Modo de vida, imaginário social e cotidiano

Imigração haitiana: um estudo sobre o estabelecer do imigrante na cidade no contexto histórico e social de globalização

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Silva, Cinthia Xavier da
Sexo
Mulher
Orientador
Zuin, João Carlos Soares
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
Araraquara
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNESP
Idioma
Português
Palavras chave
Imigração Haitiana
Globalização
Acolhida Humanitária
São José do Rio Preto
Resumo

A imigração haitiana para o Brasil tem fluxo considerável a partir de 2010 com a crise humanitária em consequência do terremoto que devastou o país. No entanto, a migração haitiana é um fenômeno que ocorre há pelo menos um século, desde a ocupação americana entre 1915 e 1934. O Brasil entra na rota da migração haitiana devido a um fortalecimento dos laços diplomáticos entre Brasil e Haiti e pela presença brasileira na ilha de 2004 a 2017, em que o Brasil teve o comando militar da MINUSTAH. A imigração foi inicialmente por via terrestre, pelas cidades de fronteira, no norte do país, Tabatinga - AM, Brasileia e Assis Brasil - AC. Depois de grave crise de superlotação em abrigos nestas cidades, os migrantes foram enviados por iniciativa do governo do Acre a outros estados sem aviso prévio às autoridades. Apenas em 2015, o governo brasileiro decide aumentar o número de concessão de vistos por razões humanitárias no Haiti, aumentando a entrada por via aérea com destino a outras capitais. Esta pesquisa perpassou o contexto histórico e social desta imigração haitiana para o Brasil, assim como procurou situá-la dentro de um contexto global de migrações potencializadas nas últimas décadas. A internacionalização do mercado, a desregulamentação e desnacionalização de legislações dos estados-nação, a ocupação militar constante em diversos países periféricos e o deslocamento de empresas provocaram um fluxo cada vez maior de migrantes trabalhadores, refugiados e deslocados ambientais. E propõe pensar a migração haitiana a partir do sujeito migrante. Depois que o migrante chega a seu lugar de destino, o que é necessário fazer e como ele age para realizar suas condições de existência neste novo lugar? Pensamos este momento recente posterior à viagem como um período de se estabelecer, ou seja, de buscar meios para se fixar na cidade, resolver questões relacionadas à documentação e regularização de sua condição de migrante, e consolidar uma nova rotina. A pesquisa de campo foi realizada na cidade de São José do Rio Preto - SP. A cidade recebeu entre 2012 e 2015 número significativo de imigrantes haitianos comparado com outras cidades da metade oeste do estado de São Paulo. Além disso, se destaca por ser uma cidade média, especializada no setor de serviços e que durante a década de 1980 recebeu incentivos fiscais, inclusive do Banco Mundial, para desenvolvimento em infraestrutura, atraindo migrantes da região e de outros estados. Acompanhamos uma família de migrantes durante um ano e meio nas suas idas a órgãos públicos, na busca por emprego; a relação com a família no lugar de origem e os projetos para o futuro da família. Nossas conclusões seguem na direção de fornecer dados para pensar uma política pública para a migração, de acordo com as necessidades reais do migrante para a realização de sua condição de vida no lugar de destino. Apesar de ter havido mudanças importantes na legislação brasileira sobre o entendimento da migração no país, ainda há muito que se construir no sentido de perceber o migrante como um cidadão de direitos.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São José do Rio Preto
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/SUCUPIRA/PUBLIC/CONSULTAS/COLETA/TRABALHOCONCLUSAO/VIEWTRABALHOCONCLUSAO.JSF?POPUP=TRUE&ID_TRABALHO=7741281

Fazer festa é uma guerra: relações entre vestidos, noivas, anfitriões e convidados na organização de casamentos

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Bueno, Michele Escoura
Sexo
Mulher
Orientador
França, Isadora Lins
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
Campinas
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNICAMP
Página Inicial
20
Página Final
245
Idioma
Português
Palavras chave
Casamento
Conflito social
Parentesco
Diferenciação
Consumo
Resumo

