Antropologia

A formação de públicos cinéfilos: circuitos paralelos, museus e festivais internacionais

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Pires, Bianca Salles
Sexo
Mulher
Orientador
Boas, Glaucia Kruse Villas
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
Rio de Janeiro
Programa
Sociologia e Antropologia
Instituição
UFRJ
Idioma
Português
Palavras chave
Públicos de cinema
Cinéfilos
Museus
Mostras de cinema
Festivais de cinema
Resumo

A formação de públicos de cinema nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo é o tema desta tese, que investiga as mostras de cinema como tempo-espaço privilegiados para a expressão de estilos de vida cinéfilos. O caminho adotado para a investigação foi traçar uma sócio-história dos festivais cinematográficos de caráter internacional organizados nas duas cidades, compreendendo de que maneira a promoção de eventos possibilitou a circulação de obras e a formação de públicos para filmografias que não eram exibidas nos circuitos regulares. O movimento impulsionado por críticos de cinema, diplomatas, realizadores e estudantes, promoveu a criação de circuitos paralelos de exibição, que foram incentivados e organizados pela cinemateca do museu de arte moderna do rio de janeiro e pelo departamento de cinema do Museu de Arte de São Paulo, desde o final dos anos de 1950. A partir da pesquisa hemerográfica e da análise de materiais impressos produzidos pelos museus, onde estão disponíveis referências às programações de ciclos retrospectivos, mostras compostas por filmes inéditos e sessões especiais promovidas em salas de cinemas de arte/alternativos nas cidades, compreendemos a abrangência e importância dos eventos programados pelas instituições de arte para a formação dos públicos cinema no decorrer dos anos de 1960 ao início dos anos de 1980. Um dos desdobramentos desses movimentos empreendidos a partir dos museus foi a fundação de festivais internacionais de cinema, que se fixam nos calendários anuais das duas cidades promovendo o tempo-espaço para o encontro anual dos cinéfilos. A partir da etnografia realizada na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e no Festival do Rio (2015-2017) me aproximo de algumas das características das culturas cinéfilas contemporâneas.

Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Cidade/Município
Rio de Janeiro
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Rio de Janeiro
Referência Temporal
Final dos anos 1950-2018
Localização Eletrônica
https://minerva.ufrj.br/F/?func=direct&doc_number=000921990&local_base=UFR01

"Ô, dá licença mulher preta vai falar": Sarau das Pretas e a poética da liberdade

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Oliveira, Janaina Aparecida Alves de
Sexo
Mulher
Orientador
Fonseca, José Dagoberto
Ano de Publicação
2020
Local da Publicação
Araraquara
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNESP
Idioma
Português
Palavras chave
Mulheres pretas
Ancestralidade
Cultura
Sarau das Pretas
Resumo

Este trabalho busca compreender o protagonismo de mulheres negras na produção cultural da cidade de São Paulo, tomando como ponto de partida o Sarau das Pretas, que é desenvolvido por e para mulheres pretas. As apresentações do sarau acontecem de modo itinerante pelas regiões da cidade e do estado, fazendo com que mulheres de diferentes periferias e/ou centralidades se encontrem para debater sobre o feminino, a periferia e a ancestralidade. A partir do trabalho de campo foi possível identificar que o grupo tem enquanto propósito a difusão das produções artísticas de mulheres negras, bem como estimular o processo de empoderamento da população negra e periférica. Toda a estética das apresentações é pensada para construir um espaço de representações simbólicas da cultura afro-brasileira. Com base na observação participante e da participação observante, buscamos articular a constituição destes espaços de protagonismo do feminino, seus sentidos e significados. Para tanto o levantamento bibliográfico se pautou em teorias de intelectuais pós coloniais, que nos permitiram compreender o contexto sócio-histórico do Brasil.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2018-2020
Localização Eletrônica
https://repositorio.unesp.br/items/fc91b701-27f7-4926-9318-3e29b4375d1a

