A pesquisa versa sobre a revolta paulista de 5 de julho de 1924, conhecida como a segunda revolta tenentista, que ocorreu em São Paulo, entre os dias 5 e 28 de julho daquele ano, deixando um saldo de 503 mortos e 4.846 feridos, segundo dados oficiais. O estudo, que se baseia nas lições dos historiadores Edward P. Thompson e Carlo Ginzburg, teve por objetivo resgatar as histórias de pessoas comuns que viveram o conflito e figuraram entre suas principais vítimas, embora não integrassem nenhum dos dois lados em conflito - os rebeldes, que tomaram a cidade, e as forças legais, que a bombardearam para retomá-la. Esses sujeitos, moradores dos bairros mais atingidos no conflito, como Mooca, Brás e Ipiranga, são praticamente esquecidos na pequena bibliografia e nas dissertações e teses que tratam do assunto. Assim, resgatar sua trajetória a partir dos vestígios como cartas, notícias de jornais, relatos e fotografias pode colaborar no sentido de trazer novos olhares sobre o tema Revolta Tenentista de 1924, pouco estudado na historiografia brasileira e até mesmo na paulista. Na pesquisa, trabalhou-se com livros de memorialistas e cronistas, notícias da grande imprensa e da imprensa operária, fotografias do conflito, cartas, memoriais e materiais de arquivos espalhados pelo Brasil. Também foram utilizadas obras clássicas sobre o tema. O principal eixo temático foi a participação da população civil no conflito, seus sofrimentos, o horror do bombardeio e suas estratégias de sobrevivência diante de uma guerra civil travada na, à época, segunda mais importante cidade do Brasil, depois da capital federal, o Rio de Janeiro. Trabalhou-se, da mesma forma, com as críticas de opositores e as justificativas de situacionistas para o bombardeio à capital paulista e com a identificação das armas de guerra utilizadas no confronto, tanto dos legais, quanto dos rebeldes. Ao mesmo tempo, a pesquisa procurou colocar em perspectiva os fatos, ao destacar o surgimento, ainda antes do Estado Novo, de fortes tendências autoritárias no Estado brasileiro, durante o governo de Arthur Bernardes e de seu sucessor, Washington Luiz, principalmente voltado à repressão de operários anarquistas, rebeldes e transgressores da ordem em geral. O êxodo da população durante o conflito deixaram a cidade em fuga cerca de 250 mil pessoas, de acordo com a Prefeitura e os saques, provocados pela fome e o desabastecimento, foram outros assuntos tratados na pesquisa.