Mulheres de kêto: etnografia de uma sociedade lésbica na periferia de São Paulo
Este trabalho é uma etnografia a respeito da 'sociedade lésbica feminista mulheres de kêto "Ojú oyá"', localizada em Guaianazes, periferia de São Paulo. Ao longo desta dissertação, tomam-se como eixos analíticos os vários conceitos locais agregados no nome do grupo - ou seja, as noções de sociedade, de movimento lésbico e feminista e candomblé. A esta formulação sintética construída pelas mulheres de kêto, acrescenta-se uma concepção de política que perpassa todas as demais, sendo também afetada pelas mesmas. Essas categorias centrais para as mulheres de kêto são apresentadas a partir dos lugares da pesquisa que são também os lugares de suas vidas: a prefeitura onde trabalham na política, o barracão de candomblé onde trabalham seus orixás e o apartamento onde moram, no conjunto habitacional jardim das acácias. Determinadas formulações teóricas da antropologia dita feminista buscam expandir, por meio do confronto etnográfico, algumas bases canônicas da disciplina, dentre as quais se destacam as noções de parentesco, família e gênero. O movimento etnográfico proposto pelas mulheres de kêto leva-nos a tomar esse debate acadêmico como modelo de diálogo para refletir, da mesma forma, sobre os termos política e candomblé. O objetivo desta etnografia é conjugar esses diversos temas seguindo portanto uma proposta epistemológica que diz respeito tanto à antropologia quanto às pessoas que os vivem de modo intenso e inseparável cotidianamente.