Moda e identidade social: um estudo de caso da favela de Paraisópolis em São Paulo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Nunes, Carolina Wolff
Sexo
Mulher
Orientador
Borin, Marisa do Espírito Santo
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Ciências Sociais
Instituição
PUC/SP
Idioma
Português
Palavras chave
Moda
Identidade
Consumo
Resumo

Esse trabalho tem como objetivo analisar a moda enquanto identidade do sujeito que a usa e sua relação com o espaço em que está inserido. Para realização deste objetivo foi feita uma pesquisa sobre os hábitos de consumo de moda na periferia da cidade de São Paulo, com foco na favela de Paraisópolis, através de seus moradores, de suas lojas de moda e do projeto "Periferia Inventando Moda" - PIM, localizado no interior desta comunidade. O projeto PIM usa a lógica da moda como um fator de inclusão social, aliado à capacitação profissional. A partir do vestuário e dos espaços que a moda ocupa na vida social, pelo olhar do consumo e das lojas de moda encontradas em Paraisópolis, procura-se identificar elementos constitutivos da cultura, da identidade e da representação social das pessoas que lá vivem. Parte-se da premissa de que a moda é parte importante na construção identitária das pessoas. A metodologia utilizada se apoiou em abordagem qualitativa, especialmente em entrevistas semiestruturadas, com lojistas, moradores, com os dois líderes do referido projeto e seus alunos, assim como, em observação participante, durante os eventos de moda realizados em Paraisópolis pelo PIM.

Referência Espacial
Zona
Zona Sul
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Paraisópolis
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
Década de 2010
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoconclusao/viewtrabalhoconclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=8020942

Metroshopping: uma etnografia sobre os ambulantes do metrô do Recife

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Ribeiro, Rafael Soares
Sexo
Homem
Orientador
Fontes, Breno Augusto Souto Maior
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
Recife
Programa
Sociologia
Instituição
UFPE
Página Inicial
10
Página Final
125
Idioma
Português
Palavras chave
Informalidade
Organização
Sociabilidades
Resumo

A cada dia, o comércio informal cresce exponencialmente, configurando-se como uma válvula de escape e uma saída de emergência para centenas de pessoas desempregadas, ou para aquelas que não se enquadram com as exigências do mercado formal e para outras que optam por uma via de empreendedorismo. Recentemente, os complexos metroviários se tornaram um espaço frutífero para esses trabalhadores. Esta forma de comércio varia de quiosques montados próximos das plataformas até vendedores ambulantes que percorrem a extensão do transporte e das plataformas vendendo suas mercadorias. São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Recife retratam os diferentes tipos de comércio dentro das estações de metrô. Tendo em vista este cenário, o objetivo dessa pesquisa foi observar, descrever, analisar e interpretar os arranjos e a estrutura social construída pelos ambulantes que atuam no sistema metroviário do Recife. Além das ações guiadas pela imersão do ambulante na estrutura, procurou-se ressaltar as atuações, as performances e suas estratégias nas ações econômicas desses ambulantes. Descrevi em relação à organização os posicionamentos dos ambulantes na rede social criada por eles, categorizando-os em fixos, semifixos, ambulantes e siris. Nestas posições destacam-se a função de cada um em relação às formas de agrupamento, as normas estabelecidas, as estratégias de venda e de segurança, as performances e, para alguns, os circuitos de venda. Por fim, descobri que os alicerces fundamentais para a existência de uma rede de ambulantes são os processos que envolvem as sociabilidades e o dom.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Recife
Macrorregião
Nordeste
Brasil
Habilitado
UF
Pernambuco
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/43028

“Não é preconceito, é gosto pessoal”: intersecção de marcadores de diferença social em mídia digitais, eventos e fluxos em Bauru/SP

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
De Cicco, Shelton Ygor Joaquim
Sexo
Homem
Orientador
Silva, Larissa Maues Pelucio
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
Marília
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNESP
Idioma
Português
Palavras chave
Gays
Mídias digitais
Marcadores de diferença social
Resumo