Uma festa de casamento não é ocasião qualquer. Organizada sob muita expectativa, cuidado e apreço, uma festa como esta é frequentemente descrita como a realização de um sonho de vida e não raro demanda anos para sua preparação. Extraordinária, feita para ser única, é produto de um intenso engajamento de seus anfitriões e, no Brasil, é também composta em relação direta a um mercado especializado em eventos que, por ano, tem movimentado mais de R$ 17 bilhões. Desde 2015, nessa pesquisa busquei compreender o que circula junto com o dinheiro nesse cenário. Aliando observação participante a entrevistas em profundidade, analisei o processo de organização de celebrações de casamento orçadas entre R$ 20 mil e R$ 300 mil em São Paulo (SP) e Belém (PA). No trabalho de campo, percorri diferentes lojas de vestidos de noivas pelos territórios do mercado paulista e, dali, somei noivas e noivos à minha rede interestadual de interlocutores. Já ao lado dos anfitriões da festa, acompanhei-os na rotina de preparação dos eventos, me inserindo em suas redes familiares e em diferentes ocasiões de interação com outros agentes do mercado. Nessa tese, apresento uma etnografia sobre as relações entre vestidos, noivas, anfitriões e convidados durante o processo de organização de casamentos. Dividido em duas costuras analíticas, o texto é fruto de um experimento antropológico que apostou nos conflitos como caminho de investigação sobre as relações. Cada capítulo persegue um conjunto específico de disputas: o embate entre preços e valores dos vestidos na concorrência do mercado; as fronteiras morais e corporais na produção material da noiva; as brigas entre anfitriões na batalha pelo comando da festa e dos limites da família e, por fim, as expectativas e as dívidas cobradas em retribuições dos convidados. Entre sacrifícios pessoais, financeiros e corporais, aqui evidencio que uma festa de casamento apenas se dá depois de um destacado e conflitivo processo de negociação. Nele, por um lado, as interações comerciais e o consumo de vestidos de noivas provocam reflexões sobre articulação entre gênero, raça e corporalidade em uma materialização de valor e distinção entre coisas e pessoas que se justapõem às dimensões de classe. E, por outro lado, os relatos íntimos sobre os preparativos da festa evidenciam as formas pelas quais as relações pessoais são espessadas ou diluídas em um parentesco feito na prática e por vinculações que são, contudo, permeadas por hierarquias. No tempo investido na preparação do evento, valores de coisas, de pessoas e relações estão sempre sendo reavaliados. E, concomitante à produção da festa, prestígios e reputações são forjados e manejados numa dinâmica em que reciprocidade e aliança não excluem também a produção de desigualdades.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Cidade/Município
Belém
Macrorregião
Norte
Brasil
Habilitado
UF
Pará
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://repositorio.unicamp.br/acervo/detalhe/1088544

Família e honra: recrutamento e mobilidade social na Polícia Militar do Pará

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Queiroz, Gustavo Ferreira de
Sexo
Homem
Orientador
Alvarez, Marcos Cesar
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Sociologia
Instituição
USP
Página Inicial
10
Página Final
198
Idioma
Português
Palavras chave
Polícia militar
Mobilidade social
Dependência social
Família
Honra
Resumo

