Modo de vida, imaginário social e cotidiano

A agência dos subalternos: movimentos sociais da costura no Brasil e na Argentina

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Guirado Neto, José
Sexo
Homem
Orientador
Braga Neto, Ruy Gomes
Código de Publicação (DOI)
https://doi.org/10.11606/T.8.2019.tde-20112020-212928
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Sociologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Agência
Costura
Dinâmicas de Ação Coletiva
Movimentos Sociais
Redes Sociais
Resumo

Nesta pesquisa, analisamos a agência dos subalternos da costura da Região Metropolitana de São Paulo e da Grande Buenos Aires que assumiram contemporaneamente a forma de movimentos sociais. Nesse sentido, dois são nossos objetivos centrais. Primeiro, desvendar como, mesmo em um contexto restritivo, imigrantes bolivianos criaram três agrupamentos (dois compostos por donos de micro confecção e um por costureiros) e teceram redes sociais complexas – com ONGs de direitos humanos, de direitos dos imigrantes e de promoção da cultura imigrante, centrais sindicais, agentes da mídia, empresas recuperadas por trabalhadores, cooperativas de catadores, órgãos dos poderes públicos local, regional e nacional, agentes políticos, coletivos universitários e organizações ligadas à costura – que deram origem a dois complexos movimentos sociais de baixo com características adversas. Segundo, deslindar as dinâmicas da ação coletiva empregada por esses movimentos ao tentarem esculpir um espaço para acomodar seus interesses no interior das sociedades civis e dos estados brasileiro e argentino. Para tanto, empregamos uma teoria dos movimentos sociais baseada na noção gramsciana de subalternidade.

Disciplina
Referência Espacial
Região
Região Metropolitana de São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
País estrangeiro
Argentina
Especificação da Referência Espacial
Grande Buenos Aires
Referência Temporal
2015-2019
Localização Eletrônica
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-20112020-212928/pt-br.php

A Vila e a Prisão: novas perspectivas do conceito de prisionização

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Rossler Junior, Eduardo Henrique
Sexo
Homem
Orientador
Sinhoretto, Jacqueline
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
São Carlos
Programa
Sociologia
Instituição
UFSCAR
Idioma
Português
Palavras chave
Prisões
Sistema prisional
Prisionização
Memória
Resumo

Este trabalho situa-se dentro do campo da sociologia das prisões. Mais especificamente, no processo de apreensão e atualização dos estudos sobre os efeitos do sistema prisional em determinados grupos da sociedade, a prisionização. O objeto de interesse é a chamada “vila”, um grupo de casas destinadas aos gestores do complexo penitenciário Campinas-Hortolândia, no interior do Estado de São Paulo, localizada a menos de 60 metros dos muros da prisão. Este trabalho tem a intenção de observar e analisar micro-relações entre os moradores e ex-moradores desta localidade, todos gestores prisionais e seus familiares, e de que maneira a prisão e a prisionização contribuem para a organização do seu cotidiano. Em consonância com as mudanças nas políticas públicas do sistema penitenciário paulista, como a expansão das unidades prisionais, seu controle pelas facções criminosas e da guerra contra as drogas, este trabalho buscou apreender como essas questões foram administradas por esse grupo na busca por estratégias de manutenção da normalidade das relações sociais estabelecidas neste local. Através de entrevistas e da reconstrução da memória coletiva do grupo, foi possível perceber que a influência da prisão gera não apenas uma mudança no discurso sobre a insegurança no plano consciente, mas também um processo profundo de subjetivação da lógica prisional, reorganizando as estratégias para garantia da coesão e solidariedade do grupo. Através de um processo simbiótico (entre prisão e vila) e conflitante, as relações observadas se mostraram como um esforço constante das famílias em reforçar e ressignificar os elementos da instituição familiar e de comunidade, por meio de adaptações que reagem ao cotidiano prisional. Essas adaptações são incorporadas ao cotidiano e normalizadas, transformando-se de objetos de disrupção da ordem em elementos que fazem parte da constituição da própria comunidade. Nem dentro, nem fora, mas através da prisão, a vila torna uma comunidade sui generis, uma exacerbação da influência da prisão nos grupos que afeta. Na vila dos gestores, as distinções entre público e privado se enfraquecem, na medida em que a solidariedade entre os membros se fortalece. Isto causa, como procurei demonstrar, uma comunidade com um alto grau de interdependência, o que acaba resultando em um comportamento ímpar, descolado da sociedade ampla. Também foi possível observar os dilemas e a grande dificuldade de readaptação dessas famílias ao convívio com a sociedade, principalmente no momento em que se desligam dos cargos e encerraram as conexões com a comunidade da vila.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
Campinas
Localidade
Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2017-2019
Localização Eletrônica
https://repositorio.ufscar.br/handle/ufscar/11608?show=full

