Formação de jovens em situação de vulnerabilidade social: análise das propostas de trabalho desenvolvidas pelas ONGs na cidade de São Paulo
Esta pesquisa tem por objetivo analisar o trabalho socioeducativo realizado por Organizações Não Governamentais (ONGs) na cidade de São Paulo com jovens entre 15 e 24 anos. Realizou-se a coleta de informações nos sítios eletrônicos das organizações selecionadas (objetivos, áreas de atuação, propostas de ações e fonte de financiamento), no Mapa da Exclusão Social da Cidade de São Paulo e no Mapa da Juventude da Cidade de São Paulo (organização territorial da cidade, divisão dos distritos conforme infraestrutura oferecida à população e distribuição da população juvenil pelo município). Em relação ao referencial teórico, buscou-se um que permitisse a reflexão sobre o caráter formativo da socioeducação e sobre a violência e a desigualdade que caracteriza a sociedade brasileira, e que podem ser considerados traços da barbárie ainda presente, bem como que possibilitasse a compreensão das implicações do trabalho realizado pelas ONGs na formação da juventude. Assim, a partir do exame das propostas de ações desenvolvidas por estas ONGs, e tomando como referência a reflexão que os autores da Teoria Crítica fazem acerca da sociedade de base tecnológica do capitalismo tardio, objetiva-se compreender a relação entre a formação da juventude e o atendimento oferecido, em caráter de socioeducação, aos jovens pobres moradores na cidade de São Paulo. A análise dos dados permite concluir que o as propostas de socioeducação descritas pelas ONGs em seus sítios eletrônicos apontam que tais propostas de ações socioeducativas têm por objetivo central o enquadramento de tais jovens nas normas morais e regras sociais da sociedade burguesa e industrial, definindo para eles o papel de jovens trabalhadores