Um Século de Política para Poucos: zoneamento paulistano 1886-1986
O objetivo principal do trabalho é analisar o desenvolvimento do zoneamento da cidade de São Paulo, desde a sua origem, em 1886, passando pela Lei Geral de Zoneamento nº 7.805, de 1972, e chegando até o ano de 1986, quando foi adotada a lei nº 10.209, que instituiu as operações interligadas e que deu início a uma nova etapa na história do zoneamento paulistano. A hipótese do estudo é que o zoneamento de São Paulo foi sendo aplicado para atender, fundamentalmente, a objetivos de caráter político-social e econômico. Em nível político e social, destinou-se, principalmente, a promover o controle social do espaço urbano, visando mediar as contradições e os conflitos que emergiram na disputa pela hegemonia no uso de determinadas localizações do solo urbano entre as classes sociais ou entre os diversos setores das atividades econômicas. O zoneamento atuou como um dos principais instrumentos para garantir a segregação social das classes de alta renda numa determinada porção do território paulistano. Em nível econômico, operou de modo a garantir a manutenção dos mecanismos de valorização da renda fundiária ou imobiliária. Auxiliou também na acumulação capitalista do setor da construção, ao estabelecer melhores condições para a reprodução do capital na cidade. Neste caso, o principal agente social interessado é o setor da produção imobiliária, o grupo econômico que maiores interesses têm no espaço urbano.