A pesquisa analisa as formas como as estratégias de mobilidade social dos policiais militares se articulam com o pertencimento à Polícia Militar do Pará. Procurou-se examinar as trajetórias individuais por meio dos papéis no âmbito doméstico-familiar e das chances no mercado de trabalho para compreender a característica do recrutamento institucional e, por outro lado, analisar as trajetórias possíveis a partir do acesso à corporação policial-militar. Para tanto, a pesquisa se apoiou na análise morfológica das distintas posições sucessivamente ocupadas pelos policiais e na comparação entre as trajetórias com base nos dados referentes à família de origem, escolaridade, ocupações pretéritas no mercado de trabalho, percepção sobre o acesso à corporação e à mobilidade interna com base em dados estatutários – grau hierárquico e cargos funcionais. Foram entrevistados vinte e dois praças e oito oficiais, dentre estes três mulheres, todas praças. Os resultados apontaram para a atração majoritária de homens com baixa escolaridade e vindos de ocupações precárias e desqualificadas para o estrato de praças, e de homens com o ensino superior incompleto e completo para o estrato de oficiais. Os praças dependem da continuidade da relação salarial assegurada pelo cargo público, e tendem a permanecer na mesma posição social a partir do ingresso na instituição, enquanto aos oficiais são possíveis trajetórias de mobilidade social vertical. A dependência social do estrato de praças é justificada internamente por uma retórica familiar, que representa a filiação institucional como uma associação moral baseada na honra familiar dos policiais, que os expõe ao paternalismo do corpo de oficiais e bloqueia suas chances de ascensão social.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Macrorregião
Norte
Brasil
Habilitado
UF
Pará
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-29072019-152427/pt-br.php

Experiências estéticas em movimento: produção literária nas periferias paulistanas

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Amaral de Oliveira, Lucas
Sexo
Homem
Orientador
Augusto, Maria Helena Oliva
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Sociologia
Instituição
USP
Página Inicial
17
Página Final
348
Idioma
Português
Palavras chave
Literatura Marginal
Movimento Cultural
Periferia
Experiências
São Paulo
Resumo

Neste trabalho, analiso o movimento da literatura marginal de São Paulo e suas expressividades poéticas. O objetivo é examinar as dinâmicas dos saraus que permitem a emergência de escritores autodenominados "marginais", bem como a produção de objetos literários a partir dos vínculos que esses agentes estabelecem com espaços periféricos. Interessa-me capturar o impacto das experiências urbanas no trabalho literário, nas estratégias de atuação e na produção textual e performática desses escritores originários das periferias. Primeiramente, relato como configurei meu trabalho de campo nos saraus e os primeiros contatos que tive com a produção marginal, delimitando os marcos etnográficos, metodológicos e epistemológicos que orientaram a pesquisa. Em seguida, investigo os arranjos que possibilitam agentes e coletivos formarem um novo movimento cultural urbano. Para isso, por meio de análise comparativa, percorro modelos e tradições que, por um lado, influenciaram a sociogênese dos saraus como espaços vitais da literatura marginal e, por outro, provocaram certos distanciamentos em seu processo formativo. Por fim, para identificar a particularidade do movimento e o sentido político e estético da presença desses novos autores na história da literatura brasileira contemporânea, examino como os agentes literários, em suas narrativas e performances poéticas, problematizam as periferias, os locais onde vivem e a partir dos quais atuam culturalmente e produzem literatura. O argumento central da tese é que, por meio das oportunidades geradas pelos saraus poéticos, esses agentes encontram espaços para combater estigmas, repertoriar ideias, estruturar sentimentos, catalisar vivências coletivas e dinamizar suas práticas nas margens da cidade, utilizando a palavra como forma de transformar seus trabalhos literários em plataformas para o exercício da cidadania cultural.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-09052019-114028/pt-br.php

Eu vi a face de Deus pichada no muro: considerações sobre a categoria censitária dos sem religião em Araraquara – SP

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Silva, Jose Lucas da
Sexo
Homem
Orientador
Peggion, Edmundo Antonio
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
Araraquara
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNESP
Página Inicial
13
Página Final
82
Idioma
Português
Palavras chave
Religiosidade
Mobilidade religiosa
Sem religião
Teoria antropológica
Resumo