Esta dissertação parte do preconceito entre um e outro gays, denominado “preconceito interpares”, veiculado em relações sociais virtuais e atuais, para descobrir como os agentes criam agenciamentos coletivos para subvertê-lo. Os problemas de pesquisa que este tema suscita são: como este preconceito funciona? Quais cruzamentos de marcadores de diferença social são mobilizados? Que elementos da vida social são acionados? O objetivo principal é estudar e descrever de maneira abrangente como o preconceito interpares funciona entre gays, segundo os marcadores de diferença social (principalmente classe social, cor/etnia/“raça”, gêneros e sexualidades e subsidiariamente escolaridade e pertencimento geracional) para compreender como os agentes rompem com as normativas. O campo de pesquisa foca na cidade de Bauru, no Noroeste paulista, e na população de gays entre 18 e 35 anos de idade. Utiliza de observação participante em locais de sociabilidade de LGBT+. Para dar conta do objeto e do problema, a pesquisa divide-se em dois momentos. Inicialmente, observa o ambiente virtual de uma mídia digital com geoposicionamento, voltada para socialização e relacionamentos afetivo-sexuais da referida população de gays, desenvolvida para telefones inteligentes (aplicativo de smartphones). Em um segundo tempo, analisa os eventos que atraem fluxos de pessoas e desejos até a cidade em questão, notadamente o X encontro da diversidade e o Interunesp, ambos os quais tiveram lugar em Bauru em 2017. Ainda nesta etapa, o pesquisador participa como observador de locais de sociabilidade tais como parques, saunas, centros de compras, cinemas e outros locais de lazer. As técnicas de pesquisa empregadas são entrevistas em profundidade, abordando depoimentos dos interlocutores sobre as mídias digitais, os eventos e a sociabilidade promovida em cada ocasião; e metrificação dos aplicativos segundo as informações publicadas pelos usuários. Do entrecruzamento de eventos sociais atuais, em cinemas, saunas, encontros da diversidade dentre outros, com os dados do aplicativo na cidade sob escrutínio, envida esforços para compreender a fundo as intersecções dos marcadores de diferença social e a percepção dos agentes sobre o tema e o problema. Valoriza os fluxos de pessoas e desejos, devido tanto pela fluidez própria do território virtual como pela especificidade do horizonte teórico aqui privilegiado, qual seja, a teoria deleuze-guattariana. Esta teoria é importante por tratar de fluxos, polaridades e possibilidades de fuga aos binarismos, dando conta de modo mais contundente do funcionamento do fenômeno sob análise aqui e dos acontecimentos concretos selecionados. Autores/as da teoria queer são instados a auxiliar na análise. Também cientistas sociais que analisam as sexualidades no ambiente urbano oferecem ferramentas importantes para estudar territórios e fluxos. Este estudo ainda tem o cuidado de inserir os casos sob escrutínio na conjuntura brasileira atual, em que se pode observar retrocessos de direitos sociais e desmonte do Estado. Por isso mesmo, aborda a percepção política e a atitude dos agentes, neste ponto seguindo os estudos brasileiros sobre política, história e sexualidade no Brasil para compreender os fundamentos históricos das relações sociais brasileiras para com a política. Ao final, espera haver oferecido uma contribuição para o debate que tange à população e ao problema, mostrando a importância de dialogar com os referenciais escolhidos, especialmente na área da antropologia social.