Quando canta a liberdade: a desinstitucionalização da mulher egressa do sistema prisional paulista

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Garcia, Paula Paschoal Rodrigues
Sexo
Mulher
Orientador
Sinhoretto, Jacqueline
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
São Carlos
Programa
Sociologia
Instituição
UFSCAR
Idioma
Português
Palavras chave
Encarceramento
Mulheres egressas
Desinstitucionalização
Apresentação do self
Resumo

A presente pesquisa surge do cenário do aumento vertiginoso do número de mulheres encarceradas no Brasil e os efeitos da punição na vida dessas mulheres. O objetivo da pesquisa foi compreender o processo de desinstitucionalização, iniciado desde o período de cumprimento da pena privativa de liberdade, através da vivência da mulher egressa do sistema prisional paulista sobre como enfrentam essa passagem.

A metodologia consistiu na realização de entrevistas auxiliadas por tópicos-guia com quatro mulheres egressas. O trabalho de campo também envolveu o acompanhamento de atendimentos com egressos e seus familiares, além de conversas informais com membros de organizações sociais. Esta pesquisa pretendeu contribuir para compreender os mecanismos de poder das instituições, questões relativas a gênero na realidade institucional e pós-institucional, os efeitos do cárcere nas interações e negociações em liberdade e a importância de políticas públicas voltadas às mulheres.

Após o período das grades, as mulheres desenvolveram estratégias para lidar com o estigma e a falta de apoio por meio de diferentes apresentações do self, conquistando mais espaço. O processo até alcançar a liberdade apresenta-se como algo meramente burocrático, e a “assistência” permanece no viés da punição, contribuindo para a disseminação de preconceitos.

Outros pontos que a análise da realidade das mulheres egressas demonstra incluem vivências marcadas pela precarização do trabalho, fragilidade de vínculos, ausência de informações e acesso precário a direitos e à cidadania, todos agravados pela experiência carcerária.

Disciplina
Referência Espacial
Brasil
Habilitado
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://repositorio.ufscar.br/handle/ufscar/12793

Quando a rua vira point: práticas juvenis e pixadores no centro de São Paulo (2017-2019)

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Piaia, Danilo Mendes
Sexo
Homem
Orientador
Frehse, Fraya
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Sociologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Práticas juvenis
Usos da rua
Centro
São Paulo
Pixação
Resumo

A pesquisa que deu origem a esta dissertação se insere no campo dos estudos sobre juventude e cidade, ao tematizar as práticas juvenis nos lugares públicos do centro da cidade de São Paulo em anos recentes (2017-2019). Guiada pela indagação sobre quais são os usos que os protagonistas de práticas ditas juvenis fazem da rua do centro paulistano nos dias de hoje, a investigação teve como foco os usos que os adeptos da prática da pixação – uma forma peculiar de comunicação gráfica no âmbito do grafite de rua – fazem de seu principal ponto de encontro semanal para interação social pública: um trecho específico, o chamado point, da rua Dom José de Barros, no bairro República.

Com base no método etnográfico, que implicou o uso das técnicas de observação participante nos encontros com os pixadores no point, e de entrevistas semiestruturadas com cinco de seus frequentadores, a pesquisa teve como objetivo, de um lado, analisar os padrões de interação verbal e não verbal vigentes no ponto de encontro de pixadores; de outro lado, descobrir traços do perfil social desses frequentadores e as representações que compartilham sobre o lugar onde se dão seus encontros.

