Processos de urbanização
Louis-Joseph Lebret et les favelas de Rio de Janeiro (1957-1959): enquêter pour l'action
Na história da pesquisa sobre as favelas do Rio de Janeiro e, mais amplamente, das ciências sociais no Brasil, uma obra ocupa um lugar particular: Aspectos Humanos da Favela Carioca. Esse levantamento, realizado pela consultoria Sociedade de Análises Gráficas e Mecanográficas Aplicadas a Complexos Sociais (SAGMACS) e publicado em dois números em 1959 pelo jornal O Estado de São Paulo (documento 1), foi realizado sob a responsabilidade de Louis-Joseph Lebret, que ali colocou seu “rótulo” num período em que trabalhou para difundir no Brasil as ideias do movimento Economia e Humanismo. Conduzido com a colaboração de pesquisadores brasileiros, este estudo inaugurou tanto um desenvolvimento sem precedentes da favela como comunidade social quanto um novo método de observação urbana que mobiliza as ferramentas das ciências sociais. Licia do Prado Valladares, assim, analisa o contexto social do levantamento e a passagem do pesquisador francês pelas favelas cariocas.
A controvérsia sobre a industrialização na Primeira República
As polêmicas a respeito da industrialização na Primeira República não se restringem, em geral, a limites estritamente acadêmicos pois os argumentos apresentados deviam, à sua época, servir de apoio a propostas de política econômica (ou à crítica de políticas em vigor) e à compreensão do alinhamento político de determinados grupos sociais. Por esse motivo, tais polêmicas não perderam atualidade: muitas das questões de fundo aí presentes são recolocadas hoje, por vezes de modo muito semelhante ao dos anos 60 e 70. O objetivo deste artigo não é, portanto, o de encerrar as polêmicas a respeito da industrialização na Primeira Republica ao indicar teses e posições corretas. Pretende-se apenas fazer um balanço da controvérsia em algumas de suas principais vertentes, indicando, sempre que possível, a atualidade das questões colocadas em foco. Não se pretende, também, ser exaustivo no exame das inúmeras contribuições ao debate. A escolha de alguns autores, tidos como representativos de determinadas posturas, envolve as limitações e preferências do autor. Daí existir grande risco de exclusão de obras de grande relevância para a discussão do tema. Vale lembrar ainda que a exposição não segue a ordem cronológica das obras comentadas pelo fato de centrar-se apenas em algumas questões particularmente importantes para a discussão do tema. Finalmente, cabe registrar que não há intenção de reconstituir o processo de industrialização em si, mas apenas alguns aspectos da controvérsia que se estabeleceu em relação a ele.
A alienação do político no Brasil urbano: uma avaliação do movimento atual
Discute a questão da crise urbana brasileira. Demonstra existir um intenso processo de desmodernização tanto política quanto econômica, que se revela no crescente desaparelhamento dos órgãos do Estado e no flagrante insucesso da ideologia participativa. Enfoca, ainda, a questão do crime organizado, citando-o como exemplo concreto dos efeitos da desmodernização.
Identidade e Rivalidade entre os Torcedores de Futebol da Cidade de São Paulo
A partir da descrição das transformações que ocorreram na cidade de São Paulo no final do século XIX e início do XX, encontram-se as condições que contribuíram para que o futebol se desenvolvesse. É nesse ambiente, também, que são encontradas as condições sociais, que permitiram compreender como se constituíram a identidade dos três clubes tomados como objeto de estudo: o Sport Club Corinthians Paulista, fundado por operários; a Sociedade Esportiva Palmeiras, criada por operários de origem italiana e o São Paulo Futebol Clube que atraiu com torcedores a elite econômica da cidade. Com isso, a rivalidade entre os seus torcedores se constitui a partir de três características distintivas: popular, italianos e elite, que refletiam a estrutura social da cidade no momento em que foram fundados. No entanto, a composição das torcidas se modifica e os dois clubes fundados por operários são os que concentram os maiores percentuais de torcedores das classes A e B, enquanto que o identificado como da elite é o que possui os menores percentuais de públicos dessas duas classes.
