Arte e estética
Alcântara Machado: testemunha da imigração
Artes plásticas no Brasil de hoje
O ciclo do carnaval nos campos de futebol de várzea paulistanos: sonoridades e batucadas
Os campos de futebol de várzea de São Paulo/SP representam importantes lugares de encontro e sociabilidade da população, desde os bairros populares da cidade em transformação, nos meados do século passado, às quebradas periféricas da metrópole contemporânea. Legados de processos de apropriação do espaço para a prática do jogo, nas primeiras décadas do século XX, esses campos passaram a vincular, para além dos futebóis, múltiplas referências culturais que confluem para um sentido de pertencimento. Desta gama de práticas, significados e memórias, esse artigo se dedica às sonoridades destes lugares do futebol popular, com ênfase numa forma de expressão do samba de São Paulo enredada, historicamente, ao ciclo do carnaval e ao circuito do futebol varzeano: as batucadas de beira de campo.
O Descompromisso do Estado e a Ascensão da Cultura de Alto Consumo
Identidades e metamorfoses na denominação dos jogadores de futebol no Brasil
Buscaremos refletir aqui sobre certos aspectos da designação dos jogadores brasileiros de futebol na contemporaneidade e sobre determinadas interpretações desse fenômeno, a partir de contribuições das ciências da linguagem, em geral, e da Análise do discurso francesa, em particular. Com vistas a empreender tal tarefa, compusemos um corpus constituído por crônicas, entrevistas e ensaios, no qual vislumbramos inicialmente duas formações discursivas, ou seja, a “brasilianista” e a “colonial”. Após breve consideração dos discursos da imprensa sobre a nomeação desses jogadores, cotejamos esses discursos com algumas razões e funções dos nomes próprios, no intuito de melhor compreendermos eventuais especificidades do fenômeno e sua alegada descaracterização.
Desafinando a metáfora da nação
A partir da noção de metáfora, o artigo discute as relações entre futebol e cinema, buscando evidenciar diferentes possibilidades de apropriação do esporte pela linguagem cinematográfica. Para isso, aborda dois filmes da última década, em que o futebol ocupa uma posição importante e estabelece relações metafóricas com outros elementos da narrativa. Esses filmes são: O milagre de Berna, dirigido pelo alemão Sönke Wortmann e lançado em 2003, e O ano em que meus pais saíram de férias, do brasileiro Cao Hamburger, lançado em 2006. Um filme alemão e outro brasileiro, ambos recuperando momentos importantes do passado esportivo e político dessas duas nações.
A crônica esportiva como missão: José Lins do Rego, a construção do Maracanã e o significado da Copa do Mundo de 1950
O artigo revisita o significado da Copa do Mundo de 1950 para o Brasil, à luz de uma série de crônicas esportivas do escritor José Lins do Rego, publicadas no Jornal dos Sports, entre 1946 e 1950. O argumento procura demonstrar os pressupostos e as motivações que levaram o romancista paraibano a se engajar, por meio de sua coluna diária “Esporte e Vida”, na campanha em prol do Mundial de 1950. Tal engajamento esteve longe de ser uma postura isolada e compartilhou a posição geral do periódico, comandado pelo empresário e jornalista Mario Filho. Em um momento em que as personalidades da política de esportes no Brasil transitavam pelas posições opinativas daquele jornal, de considerável projeção na cidade do Rio de Janeiro, Lins do Rego exercia as funções tanto de cronista quanto de dirigente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD). Este dado biográfico permite elucidar parte do teor de suas crônicas e explica seu entusiasmo com, pelo menos, três aspectos do torneio: a construção de um estádio público na capital da República; o brio e o orgulho nacional com a capacidade de realização do Mundial de 1950; e o apoio incondicional à performance dos jogadores da Seleção Brasileira, mesmo após a inesperada derrota para os uruguaios.
A questão nacional na América Latina
Mário de Andrade e Roberto Arlt: Visões da Cidade Moderna
No início do século XX, a modernização impôs às literaturas latino-americanas a difícil tarefa de lidar com as cidades em radical transformação. Para acompanhar o ritmo das mudanças, os escritores encontraram no universo discursivo da imprensa, em sua roupagem moderna, espaços alternativos para a criação literária. O entrecruzamento de jornalismo e literatura gerou modos de expressão mais alinhados com os novos tempos, os quais experimentaram com criativas combinações entre o conto e a crônica. Essa dissertação estuda como os escritores Mário de Andrade e Roberto Arlt realizaram tal combinação para representarem, respectivamente, as cidades de São Paulo e Buenos Aires, nos anos 1920 e 1930. Para isso, selecionamos os livros que apresentam estruturalmente uma relação com a imprensa local e que tratam da dinâmica de vida urbana. Em um caso, abordamos os contos de El Jorobadito, de Roberto Arlt, publicado em 1933, que consiste em uma compilação de relatos que haviam saído em revistas e jornais nos quais o autor trabalhava como cronista. Em outro caso, abordamos o projeto literário cuja figura central é o narrador oral Belazarte, personagem criado por Mário de Andrade na série Crônicas de Malazarte, publicada na revista América Brasileira, entre 1923 e 1924. A comparação dessas textualidades, bem como dos autores aqui estudados, é sugerida em um ensaio de Richard Morse (1985), no qual ele aponta a relevância de se analisar esses dois casos para uma compreensão crítica da experiência de modernidade urbana de início do século XX na América Latina, atendendo em particular a visões de cidade como arenas onde se disputam diferenças e desigualdades sociais e culturais.