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mantém uma série histórica coesa dos censos demográficos desde 1940, apresentando a cada 10 anos um “retrato do Brasil”. A partir dos anos 1980 as comunidades científicas e confessionais tem se interessado pelos resultados deste levantamento quanto ao quesito religião. O IBGE apresenta uma única categoria sobre a religiosidade em seu censo demográfico, “Qual sua religião ou culto?”. Caso a resposta seja negativa, o respondente será categorizado como sem religião. Percebe-se que dentro desta categoria não estão só ateus e agnósticos, mas também pessoas que vivenciam sua vida religiosa de alguma outra forma. Esta pesquisa de mestrado busca encontrar na série histórica da cidade de Araraquara – SP informações sobre essas pessoas. Os desafios teóricos e metodológicos foram e são como lidar com esta população específica tanto do ponto de vista estatístico quanto do ponto de vista empírico. Como preencher o dado numérico de sentido. Para tanto, reconstruímos a mobilidade religiosa da cidade de referência fazendo uma crítica da construção deste número e de como narrar esta categoria ao longo do tempo. Procuramos construir uma aproximação com um local que congregasse estas pessoas sem religião.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Métodos mistos
Referência Espacial
Cidade/Município
Araraquara
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
1940-2010
Localização Eletrônica
https://repositorio.unesp.br/items/6e89fd2e-837b-4d9a-8ea8-0e36c9fb1470

"É tudo baiano, mas é misturado”: dinâmica migratória em Américo Brasiliense, aspectos de um problema nacional

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Almeida, Iara Lalesca Calazans de
Sexo
Mulher
Orientador
Paoliello, Renata Medeiros
Ano de Publicação
2016
Local da Publicação
Araraquara
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNESP-ARAR
Idioma
Português
Palavras chave
Dinâmica cultural
Dinâmica migratória interna
Agroindústria
Espaço urbano
Interior paulista
Resumo

O trabalho objetiva colaborar com as reflexões sobre os fluxos migratórios internos. Na pesquisa realizada, a atenção se volta à cidade de Américo Brasiliense, interior do estado de São Paulo, onde a migração nordestina tem predominância. Por intermédio da categoria baiano, articulada pelos moradores de Américo Brasiliense para qualificar a dinâmica migratória do município, estabelecemos que a narrativa hegemônica sobre a migração nordestina – imersa na categoria baiano – seria o ponto de partida para a construção da pesquisa. Percebemos que a migração na cidade não está restringida a valores numéricos e apresenta aspectos de um problema nacional. A migração carrega, em sua funcionalidade e nas narrativas desenvolvidas, sistemas de poder, condicionando paradigmas na construção do outro em que pode levar à estigmas, estereótipos e exclusão, provocando resultados perniciosos aos grupos diretamente atingidos. A invenção do Nordeste e da população deste espaço é um exemplo notável deste problema.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
Américo Brasiliense
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2018-2020
Localização Eletrônica
https://agendapos.fclar.unesp.br/agenda-pos/ciencias_sociais/5311.pdf

Entre sociais, roles e bailes: uma etnografia dos entretenimentos juvenis no Capão Redondo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Pinto, Felipe de Souza
Sexo
Homem
Orientador
Silva, José Carlos Gomes da
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
Guarulhos
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNIFESP
Página Inicial
10
Página Final
110
Idioma
Português
Palavras chave
Antropologia Urbana
Lazer
Periferia
Juventude
Resumo

Esta etnografia observa os entretenimentos juvenis no Capão Redondo, distrito da periferia da Zona Sul da capital paulista. Tomando como ponto de partida minhas experiências como professor de sociologia para o ensino médio na Escola Pública Estadual Paulista - além de minha carreira como pesquisador -, busco compreender como a juventude realiza quatro de seus vários lazeres: a social, o rolê, a party e o baile. Através do conhecimento e da manipulação de suas situações econômicas, históricas, políticas e sociais, dos seus imaginários de diversão e de suas redes de relações, proponho uma interpretação pautada na categorização dessas atividades, levando em consideração o número de pessoas vinculadas, o grau de suas relações, o local em que elas acontecem, o tempo de organização das mesmas, suas estruturas e, por fim, o quanto elas são cotidianas ou extraordinárias.