Referência Espacial
Cidade/Município
Bauru
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2017
Localização Eletrônica
https://bdtd.ibict.br/vufind/Record/UNSP_524448dfab15eddc0628d1e3b835e4a4

“És o que fomos, serás o que somos”: o processo de ressignificação dos espaços cemiteriais e das práticas funerárias

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Melo, Árife Amaral
Sexo
Homem
Orientador
Schumacher, Aluisio Almeida
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
Marília
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNESP
Idioma
Português
Palavras chave
Ressignificação
Cemitérios
Práticas funerárias
Racionalização
Resumo

A presente tese pretende interpretar os espaços cemiteriais e as práticas funerárias a eles relacionados, visando compreender a existência de um processo de ressignificação relacionado a ambos. Esse processo se dá a partir do que pode ser observado na maioria dos cemitérios tradicionais: visualmente, é possível observar que nesses cemitérios existe um contraste estético, no qual os jazigos mais antigos apresentam diversos elementos simbólicos e alegóricos relacionados a valores religiosos, ao passo que em jazigos mais novos esses elementos são cada vez mais raros ou simplesmente inexistem. Coube à pesquisa, através de visitas a alguns cemitérios em cidades do Estado de São Paulo e do Paraná, observar e identificar os elementos que permeiam esse contraste. Observou-se que não somente os espaços cemiteriais, mas também as práticas funerárias vinculadas a eles se encontram em constante mudança. Essas mudanças, impulsionadas pela secularização e pela racionalização, afetaram o significado do espaço cemiterial e das atitudes perante a morte, haja vista que até mesmo a visão que se possuía sobre a morte, antes norteada por valores religiosos, aos poucos é subjugada por uma visão de mundo racionalizada. Nesse sentido, surgem “cemitérios de novo tipo”, cuja configuração, de caráter tecnicista e racional, se estende às práticas funerárias, nas quais seu tecnicismo se aprofundou em detrimento dos aspectos ritualísticos religiosos. Como incremento a esse processo, existe a mercantilização das práticas funerárias, que aprofunda as formas de distinção social já existentes anteriormente, criando constantemente produtos e serviços direcionados aos enlutados, tratando-os como consumidores. Essa mercantilização, que se apropria da racionalidade da execução das práticas funerárias, uma vez comercializadas e terceirizadas, passam a coexistir com a religiosidade no que se refere à atenuação da dor da perda.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Macrorregião
Sul
Brasil
Habilitado
UF
Paraná
Referência Temporal
2015-2019
Localização Eletrônica
https://repositorio.unesp.br/items/0575357c-6c46-41e1-99a3-ca1f49a556d1

"Bradando contra todas as opressões!": uma etnografia sobre teias e trocas entre ativismos LGBT, negros, populares e periféricos (Campinas, 1998-2018)

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Zanoli, Vinícius Pedro Correia
Sexo
Homem
Orientador
Facchini, Regina
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
Campinas
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNICAMP
Idioma
Português
Palavras chave
Movimentos Sociais - Brasil
Antropologia política - Brasil
Redes de relações sociais
Grupo ativista "Aos Brados!!"
Ações coletivas brasileiras
Resumo

Esta pesquisa contribui para o conhecimento acerca de ações coletivas no Brasil contemporâneo a partir da análise das articulações entre estruturas de oportunidades, enquadramentos políticos, redes de relações e repertórios de atuação de ativistas. A etnografia focaliza as relações estabelecidas ao longo de 20 anos por um grupo ativista, o Aos Brados!!. Desde Campinas, metrópole situada no interior do estado de São Paulo, o grupo atua na intersecção entre movimentos LGBT, negros, populares e de periferia. Esse olhar para as relações situa a trajetória do grupo e a dos atores com os quais se relaciona frente a mudanças que se dão, em âmbito nacional, na estrutura de oportunidades – permeabilidade do Estado a demandas oriundas de movimentos sociais e desenvolvimento de ferramentas de participação socioestatal, reconhecimento estatal, democratização da internet e do acesso ao ensino superior – e nos enquadramentos produzidos no interior dos campos discursivos de ação que articulam diversos movimentos sociais. Além disso, analisa, por meio da trajetória do grupo Aos Brados!! e de sua principal liderança, o modo como tais atores produzem, no cotidiano da política em âmbito municipal, apostas políticas que acionam determinados repertórios de atuação. A etnografia mostra os vínculos entre estruturas de oportunidades, repertórios e enquadramentos, mas salienta a importância das redes de relações em fazer circular convenções e repertórios que resultam nas apostas políticas efetivamente empreendidas pelo grupo. A metodologia articula observação participante, análise documental e entrevistas em profundidade. A fim de evitar delimitações arbitrárias da rede de relações, o procedimento adotado foi seguir as relações da mais antiga e conhecida liderança do grupo, o que possibilitou atravessar fronteiras entre porções de uma teia constituída por relações entre atores políticos tão variados quanto gestores de políticas públicas, vereadores, sindicatos, partidos políticos, casas de cultura, clubes sociais, coletivos jovens, terreiros de umbanda e candomblé e ONGs, e que atuam em temáticas diversas, mobilizando repertórios distintos.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Campinas
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
1998-2018
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=7731027