Para aquilatar a dimensão social desses dados etnográficos, na segunda parte da dissertação, identifico, na primeira, representações produzidas em outros dois lugares sociais acerca das práticas juvenis na rua do centro paulistano nas últimas quatro décadas: as ciências sociais e a imprensa escrita. Assim, foi possível conhecer sociologicamente as regras de comportamento corporal e de interação social no referido point dos pixadores, além das representações compartilhadas por frequentadores já adultos sobre tal local, a rua, o centro e o espaço público.

As regras de conduta vigentes nas interações sociais ali promovem a acessibilidade de terceiros para fins de sociabilidade entre pares pixadores. Já as representações reveladas a respeito do ponto de encontro o apontam simultaneamente como "lugar" e "momento" de reunião pública dos pixadores, frequentado há anos por esses protagonistas, da adolescência até a fase adulta.

Disciplina
Referência Espacial
Zona
Centro
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2017-2019
Localização Eletrônica
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-03032020-175035/publico/2019_DaniloMendesPiaia_VCorr.pdf

Adoecimento no trabalho, a metamorfose do trabalhador do campo na cidade e os reflexos da reestruturação produtiva em uma fábrica de confecções têxteis no interior do estado de São Paulo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Silva, Vitor Luiz Carvalho
Sexo
Homem
Orientador
Alves, Giovanni Antonio Pinto
Ano de Publicação
2020
Local da Publicação
Marília
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNESP
Idioma
Português
Palavras chave
Adoecimento
Reestruturação Produtiva
Trabalho
Indústria de Confecções
Resumo

Esta dissertação analisa as relações entre o processo de reestruturação produtiva e o adoecimento no trabalho em uma fábrica de confecções têxteis, da cidade de Auriflama, interior do Estado de São Paulo. A problemática estudada foi analisada a luz das condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da fábrica têxtil Ares Confecções que reproduz tendências internacionais de flexibilidade e intensificação do trabalho. Assim, as causas, características e consequências das condições de trabalho são analisadas com base, sobretudo em entrevistas semiestruturadas com trabalhadoras e trabalhadores adoecidos, bem como, relatos orais. Abordamos as consequências das condições de trabalho sobre a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras do seguimento de confecções têxteis, evidenciando seu caráter penoso de esgotamento físico e mental que contribui para os adoecimentos, sobretudo das trabalhadoras.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
Auriflama
Localidade
Ares Confecções
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2018-2020
Localização Eletrônica
https://repositorio.unesp.br/items/b158ab80-a7da-42cb-8b6f-42aa7e0b3371

A Vitalidade do Espaço Público: o Jogo e a produção do Lugar em Xangai e São Paulo

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Kilina, Elena
Sexo
Mulher
Orientador
Dwyer, Thomas Patrick
Ano de Publicação
2020
Local da Publicação
Campinas
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNICAMP
Idioma
Português
Palavras chave
Antropologia visual
Xangai (China)
São Paulo (Brasil)
Lazer
Espaços públicos
Resumo

