Os sentidos do Olido: dinâmicas culturais e transformações urbanas numa centralidade paulistana
O trabalho parte de uma pesquisa de mestrado que está em seu início e que se propõe a apresentar, com base em etnografias realizadas até o momento, relatos de campo decorrentes da inserção e participação da pesquisadora em situações no Centro Cultural Olido. Tais observações mobilizam diferentes interpretações sobre como situar e compreender os sentidos atribuídos a este equipamento cultural em uma centralidade paulistana identificada como Centro Novo. Aqui são aproximadas as dimensões políticas e urbanísticas, via discurso dos agentes do poder público e das estratégias das governanças municipais com as dinâmicas cotidianas, considerando a produção de experiências e modos de usar dos múltiplos usuários. As dimensões apresentadas por estes diferentes interlocutores produzem sentidos para a espacialidade do Olido e para o território do seu entorno - um palimpsesto adensado de tensões, memórias e temporalidades. À vista disso, aproximar estes discursos, a fim de ordenar as pistas presentes nas ações e enunciações, podem revelar aspectos importantes da negociação articulada entre citadino, equipamento cultural e projeto de cidade. Também permite estabelecer a gênese da questão: os múltiplos sentidos em jogo neste local se coadunam numa única direção ou constituem uma disputa quando interpelados? Além das questões da vida urbana contemporânea do Olido, é possível encontrar vestígios de "modos de usar", reminiscências de outros tempos ainda vigentes em suas dinâmicas culturais?