Cartografias de jovens como sujeitos políticos: Dos espaços de identidade aos espaços de visibilidade
Esta produção tem como objetivo identificar movimentos de visibilidade de jovens de origem popular, residentes em favelas cariocas a partir do seu espaço vivido. Parte-se da argumentação que estes têm construído estratégias para enfrentar a invisibilidade política, corpórea e conceitual que historicamente condicionam suas vidas. Iniciamos com a reflexão sobre o sujeito moderno e a objetividade do mundo, pilares da construção de uma episteme do mundo tecida à luz da racionalidade científica. A partir da modernidade, esta conjugará tempo e espaço em nome de um ordenamento da vida individual e social. Como conseqüência deste ordenamento moderno desenvolve-se uma noção de juventude sob o enfoque da transitoriedade e da teleologia, estabelecendo tempos e espaços de socialização da vida dos jovens. Esta arquitetura, que chamaremos de uma cronobiologia, sustentará a construção de tipologias com o objetivo de homogeneizar a juventude. Contudo, a juventude é entendida como uma categoria em disputa política. Apontam-se argumentos sobre os limites desta cronobiologia e as insuficiências presentes na unidade conceitual em torno do termo juventude. Assinala-se a invisibilidade de jovens oriundos de determinadas favelas da cidade do Rio de Janeiro, destacando-se que existem diferentes modos de ser e estar jovem e, especialmente estes jovens têm suas vidas marcadas pela desigualdade e pela distinção territorial de direitos. Em busca da visibilidade destes sujeitos, a tese constrói uma análise sobre estes no espaço da vida, reunindo informações sobre trajetórias de vida e práticas culturais a partir de entrevistas e grupos focais com jovens situados entre 15 e 29 anos moradores de favelas cariocas. Ao final aponta alguns movimentos de visibilização destes jovens, tais como: as novas representações estéticas que fazem de si e do espaço da favela em que vivem, as estratégias de comunicação e de construção de redes a partir das ferramentas da tecnologia digital, o fortalecimento de uma cultura de rua, mesclando formas e conteúdos novos de participação social e a invenção de novos lugares para si a partir do autoreconhecimento e do reconhecimento mútuo.