Esta tese é inspirada pela definição de Lefebvre (1991) de que a produção do espaço seja baseada em atividades sociais e de lazer utilizadas na vida cotidiana. O ponto de vista das geografias coloniais modernas, que inclui uma variedade de práticas urbanas e relações espaciais complexas para pensar cidades latino-americanas e chinesas, incita a repensar essa noção com o surgimento de funções alternativas e a re-imaginação do espaço urbano e sua relação com a ‘modernidade global’. Espaços espontâneos emergem, que seja através de meios oficiais ou não oficiais, às vezes efêmeros, às vezes com durabilidade, contribuem inevitavelmente a refazer as cidades. Hoje, esta questão é mais importante do que na época quando Lefebvre escreveu, porque mais da metade da população mundial vive atualmente em cidades. Ao longo da última década discussões sobre economias emergentes e suas sociedades tem um foco nos maiores, na China no hemisfério norte, e no Brasil no hemisfério sul. A pesquisadora cuidadosamente selecionou, buscando o maior controle possível sobre as variáveis, dois espaços a serem comparadas nas mais importantes mega-cidades da China e do Brasil: o Parque Minhocão em São Paulo, e o outro Redtown em Xangai. O trabalho de campo conduzido nos dois casos, examinou a transformação do espaço empregando conceitos de espaço e jogo, e a noção de ‘affordances’ de Ingold (Otávio Velho traduz o termo como ‘propiciações’). Espaço e jogo são condicionados por novas formas de lazer, tecnologias de informação, normas e espelham – de maneira complexa – a rápida urbanização que ocorre na China e que ocorreu no passado e que se renova no Brasil. A pesquisadora conduziu sua pesquisa de campo ao longo de quase dois anos, fez uma imersão no contexto social de cada localidade, e dividiu seu tempo entre os dois casos estudados. As técnicas de pesquisa empregadas, tais como análise de documentos, observação, fotografia, além das entrevistas conduzidas pela pesquisadora - sobretudo em português e chinês - com os urbanistas, usuários e demais entrevistados, tanto no Parque Minhocão quanto no Redtown, forneceram os dados analisados ao escrever esta tese. Os registros fotográficos foram especialmente importantes, permitindo à pesquisadora obter imagens comparáveis, de fenômenos parecidos ou diferentes nos dois espaços pesquisados em períodos diferentes. O resultado é uma descrição antropológica rica, feita em múltiplos níveis, do desenvolvimento das propriações, como o espaço e o jogo em Parque Minhocão e Xangai Redtown impactam o tecido urbano e a paisagem social em cada cidade. Através dos estudos de caso, a pesquisadora reflete que tais localidades, que sejam em Xangai ou em São Paulo, são um reflexo direta da saúde de cada cidade. A abordagem de pesquisa adotada faz com que seja possível construir um mapa urbano antropológico de fotografias interativas, junto com a análise de interações/jogos entre espaços públicos e as pessoas que neles coexistem.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Zona
Central
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Campos Elíseos
Logradouro
Via Elevado Pres. João Goulart
Localidade
Parque Minhocão
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
País estrangeiro
China
Especificação da Referência Espacial
Redrown (Xangai)
Referência Temporal
2016-2020
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=9957371

A Società Dante Alighieri: um estudo de caso sobre o associativismo étnico italiano em São Carlos (1902 a 1938)

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Conceição, Carla Fernandes da
Sexo
Mulher
Orientador
Truzzi, Oswaldo Mario Serra
Ano de Publicação
2020
Local da Publicação
São Carlos
Programa
Sociologia
Instituição
UFSCAR
Idioma
Português
Palavras chave
Associativismo
Estudo de Caso
Imigrantes Italianos
São Carlos
Società Dante Alighieri
Resumo

Esta tese de doutorado tem como principal objetivo analisar a prática associativa dos imigrantes italianos no município de São Carlos/SP, entre os anos de 1902 a 1938, por meio da Società Dante Alighieri. Nesse intuito, o foco das reflexões pauta-se na compreensão dessa Società como sendo um espaço social no qual o imigrante italiano associado constrói a sua identidade étnica, associando os mecanismos e estratégias de incorporação de seu capital profissional, econômico, cultural, educacional e social na sociedade acolhedora. Os membros diretores, especificamente os presidentes e vice-presidentes, tem um enfoque preponderante nesta pesquisa no que tange às análises das questões regionalistas, profissionais, educacionais, relação com o fascismo e na construção de trajetórias individuais e associativistas. As fontes documentais baseiam-se principalmente num conjunto de livros de atas de Assembleias ordinárias e de reuniões de Conselho da Società Dante Alighieri, mas também no Estatuto Social da instituição, jornais da época, almanaques do município, Censo Municipal de 1907, certidões de casamentos e óbitos dos associados, jornais locais, livros, artigos, dissertações e teses. A pesquisa prioriza a metodologia qualitativa, porém não descarta o uso de dados quantitativos para análises. Este trabalho, por fim, contribui para explorar o estudo sobre a prática associativista dos imigrantes italianos no município de São Carlos a partir da Società Dante Alighieri, objeto de estudo até então pouco explorado e conhecido.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Métodos mistos
Referência Espacial
Cidade/Município
São Carlos
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
1902-1938
Localização Eletrônica
https://repositorio.ufscar.br/handle/ufscar/12780