Macrometrópole paulista: estrutura sócio-ocupacional e tipologia dos municípios – Mudanças na primeira década dos anos 2000 | São Paulo macro-metropolis: socio-occupational structure and typology of its municipalities – Changes in the first decade of the
O texto propõe a análise da estruturação da macrometrópole paulista e dos efeitos das desigualdades socioespaciais presentes em sua dinâmica urbano-regional. Essa região, definida pela Emplasa em 2012, reúne 174 municípios, que compreendem cinco regiões metropolitanas, duas aglomerações urbanas e uma microrregião. A fundamentação teórica do estudo parte do conceito de cidade-região, proposto e discutido por autores como Soja, Sassen, Scott, Lencioni e outros. Entendendo a cidade-região como produto de processos de reestruturação produtiva, reconversão econômica e especialização de uma rede de cidades intensamente articuladas, propomos as seguintes questões: é pertinente, do ponto de vista teórico, o conceito de cidade-região para o estudo da macrometrópole paulista? Quais são as formas de organização econômica e social ali presentes e quais as suas dinâmicas atuais? Quais espacialidades emergem nessa macrorregião em transformação?
Sistema de Indicadores de Qualidade Ambiental Urbana para Metrópoles Costeiras (SIMeC): uma proposta de instrumento de análise territorial | An Urban Environmental Quality Indicator System for Coastal Metropolis (SIMeC): a proposal for territorial analysi
O presente artigo apresenta um Sistema de Indicadores de Qualidade Ambiental Urbana para Metrópoles Costeiras (SIMeC) como proposta de instrumento de análise territorial no processo de gestão costeira integrada. Para tanto, na pesquisa, foram elencados e analisados 1.133 indicadores, provenientes de 22 sistemas nacionais e internacionais. Desse grupo, foram selecionados indicadores avaliados por especialistas residentes nos Estados costeiros brasileiros. Ao final, o estudo obteve 69 identificadores conexos às dimensões da prosperidade urbana: infraestrutura, inclusão e equidade social, qualidade de vida, produtividade e sustentabilidade ambiental, que foram aliados à estrutura DPSIR, isto é, Drivers–Pressures–State–Impacts–Responses. Como resultado, o sistema de indicadores mostrou-se consistente, sendo uma contribuição passível de replicação nas metrópoles costeiras brasileiras. Assim, o uso desses indicadores pode ser um instrumento de tomada de decisão na gestão integrada da zona costeira, constituindo um relatório de qualidade ambiental que possibilitará, além da análise territorial local específica, a comparabilidade com outras regiões costeiras.
O impacto da vegetação no microclima em cidades adensadas e seu papel na adaptação aos fenômenos de aquecimento urbano. Contribuições a uma abordagem interdisciplinar
O uso do SIG Histórico na análise da gênese e da forma de cidades do nordeste de São Paulo
Na rede urbana polarizada pela vila de Casa Branca, na província de São Paulo, durante o século XIX, municípios nasceram a partir dos chamados patrimônios religiosos e compõem a porção nordeste do atual estado de São Paulo. Este trabalho propõe demonstrar a formação desse território e de alguns de seus espaços urbanos, por meio da análise da morfogênese e do traçado desses assentamentos, relacionados com a rede de caminhos e as rotas estruturantes. A investigação insere-se no âmbito de estudos da história urbana que utilizam ferramentas do SIG Histórico e trabalha com fontes textuais e cartográficas produzidas no decorrer do século XIX. O artigo busca contribuir com estudos sobre a gênese de pequenos municípios, criando cartografias temáticas que tratam de questões acerca da formação dos espaços urbanos e de suas modificações ao longo do tempo.
Investimento Direto Estrangeiro chinês e participação chinesa em projetos de infraestrutura no estado de São Paulo, Brasil: uma análise baseada na urbanização planetária e nos circuitos do capital
A proposta deste texto é investigar a relação entre Brasil e China de uma perspectiva da produção do espaço urbano. Para isso, foram analisados os Investimentos Diretos Estrangeiros (IDE) chineses e a participação desse país em projetos de infraestrutura no estado de São Paulo entre 2000 e 2020, contextualizados nas realidades brasileira e latino-americana. O estudo utilizou a “comparação incorporada” desenvolvida por Philip McMichael e conceitos como os de urbanização planetária e circuitos do capital. A hipótese de que o Estado chinês passa a se conformar como um agente da urbanização brasileira foi avaliada de modo a contribuir com o debate em torno da dinâmica da urbanização brasileira contemporânea. Os dados coletados apontam para um papel importante da urbanização no processo de expansão chinês. As infraestruturas ganharam importância ao longo da última década, em consonância com as transformações pelas quais o país passou após a virada do século e a crise de 2008, o que sinaliza um giro em direção ao circuito secundário do capital em tempos de crise de sobreacumulação. Por fim, algumas questões são apresentadas acerca da dinâmica urbana no Sul Global, na América Latina e Caribe e no Brasil.