Fazer festa é uma guerra: relações entre vestidos, noivas, anfitriões e convidados na organização de casamentos

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Bueno, Michele Escoura
Sexo
Mulher
Orientador
França, Isadora Lins
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
Campinas
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNICAMP
Página Inicial
20
Página Final
245
Idioma
Português
Palavras chave
Casamento
Conflito social
Parentesco
Diferenciação
Consumo
Resumo

Uma festa de casamento não é ocasião qualquer. Organizada sob muita expectativa, cuidado e apreço, uma festa como esta é frequentemente descrita como a realização de um sonho de vida e não raro demanda anos para sua preparação. Extraordinária, feita para ser única, é produto de um intenso engajamento de seus anfitriões e, no Brasil, é também composta em relação direta a um mercado especializado em eventos que, por ano, tem movimentado mais de R$ 17 bilhões. Desde 2015, nessa pesquisa busquei compreender o que circula junto com o dinheiro nesse cenário. Aliando observação participante a entrevistas em profundidade, analisei o processo de organização de celebrações de casamento orçadas entre R$ 20 mil e R$ 300 mil em São Paulo (SP) e Belém (PA). No trabalho de campo, percorri diferentes lojas de vestidos de noivas pelos territórios do mercado paulista e, dali, somei noivas e noivos à minha rede interestadual de interlocutores. Já ao lado dos anfitriões da festa, acompanhei-os na rotina de preparação dos eventos, me inserindo em suas redes familiares e em diferentes ocasiões de interação com outros agentes do mercado. Nessa tese, apresento uma etnografia sobre as relações entre vestidos, noivas, anfitriões e convidados durante o processo de organização de casamentos. Dividido em duas costuras analíticas, o texto é fruto de um experimento antropológico que apostou nos conflitos como caminho de investigação sobre as relações. Cada capítulo persegue um conjunto específico de disputas: o embate entre preços e valores dos vestidos na concorrência do mercado; as fronteiras morais e corporais na produção material da noiva; as brigas entre anfitriões na batalha pelo comando da festa e dos limites da família e, por fim, as expectativas e as dívidas cobradas em retribuições dos convidados. Entre sacrifícios pessoais, financeiros e corporais, aqui evidencio que uma festa de casamento apenas se dá depois de um destacado e conflitivo processo de negociação. Nele, por um lado, as interações comerciais e o consumo de vestidos de noivas provocam reflexões sobre articulação entre gênero, raça e corporalidade em uma materialização de valor e distinção entre coisas e pessoas que se justapõem às dimensões de classe. E, por outro lado, os relatos íntimos sobre os preparativos da festa evidenciam as formas pelas quais as relações pessoais são espessadas ou diluídas em um parentesco feito na prática e por vinculações que são, contudo, permeadas por hierarquias. No tempo investido na preparação do evento, valores de coisas, de pessoas e relações estão sempre sendo reavaliados. E, concomitante à produção da festa, prestígios e reputações são forjados e manejados numa dinâmica em que reciprocidade e aliança não excluem também a produção de desigualdades.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Cidade/Município
Belém
Macrorregião
Norte
Brasil
Habilitado
UF
Pará
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://repositorio.unicamp.br/acervo/detalhe/1088544