Disciplina
Referência Espacial
Zona
Zona Sul
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Capão Redondo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://repositorio.unifesp.br/items/98cb7cdf-52da-4735-8d41-4a5fe47aa4ad

Entre o emprego e o empreendedorismo: aspectos geracionais dos vínculos de trabalho de profissionais de TI dos quadros médios da cidade de São Paulo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Ferreira, Allan Herison
Sexo
Homem
Orientador
Comin, Alvaro Augusto
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Sociologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Tecnologia da Informação
Sociologia do Trabalho
Trabalho e Empreendedorismo
Vínculos de Trabalho
Gerações
Resumo

Os leitores desta pesquisa encontrarão nas páginas seguintes o resultado de uma combinação de métodos e abordagens investigativas dedicados à contextualização e aferição sobre o modo como os profissionais de TI dos quadros médios da cidade de São Paulo compreendem e mobilizam seus vínculos de trabalho ao longo de suas trajetórias profissionais. Partimos de análises e pesquisas realizadas por estudiosos das relações de trabalho, emprego e empreendedorismo, de dados dos censos de 1960 a 2010 e de informações de outros institutos de pesquisa para esquadrinhar um universo de pesquisa que proporcionasse uma amostra modesta, mas representativa, de profissionais de TI de diferentes gerações, diferentes experiências de trabalho e vínculos, e que atendesse à variedade mínima de outros marcadores sociais como raça ou cor, sexo e origem social.

Com esse contexto definido, entrevistamos um conjunto de profissionais composto por quarenta participantes. Estes profissionais concederam entrevistas, preencheram formulários e responderam questões por meio de diversas outras formas de contato de modo a não só fornecer os dados dos marcadores levantados neste estudo, mas, principalmente, para apresentar suas experiências e pontos de vista sobre os tipos de vínculos de trabalho que experimentaram ou pretendem experimentar em suas carreiras. A observação das variações e similaridades relativas aos tipos de vínculos mobilizados por profissionais de diferentes gerações constitui a dimensão importante deste estudo que pretende contribuir com uma apresentação detalhada sobre o modo como os profissionais que atendem ao perfil do recorte de pesquisa compreendem os tipos de vínculos disponíveis a eles, buscando superar as limitações de abordagens que tratam o tema de modo demasiado frio – orientadas especialmente pelos métodos quantitativos.

A escuta dos profissionais de TI, os principais afetados pelas mudanças nas possibilidades de vínculos, é elemento fundamental deste estudo que visa também analisar, de modo mediado pela teoria sociológica que abrange as questões aqui mobilizadas, as visões e concepções obtidas dos próprios profissionais a respeito de modelos, propostas e teorias advindas ora do mundo acadêmico, ora do mundo corporativo. Embora, por vezes, estes mundos propositivos convivam com as percepções e interpretações dos profissionais entrevistados, através da leitura deste estudo pode-se observar que as experiências e percepções dos profissionais demonstram ser mais complexas do que modelos polarizados tendem a postular.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
1960 a 2010
Localização Eletrônica
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-30042019-111050/pt-br.php

Vidas supérfluas: a invenção da pressa

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Guisard, Luis Augusto de Mola
Sexo
Homem
Orientador
Totora, Silvana Maria Correa
Ano de Publicação
2016
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Ciências Sociais
Instituição
PUC/SP
Idioma
Português
Palavras chave
Pressa
Vida supérflua
Motoboy
Resumo

