A Tuberculose no Município do Rio de Janeiro: Mortalidade (1988 a 1998), Morbidade (1995 a 1999) e Distribuição Espacial da Doença
O Estado do Rio de Janeiro apresenta o maior coeficiente de morbidade e mortalidade por tuberculose, com uma taxa quase duas vezes maior do que a taxa brasileira. A cidade do Rio de Janeiro, por sua vez, vem apresentando, desde o inicio da década de 1980, uma tendência de aumento das taxas anuais de morbidade. A este crescimento da tuberculose nas últimas décadas estão relacionados fatores como: a periferização da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, gerando aumento do contato social e da transmissão do bacilo; o empobrecimento da população repercutindo nas condições sanitárias e no estado nutricional precários; a desestruturação do programa de controle da tuberculose, dificultando o diagnóstico precoce da tuberculose e o controle de sua transmissão e, finalmente, o surgimento da epidemia da AIDS. Este trabalho objetiva realizar uma análise do quadro de morbidade e mortalidade por tuberculose no Rio de Janeiro, buscando caracterizar a configuração atual da endemia na cidade. Utilizou-se dados do Sistema de Informação sobre Agravos de Notificação (SINAN- 1995 a 1999) e do Sistema Informação sobre Mortalidade (SIM - 1988 a 1998), indicadores sócio-econômicos (IDH, escolaridade, mortalidade infantil) e demográficos (densidade demográfica, área líquida, população favelada) do Censo de 1991 e a Contagem Populacional de 1996. Para apresentar as características epidemiológicas da doença no município, foram utilizados gráficos e mapas do município categorizados e distribuídos por bairros. As taxas médias de morbidade e de mortalidade (1995,1996 e 1997) por bairro, foram correlacionadas com indicadores de saúde, sócio-econômicos e demográficos que caracterizam as condições de vida de uma população. Avaliou-se o efeito isolado da taxa de incidência de AIDS na variação da taxa de morbidade de tuberculose através do emprego de regressão linear...Os resultados da análise dos bancos dados do SINAN e do SIM mostraram um aumento das notificações de casos e óbitos de 1995 até 1997. Os casos e óbitos notificados por sexo e faixa etária caracterizam a distribuição epidemiológica tradicional da tuberculose, com taxas mais altas entre os homens e nas faixas de adultos jovens e idosos. As zonas norte e centro/portuária apresentaram as taxas mais altas, seguidas pela zona oeste e os bairros de Copacabana e Botafogo na zona sul. O uso de indicadores selecionados mostrou uma forte correlação com a taxa de incidência de AIDS...A distribuição espacial da tuberculose, sem o efeito da AIDS, apresenta uma distribuição espacial característica dos bairros mais pobres da cidade, com as maiores incidências de casos nos bairros da zona da Leopoldina e zona oeste da cidade. Os resultados identificaram áreas de concentração de casos e óbitos de tuberculose oferecendo informações importantes para ações estratégicas de saúde pública.