Entre sociais, roles e bailes: uma etnografia dos entretenimentos juvenis no Capão Redondo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Pinto, Felipe de Souza
Sexo
Homem
Orientador
Silva, José Carlos Gomes da
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
Guarulhos
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNIFESP
Página Inicial
10
Página Final
110
Idioma
Português
Palavras chave
Antropologia Urbana
Lazer
Periferia
Juventude
Resumo

Esta etnografia observa os entretenimentos juvenis no Capão Redondo, distrito da periferia da Zona Sul da capital paulista. Tomando como ponto de partida minhas experiências como professor de sociologia para o ensino médio na Escola Pública Estadual Paulista - além de minha carreira como pesquisador -, busco compreender como a juventude realiza quatro de seus vários lazeres: a social, o rolê, a party e o baile. Através do conhecimento e da manipulação de suas situações econômicas, históricas, políticas e sociais, dos seus imaginários de diversão e de suas redes de relações, proponho uma interpretação pautada na categorização dessas atividades, levando em consideração o número de pessoas vinculadas, o grau de suas relações, o local em que elas acontecem, o tempo de organização das mesmas, suas estruturas e, por fim, o quanto elas são cotidianas ou extraordinárias.

Disciplina
Referência Espacial
Zona
Zona Sul
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Capão Redondo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://repositorio.unifesp.br/items/98cb7cdf-52da-4735-8d41-4a5fe47aa4ad

Entre pedaços, corpos, técnicas e vestígios: o Instituto Médico Legal e suas tramas

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Nadai, Larissa
Sexo
Mulher
Orientador
Gregori, Maria Filomena
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
Campinas
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNICAMP
Idioma
Português
Palavras chave
Medicina Legal
Documentos Oficiais
Estado
Gênero
Sexualidade
Resumo

Esta tese de doutorado se debruça sobre técnicas, procedimentos e tramas políticas e institucionais que dão sustentação ao Instituto Médico Legal (IML) enquanto uma corporação policial, técnica e científica. Ao dar atenção a tais engrenagens, eu intento, por um lado, transpor as dificuldades impostas à minha pesquisa, e, por outro, evidenciar as relações, por vezes intrincadas, que conectam esta corporação a uma gama variada de instâncias estatais: polícias, universidades, órgãos públicos etc. Para tanto, busquei tomar o IML de Campinas como uma circunscrição empírica, cujas fronteiras são móveis e construídas mediante meus próprios percursos de investigação. Nesse sentido, o indeferimento de minha solicitação de pesquisa protocolada junto à Comissão Científica do IML, em São Paulo, tece as costuras que organizam a tese. Dos "balcões" e "checkpoints" impostos à investigação, eleva-se um emaranhado de fragmentos: minuciosas técnicas de documentar a documentação, aulas de medicina legal, textos canônicos destinados à disciplina, laudos de corpo de delito, técnicas de necropsia, além de carreiras, vaidades e conflitos institucionais. Por efeitos de similitude e contraste, os documentos periciais destinados aos crimes de estupro e ato libidinoso, acessados ainda em minha pesquisa de mestrado, iluminam as tramas políticas, midiáticas e institucionais que enredam casos e peritos. Enquanto a ideia de pedaço materializa o sexo de certas mulheres por meio de himens, fissuras e (in)conclusões periciais, tais tramas requalificam o fazer padronizado e burocrático posto em ação nessa corporação. É, também, nesse entrecruzamento produtivo que um tipo bastante específico de autoridade técnico-científica é forjada e, continuamente, colocada em risco por meio de materialidades periciais, corpos, pedaços e vestígios.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Campinas
Bairro/Distrito
Botafogo
Logradouro
Rua Barão de Parnaíba
Localidade
Instituto Médico Legal
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://repositorio.unicamp.br/acervo/detalhe/1043470