O objetivo da tese foi compreender como se originou a pressa como marca da vida urbana contemporânea e procurar por possibilidades de resistências a essa hegemonia. A motivação para a pesquisa foi um sentimento particular de incômodo com a pressa como valor universal: a pressa deslocada de sua função natural para atender urgências próprias da vida, como é a urgência de um animal em fuga, de uma criança para ir ao encontro da diversão ou a de um salva-vidas. A pressa na vida urbana é constante, o que não parece corresponder aos impulsos vitais do homem. É algo que vem de fora, surgido em algum momento da história. Tendo como hipótese que essa pressa que vivenciamos, alheia à nossa natureza, nega os valores da vida, o trabalho consistiu em um estudo genealógico da pressa. Para essa análise genealógica foi sempre presente a ideia de que é necessária uma postura extemporânea, de não adesão aos valores vigentes, como forma de tornar possível uma crítica ao valor pressa. Para atingir essa finalidade, dois principais autores foram consultados: Nietzsche e Foucault. O primeiro deu toda a base para enfrentar a tarefa de tentar compreender a pressa em sua devida dimensão e o segundo permitiu esquadrinhar os elementos da construção histórica da pressa, inclusive no período mais recente: ao longo do século XX. Como recurso de análise foi usada a figura do motoboy, profissional acelerado de nossa metrópole paulistana, como metáfora de uma vida supérflua, refém de uma pressa produtiva que atende a uma urgência que é do capital e não da vida. O motoboy é a metáfora da aceleração que, não obstante, atinge todos nós. Com a análise, foi possível chegar à ideia de que a pressa foi uma construção história. Ela atende à racionalidade contemporânea, a qual já se insinua na valorização do mundo inteligível em detrimento do mundo sensível da tradição socrático-platônica e chega à ordem neoliberal do século XX, com a formatação do homem-máquina, empresário de si, envolto em um espírito de gravidade. Mais animadora e menos sisuda é a conclusão de que já houve uma forma de sociedade em que a pressa constante não dominava, a do período trágico, e, no presente, há indícios de resistência à pressa, como a representada pelos movimentos que afirmam a lógica do devagar. O Zaratustra de Nietzsche já dizia: “Não é com a ira que se mata, mas com o riso. Eia, pois, vamos matar o espírito de gravidade!”.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
Século XX-2016
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=4578708

Vida é milonga: troca e dádiva no ritual-tango

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Silva, Cristiana Felippe e
Sexo
Mulher
Orientador
Gouveia, Eliane Hojaij
Ano de Publicação
2016
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Ciências Sociais
Instituição
PUC/SP
Idioma
Português
Palavras chave
Tango (dança)
Ritual urbano
Corpo
Resumo

A presente pesquisa etnográfica analisa o baile de tango como ritual urbano de troca e liminaridade, a partir da antropologia urbana e do corpo, atravessada por uma perspectiva de gênero. O objetivo é resgatar as mulheres milongueiras e outros narradores ocultos da história oficial, em uma reflexão sobre como a dança ressignifica papéis atribuídos nas representações de gênero, étnicas e intergeracionais. A pesquisa bibliográfica documental e de campo com participação observante parte de bailes de tango de São Paulo e passa pelos circuitos e trajetos dos tangueiros nas cidades originárias desse ritmo na região rioplatense de Buenos Aires (Argentina) e Montevidéu (Uruguai). O estudo investiga por meio de entrevistas formais e conversas casuais a corporeidade do baile, com seus códigos e gestual específicos, como organizadores sociais e suas relações de domínio e poder. Por meio de elementos marcantes do tango, como a mirada, o caminhar e o abraço, o baile é analisado como busca de experiência de reciprocidade, sentido e sociabilidade, cujos agentes são protagonistas de trocas e encontros, capazes de transformar os usos da cidade, recriar os espaços urbanos e a si mesmos

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
País estrangeiro
Argentina
Especificação da Referência Espacial
Buenos Aires
Brasil
Habilitado
País estrangeiro
Uruguai
Especificação da Referência Espacial
Montevidéu
Referência Temporal
2014-2016
Localização Eletrônica
https://tede2.pucsp.br/handle/handle/19294