Moradia, Corporeidade e Desenvolvimento Humano em Espaços Liminares: um estudo sobre formas de subjetividade na favela
Esta pesquisa abordou a experiência de construção e revelação de subjetividades (individuais e coletivas) concretizadas em espaços de moradia (privados e públicos) numa comunidade fronteiriça - São José - Favela do Jardim Peri, periferia de São Paulo. Para realização desta investigação foram selecionadas quatro famílias, fundadoras de São José. Foi desenvolvida uma observação participante por três anos e foram captados depoimentos tendo como foco a reconstrução da história do movimento comunitário e a transformação do espaço fisico-geográfico. Foram analisadas formas de ser e de morar numa zona de transição, a favela, espaço considerado como liminar, sendo marcado pela instabilidade geográfica, social e existencial. Os modos de apropriação do espaço na favela revelam formas híbridas de subjetividade e de moradia que articulam experiências de enraizamento e desenraizamento no cotidiano, construindo a possibilidade de reapropriação da cultura da comunidade de origem pelos sujeitos. Estes aspectos revelam símbolos vinculados a um conceito ampliado de desenvolvimento humano. Apesar da condição de liminaridade, as casas tornam-se sólidas quando construídas em redes de solidariedade, pois são habitadas por corpos-sujeitos imersos em suas tradições culturais.