O Grafite como discurso de (Re)Existência na Ladeira da Preguiça
Trata-se da Análise do Discurso de re(existência) na Ladeira da Preguiça sob a ótica da linha francesa, filiada á Teoria Pêcheutiana. Tomaram-se como operador de análise os conceitos de memória, sujeito discursivo e forma de silêncio, para investigar quais discursos são materializados pelos grafites elaborados para eventos políticos-culturais na localidade da Ladeira da Preguiça em Salvador/Ba. Fundada no século XVI, é a segunda ladeira da primeira capital do Brasil, atualmente classificada como uma das “cracolândias” da metrópole baiana, pelo grande número de dependentes químicos e/ou pessoas em situação de rua, um dos motivos para ser marginalizada e sofrer com o preconceito social. Um dos mecanismos encontrados pela comunidade, para alterar está realidade, foi através dos grafites, produzidos nas fachadas das casas e nas faixas que compõem as manifestações culturais promovidas pelos “preguiçosos”, com intuito de resgatar a cidadania e identidade local. Constitui-se assim, discursivamente como uma comunidade que emerge sentidos no espaço urbano. O grafite, linguagem que era repudiada pela organização da cidade - por revelar o que o discurso dominante por muito tempo tentou silenciar – faz retomar o sentido histórico através de seu interdiscurso e, hoje, é utilizado pelos moradores para romper o silêncio social e institucional ao qual são submetidos. Discutem-se os possíveis efeitos de sentidos gerados pelos grafites, destacando seu papel como linguagem, e sua importância como testemunho histórico e social, consequentemente, como operador da memória discursiva. Sua leitura forneceu elementos para uma análise contemporânea, que o concebeu como objeto simbólico, produtor de sentido, com características conceptuais e estéticas próprias, apontando questões sobre o contexto sócio-histórico-ideológico no qual foi produzido. Deste modo, o grafite contribui com a memória social como um contradiscurso, que rompe o silenciamento e a relação do público e do privado, de forma subversiva. Materializa-se como prática contra hegemônica, dos lugares de produções dos dizeres. Por conseguinte, o material aqui analisado apontou para as condições de produção, dos dizeres nele contidos, revelando a realidade social da comunidade da Ladeira da Preguiça, bem como a posição dos sujeitos dos dizeres, frente à problemática social na que estão submetidos.