A presente dissertação de mestrado historiografa e analisa o movimento social contrário à instalação da Unidade Geradora de Energia Termelétrica Carioba
II no município de Americana, estado de São Paulo, movimento este ocorrido no período correspondente ao Licenciamento Ambiental do empreendimento, que foi de 2000 a 2002.
Através da realização de 42 entrevistas com lideranças do movimento em estudo, de levantamento de fontes documentais e de artigos e demais publicações veiculadas na imprensa,
busca-se aprofundar o olhar nas características principais do fenômeno social estudado, em especial nas três cidades em que se manifestou com maior força, a saber: Americana,
Santa Bárbara d'Oeste e Piracicaba. Utilizam-se, principalmente, os ensinamentos de Alberto Melucci e Manuel Castells para o entendimento da nossa sociedade pós-industrial,
dos movimentos sociais e da participação popular, aplicando estes ensinamentos ao movimento social contrário à Carioba II. Associam-se os efeitos da modernidade aos indivíduos,
modificando as suas rotinas e a percepção de tempo e espaço, acentuando a individualização e a necessidade de se manter as citadas rotinas, entre outras conseqüências, enquanto
obstáculos a sua adesão ao movimento social, adesão esta também influenciada pelos seus conhecimentos, experiências, crenças, redes sociais de que participa, entre outros
fatores. Enfatiza-se o caráter plural, poli-classista e fragmentário, decorrente da resistência das comunidades locais, baseadas em sua identidade coletiva e nas tendências
econômicas globalizantes, características essas oriundas e somente possíveis em sociedades complexas, pós-industriais e em rede. Abordam-se também a apropriação, a produção
do conhecimento, pelos atores sociais pertencentes ao movimento, e a sua distribuição, utilizando inclusive as modernas tecnologias para a comunicação direta entre as lideranças
do movimento e desta para com as suas bases.