Evolução e diferenciais sociodemográficos da mortalidade por câncer de colo de útero, mama feminina e próstata entre idosos no Estado de São Paulo de 1980 a 2000
O cenário demográfico que se delineia no Estado de São Paulo é caracterizado pelo aumento envelhecimento relativo populacional e da participação relativa e das taxas de mortalidade por neoplasias malignas entre as causas de óbito. A estreita associação entre mortes por neoplasias malignas e a população idosa reforça a importância deste estudo, que apresenta como proposta investigar a relação entre as condições de vida dos idosos e a mortalidade por neoplasias de colo de útero, mama feminina e próstata parao Estado de São Paulo no ano de 2000. Parte-se do pressuposto que as desigualdades socioeconômicas se expressam nos diferenciais da mortalidade por neoplasias entre idosos e seu comportamento ao longo do tempo. Resgata-se as dimensões socioeconômicas e demográficas da mortalidade, numa tentativa de não se restringir à simples mensuração da desigualdade em saúde. Elege-se, como variáveis socioeconômicas para compor perfil socioeconômico dos idosos, os anos de estudo e rendimento domiciliar per capita, tendo como categorias de referência o analfabetismo funcional e o rendimento igual ou superior a 5 s.m. per capita. Para tanto, o Estado de São Paulo é dividido em Direções Regionais de Saúde (DIR) e a população idosa em grupos etários qüinqüenais e por sexo. Os anos censitários, que auxiliam a compreensão da evolução temporal, são 1980, 1991 e 2000. Através de análises de correlação e graus de dispersão, a dissertação aponta como resultados que: (1) ocorre um aumento mais significativo das taxas específicas de mortalidade por neoplasias entre idosos com idades mais avançadas no decorrer dos anos; (2) quanto maior a participação relativa do analfabetismo funcional entre os responsáveis pelo domicílio, menor são os riscos de morrer por neoplasias malignas; (3) quanto maior a proporção de domicílios com rendimento per capita igual ou superior a 5 s.m., maiores são as taxas específicas de mortalidade; (4) a localização e distribuição dos centros de saúde de alta complexidade, segundo as DIR¿s influem na magnitude das taxas; (5) as neoplasias de mama feminina e próstata apresentam maiores índices de correlação entre as taxas e as variáveis socioeconômicas, sendo que o comportamento de colo de útero seria mais aleatório