A história da Associação Cultural Agentes de Pastoral Negros (APNs) - Mocambo São Benedito, com recorte temporal entre 1986 e 2010, compõe o objeto desse estudo. Vinculado à entidade nacional surgida em São Paulo, em 1983, com o nome de “Agentes de Pastoral Negros”, inserido no contexto dos movimentos negros e propondo-se à missão de combater as práticas racistas na sociedade, o grupo surge em Vitória da Conquista, Bahia, na década de 1990, ligado à igreja Católica, sobretudo, às Comunidades Eclesiais de Base (Cebs), numa relação marcada por tensões que culminaram na ruptura com essa igreja na década seguinte. O grupo também estabeleceu relação com a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia que se deu, principalmente, com a intervenção de alguns professores que contribuíram decisivamente para a instalação do seu principal projeto: o curso pré-vestibular Dom Climério, pensado inicialmente, como facilitador para o acesso ao ensino superior de afro-brasileiros e estudantes de baixa renda. A metodologia aplicada constituiu-se, principalmente, na compilação e análise de diversas fontes escritas, iconográficas, orais e áudio visuais, com o cruzamento entre si, e em constante diálogo com o referencial teórico. As fontes acessadas demonstraram que os APNs constituíram a organização do movimento negro de maior relevância em Vitória da Conquista, provavelmente sendo precursores do debate étnico-racial relacionado à defesa das ações afirmativas e das políticas públicas de reparação social na cidade. O grupo também foi um importante ator social envolvido no reconhecimento de dezenas de comunidades remanescentes de quilombos na região, fundando, inclusive, a primeira “Casa do Estudante Quilombola” do Brasil, denominada “Zumbi dos Palmares”. Embalados pelo cenário das disputas políticas e da progressiva institucionalização, a trajetória dos APNs é repleta de aprendizados, tensões, contradições, conquistas e arranjos que se inscrevem nas construções discursivas das lutas por liberdade e cidadania dos negros e mestiços.