Nem só de salário vivem as docentes de creche: em foco as lutas do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Campinas (STMC 1988-2001)
O objetivo central da presente pesquisa é a análise de como está sendo construída a profissão docente de creche no seio dos movimentos de resistências culturais, uma vez que a concepção de docência, ora focalizada, vai além do trabalho desenvolvido junto aos meninos e meninas de 0 a 3 anos. Ou seja, a complexidade da formação político-cultural das docentes, é contemplada nesta análise, via escolha do objeto Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Campinas, tratado como um espaço educativo mais amplo, pleno de tensões e de lutas, em que se afirma o conceito de classes sociais. Para tal focalizo, nesta pesquisa, os documentos deste Sindicato, no período de 1988 a 2001, os quais, em sua maioria, foram encontrados na própria entidade. Além destes, compõem a pesquisa, três revistas da área da educação e um caderno de poesias, ambos também publicados pelo Sindicato e hoje encontráveis em meu acervo pessoal. Elegi estas fontes primárias já que foram produzidas diretamente pelos trabalhadores e trabalhadoras, do serviço público municipal de Campinas. Nesta pesquisa concebo as docentes de creche como produtoras de culturas, como sujeitos da história que se constroem nas relações de trabalho, de gênero, de idades, de etnias. Neste sentido, as analiso como pertencentes a uma classe social. Ao mesmo tempo, situo historicamente o Sindicato, focalizando-o através dos tempos em sua composição e organização, destacando nas análises as relações de gênero e a educação infantil. Inicio a tese com uma carta, na qual trago à tona experiências por mim vividas, como docente de creche. Com o objetivo também de contemplar as vozes de outras colegas, docentes de creche, isto é, as monitoras, optei por dar início a cada capítulo com uma ata redigida por elas próprias, a qual, por sua vez, foi destacada dentre os documentos do Sindicato. Na abertura de cada capítulo registro, ainda, uma poesia de autoria de trabalhadoras do serviço público municipal, na tentativa de enriquecer as tessituras analíticas apresentadas. Sendo assim no primeiro capítulo abordo a entidade sindical como um espaço de luta e resistência dos trabalhadores e trabalhadoras, bem como discuto a situação de classe social das docentes de creche. Na sequência, no segundo capítulo enfoco o conceito de docência em creche, através da bibliografia na área. No último e terceiro capítulo contextualizo o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Campinas, tendo como eixo as relações de gênero e a educação infantil nas pautas de lutas da entidade. Finalizo a tese com uma outra carta, na qual abordo a arte de aprimorar-me como docente de creche, no diálogo com as experiências de pesquisa vividas no doutorado. Destaco, finalmente, que descobri, nesta pesquisa, que na trajetória das reivindicações desta categoria, nem só o salário estava presente nas respectivas pautas, e, sim, encontram-se tantas outras reivindicações, tais como a exigência de melhoria da formação docente, mostrando, assim, que nem só de salário vivem as docentes de creche.