A Igreja Universal do Reino de Deus e a tecnologia de produção de sujeitos: subjetividades heteronormativas e performatividade familiar

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Marchesi, Valeria Barros dos Santos
Sexo
Mulher
Orientador
Rosa, Pablo Ornelas
Ano de Publicação
2020
Local da Publicação
Vila Velha
Programa
Sociologia Política
Instituição
UVV
Idioma
Português
Palavras chave
família tradicional
neoconservadorismo
neopentecostalismo
heteronormatividade
Resumo

Esta pesquisa se lança sobre os discursos e práticas pastorais da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) na produção de sujeitos generificados, em uma trama na qual a mulher assume o fulcro familiar, se constituindo como principal alvo de agenciamento. Diante disso, problematizo: estariam e em que medida as técnicas de constituição do comportamento sexual e de modelação do arranjo familiar servindo a uma estratégia de poder que transcende objetivos religiosos? O objetivo é compreender como a IURD orienta seus fiéis, e essencialmente as mulheres, em questões acerca de gênero, sexualidade e a preservação da família heterossexual. A hipótese que tenciono é: a IURD opera como uma tecnologia de poder produtora de sujeitos politicamente dóceis e economicamente úteis, com fins de fortalecer seu projeto de hegemonia conservadora nos costumes, marcada pela família tradicional patriarcal, na política, pela orientação do voto, e no campo econômico, pela TP de orientação neoliberal. Como base teórica metodológica utilizei as noções de Michel Foucault que tencionam acerca dos múltiplos dispositivos e tecnologias de poder que incidem sobre os sujeitos, com fim de modelagem subjetiva dos mesmos, adotando o método etnográfico da observação participante no Templo de Salomão em São Paulo-SP, bem como na maior sede da IURD no Espírito Santo-ES, a Catedral de Vitória. Verificamos que o homem e a mulher têm suas subjetividades definidas como alvo de seus dispositivos pastorais de dominação e imposição de verdades. Assim, a IURD desloca-se de um lugar meramente inscrito na esfera religiosa e emerge como uma tecnologia produtora de sujeitos. A família aqui descrita emerge como modelo de arranjo assaz favorável a um cenário neoconservador e neoliberal, bem como, pelo que tenciono como “pedagogia do voto”, os sujeitos religiosos convertem-se para atuarem também como sujeitos políticos.

Disciplina
Referência Espacial
Zona
Centro
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Brás
Logradouro
Av. Celso Garcia, 605
Localidade
Templo de Salomão da IURD
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Cidade/Município
Vitória
Localidade
Catedral de Vitória
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Espírito Santo
Referência Temporal
2018-2020
Localização Eletrônica
https://repositorio.uvv.br/handle/123456789/512

A experiência de vida dos Haitianos e Haitianas nas relações de gênero em Utinga (Santo André)

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Pericles, Nathanael
Sexo
Homem
Orientador
Ricoldi, Arlene Martinez
Ano de Publicação
2020
Local da Publicação
Santo André
Programa
Ciências Humanas e Sociais
Instituição
UFABC
Idioma
Português
Palavras chave
Migração
Brasil
Haiti
Gênero
Utinga (bairro)
Resumo

