REDES TECNOLÓGICAS E A CONSTITUIÇÃO DO TERRITÓRIO PARANAENSE
As redes de cidades são formadas por diferentes escalas de relações sociais que impactam no modo de formação dos espaços urbanos e na constituição do território. O grau destas relações depende do nível de concentração das redes tecnológicas, dando-se de forma mais ou menos intensa e, sendo representado em função da articulação de redes tecnológicas. Este trabalho visa entender qual o papel que as redes tecnológicas exercem na estruturação e fortalecimento de um território, tendo como objeto de análise o estado do Paraná. O desenvolvimento deste trabalho foi pautado na construção de mapas que, historicamente, mostram as relações existentes entre a implantação das redes tecnológicas (neste trabalho foram consideradas as redes de transporte e de telecomunicação), o processo de ocupação e as dinâmicas territoriais. No estado do Paraná a ocupação se deu de três maneiras distintas e bem marcadas na história: a porção leste, onde se encontra a capital, teve seu desenvolvimento de forma espontânea a partir a abertura da rota que ligava São Paulo ao Rio Grande do Sul, mas seu crescimento só passou a ser percebido com a implantação da rede ferroviária. A porção norte do estado teve em seu desenvolvimento um dos maiores exemplos de colonização orientada em virtude da economia do café; sendo assim o processo de ocupação desta região se deu de maneira bastante dinâmica e em ritmo acelerado para suprir as demandas econômicas de São Paulo (para onde escoava a produção cafeeira). Já a porção oeste e sudoeste do estado tiveram suas dinâmicas de ocupação e desenvolvimento bastante recente, tendo seus primeiros sinais de crescimento com os fluxos migratórios provenientes do estado do Rio Grande do Sul na década de 1940, mas os primeiros núcleos urbanos só aparecem com a ampliação da rede viária. Quando se relaciona estes processos de ocupação com a implantação das redes tecnológicas, percebe-se que o fato da porção norte fazer parte do território de São Paulo é resultado de que este possuiu um conjunto de redes tecnológicas mais bem estruturado, tendo a capacidade de conectar este novo espaço em prol da sua economia, enquanto o governo do estado do Paraná não abria vias de interligação e comunicação com esta região. Quando o governo estadual percebe a necessidade de fortificar seu território, passa a ser fundamental a aproximação das porções norte e leste, esta sendo realizada por meio de uma ligação física (estrada de ferro), permitindo que a economia gerada na porção norte pudesse ser escoada para o porto de Paranaguá, ou seja, abastecendo a economia estadual. Desta forma as redes não estão apenas suprindo uma demanda tecnológica, mas estão sendo usadas para a constituição deste território