A Fundação Leão XIII: Educando os favelados (1947-1964)
A tese investiga o papel político-pedagógico desempenhado pela Fundação Leão XIII (FLXIII), entre os anos 1947 e 1964, no Rio de Janeiro. Nesse período, a problemática da urbanização e do controle social sobre a população mais explorada e expropriada ganhou dimensões econômicas e políticas, considerando o contexto de ampliação dramática das favelas, o crescimento econômico de base industrial, a instauração do sufrágio enquanto parte do jogo político nacional e o acirramento produzido pela Guerra Fria. A pesquisa buscou compreender a particularidade da Fundação na execução de políticas públicas nas favelas nas áreas de urbanização, serviço social, saúde, destacando os seus projetos educacionais desenvolvidos nas suas escolas, cursos de formação profissional, palestras vocacionais e intervenções religiosas. Além da sua função política de organizar a mobilização local de mutirões e associações de moradores, em oposição aos comunistas, políticos clientelistas e lideranças locais autônomas. Observou-se o seu esforço institucional em contribuir pedagogicamente para a formação do cidadão urbano-industrial das favelas. A principal referência teórica da tese é gramsciana, aporte crucial para analisar a FLXIII como parte fundamental da relação entre sociedade civil e o Estado nas favelas, no tortuoso processo de hegemonia. Como base empírica foram utilizadas as seguintes fontes primárias: o relatório SAGMACS, censos sobre favelas, imprensa católica, grande imprensa carioca, registro oral de moradores das favelas, relato da diretora do setor de Serviço Social da FLXIII, Maria Luiza Moniz de Aragão e a imprensa do PCB. Evidencia-se, assim, o desenvolvimento do campo da educação enquanto fonte produtora de consenso e de disciplinamento nas favelas.