parques, saunas, centros de compras, cinemas e outros locais de lazer. As técnicas de pesquisa empregadas são entrevistas em profundidade, abordando depoimentos dos interlocutores sobre as mídias digitais, os eventos e a sociabilidade promovida em cada ocasião; e metrificação dos aplicativos segundo as informações publicadas pelos usuários. Do entrecruzamento de eventos sociais atuais, em cinemas, saunas, encontros da diversidade dentre outros, com os dados do aplicativo na cidade sob escrutínio, envida esforços para compreender a fundo as intersecções dos marcadores de diferença social e a percepção dos agentes sobre o tema e o problema. Valoriza os fluxos de pessoas e desejos, devido tanto pela fluidez própria do território virtual como pela especificidade do horizonte teórico aqui privilegiado, qual seja, a teoria deleuze-guattariana. Esta teoria é importante por tratar de fluxos, polaridades e possibilidades de fuga aos binarismos, dando conta de modo mais contundente do funcionamento do fenômeno sob análise aqui e dos acontecimentos concretos selecionados. Autores/as da teoria queer são instados a auxiliar na análise. Também cientistas sociais que analisam as sexualidades no ambiente urbano oferecem ferramentas importantes para estudar territórios e fluxos. Este estudo ainda tem o cuidado de inserir os casos sob escrutínio na conjuntura brasileira atual, em que se pode observar retrocessos de direitos sociais e desmonte do Estado. Por isso mesmo, aborda a percepção política e a atitude dos agentes, neste ponto seguindo os estudos brasileiros sobre política, história e sexualidade no Brasil para compreender os fundamentos históricos das relações sociais brasileiras para com a política. Ao final, espera haver oferecido uma contribuição para o debate que tange à população e ao problema, mostrando a importância de dialogar com os referenciais escolhidos, especialmente na área da antropologia social.

Referência Espacial
Cidade/Município
Bauru
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2017
Localização Eletrônica
https://bdtd.ibict.br/vufind/Record/UNSP_524448dfab15eddc0628d1e3b835e4a4

“És o que fomos, serás o que somos”: o processo de ressignificação dos espaços cemiteriais e das práticas funerárias

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Melo, Árife Amaral
Sexo
Homem
Orientador
Schumacher, Aluisio Almeida
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
Marília
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNESP
Idioma
Português
Palavras chave
Ressignificação
Cemitérios
Práticas funerárias
Racionalização
Resumo

A presente tese pretende interpretar os espaços cemiteriais e as práticas funerárias a eles relacionados, visando compreender a existência de um processo de ressignificação relacionado a ambos. Esse processo se dá a partir do que pode ser observado na maioria dos cemitérios tradicionais: visualmente, é possível observar que nesses cemitérios existe um contraste estético, no qual os jazigos mais antigos apresentam diversos elementos simbólicos e alegóricos relacionados a valores religiosos, ao passo que em jazigos mais novos esses elementos são cada vez mais raros ou simplesmente inexistem. Coube à pesquisa, através de visitas a alguns cemitérios em cidades do Estado de São Paulo e do Paraná, observar e identificar os elementos que permeiam esse contraste. Observou-se que não somente os espaços cemiteriais, mas também as práticas funerárias vinculadas a eles se encontram em constante mudança. Essas mudanças, impulsionadas pela secularização e pela racionalização, afetaram o significado do espaço cemiterial e das atitudes perante a morte, haja vista que até mesmo a visão que se possuía sobre a morte, antes norteada por valores religiosos, aos poucos é subjugada por uma visão de mundo racionalizada. Nesse sentido, surgem “cemitérios de novo tipo”, cuja configuração, de caráter tecnicista e racional, se estende às práticas funerárias, nas quais seu tecnicismo se aprofundou em detrimento dos aspectos ritualísticos religiosos. Como incremento a esse processo, existe a mercantilização das práticas funerárias, que aprofunda as formas de distinção social já existentes anteriormente, criando constantemente produtos e serviços direcionados aos enlutados, tratando-os como consumidores. Essa mercantilização, que se apropria da racionalidade da execução das práticas funerárias, uma vez comercializadas e terceirizadas, passam a coexistir com a religiosidade no que se refere à atenuação da dor da perda.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Macrorregião
Sul
Brasil
Habilitado
UF
Paraná
Referência Temporal
2015-2019
Localização Eletrônica
https://repositorio.unesp.br/items/0575357c-6c46-41e1-99a3-ca1f49a556d1