Esse trabalho enfoca a relação entre migração e gênero, com o objetivo de destacar o impacto da migração nas relações de gênero nas famílias haitianas de Utinga (São Paulo). Os estudos de gênero aumentaram a visibilização das mulheres migrantes, dando-lhes uma posição mais justa no campo de estudos, lançando luz sobre o privado e o íntimo e legitimando a teoria da história centrada na intimidade, nos sentimentos, na identidade pessoal, no privado, no relacionamento, no corpo, aspectos antes negligenciados no estudo da migração centrada no masculino. Isso nos leva a questionar o lugar dos homens e mulheres haitianos na migração à luz das relações privadas e afins. Uma abordagem qualitativa foi priorizada para conduzir esta pesquisa, a partir de teorias feministas interseccionais que permitem a inclusão de outros elementos como etnia, nacionalidade, classe social, bem como novos estudos de migração abrangendo gênero. Para alcançar uma compreensão do tema migração-gênero, utilizamos o método de triangulação para obter dados de várias técnicas de pesquisa, incluindo etnografia que permite a observação, e entrevistas que possibilitam aos sujeitos da pesquisa dê o seu ponto de vista. Este estudo nos permitiu, entre outras coisas, compreender melhor as condições migratórias que as mulheres haitianas vivenciam e enfrentam, como as migrações contribuem para a produção de divisão e hierarquia de gênero e, por outro lado, como o gênero influencia os processos de migração.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Santo André
Bairro/Distrito
Utinga
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2018-2020
Localização Eletrônica
https://bdtd.ibict.br/vufind/Record/UFBC_f8d306f4ff4d38c05e66b3bf5ac8166b

A repetição da construção da interioridade do sujeito em ambulatórios didáticos: uma etnografia por meio da circulação entre hábitos, adicções, dependências e prazeres com drogas e/ou substâncias

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Chaves Júnior, Wander Wilson
Sexo
Homem
Orientador
Passetti, Edson
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Ciências Sociais
Instituição
PUC/SP
Idioma
Português
Palavras chave
Drogas - Abuso
Adicção
Hábito (psicologia)
Vício em drogas
Controle social
Resumo

Esta pesquisa parte de experimentação etnográfica realizada em dois ambulatórios universitários para tratamento de dependência com drogas, localizados na cidade de São Paulo. Parte-se dessas etnografias para situar as drogas entre fluxos abertos e fechados dos tratamentos públicos de saúde mental. Não estamos mais diante da antiga psiquiatria asilar, agora, as pessoas entram e saem dos prédios físicos das instituições. Não somente pessoas, mas cadáveres, líquidos, bactérias, lixo, conceitos, moléculas, subjetividades... Entra muita coisa e sai muita coisa. Estes caminhos levaram a pensar os efeitos da nova gestão sobre drogas e dependências na ultrapassagem da sociedade disciplinar, enunciada por Michel Foucault, para a contemporânea sociedade de controle, esboçada por Gilles Deleuze. As chamadas drogas são proibidas há mais de um século, mas o que se entende por dependência já aparece no campo dos discursos durante o século XVIII. Na pesquisa de campo é possível constatar vários conceitos sendo operacionalizados: hábitos, adicções e dependências. Os conceitos e realidades também aparecem de forma heterogênea, caso das próprias drogas que, ora são substância, ora medicamentos, e, em outros momentos se apresentam de formas mistas. Aberto e fechado, descentralização e verticalização são dois conjuntos de práticas que aparecem com insistência ao longo da análise. A sociedade de controle não prescinde de seus fechamentos e suas verticalizações, mesmo que operando em espaços abertos e fluxos contínuos recombina-se unidades. Buscou-se analisar estas práticas que intercambiam conceitos, realidades e articulações se disjuntando, e ao mesmo tempo se remontando e fundando. Há sempre uma verticalização para cortar e refundar este um central no ambulatório propriamente dito ou no sujeito individual com suas histórias de vida. Os discursos produzidos sobre dependência de drogas também versam sobre uma interiorização, muitas vezes sobre uma fuga daquilo que se é. Esta relação é muitas vezes comparada com o casamento, nos devolvendo a imagem de uma situação-limite do processo de interiorização do sujeito. Iniciou-se pelas caminhadas em direção ao campo, terreno da geografia, para daí habitar a história atravessando o presente e o presente invocando a história. A exposição da pesquisa se propôs a um fluxo contínuo de escrita, sem um agrupamento temático por capítulos levando à produção de traçados de pequenos cortes de fluxos.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2015-2019
Localização Eletrônica
https://tede2.pucsp.br/handle/handle/22671