Análise de um novo modelo de governança para hospitais públicos no brasil segundo a abordagem dos custos de transação: o caso das organizações sociais no estado de São Paulo
Esta tese sustenta que a implantação de modelos híbridos de governança em organizações ou sistemas antes governados por tipos hierarquizados cria novos custos de transação, mas isso não impede a continuidade nem a expansão desse modelo, porque a sua escolha não é unicamente baseada na minimização dos custos de transação, como também nos efeitos de performance proporcionados. Para se chegar a essa conclusão, investigaram-se as características das transações referentes à contratação de serviços hospitalares pela secretaria de estado da saúde de são paulo, os custos decorrentes dessas características associados aos problemas típicos de governança e o desempenho das organizações após a implantação do modelo. Para se estabelecer tal relação, realizou-se um estudo comparativo entre três hospitais públicos estaduais governados por organizações sociais de saúde – oss – e três hospitais da administração direta, com portes e perfis assistenciais similares. Foram entrevistados os atores-chave dos hospitais e da área responsável pela gestão dos contratos com as oss e analisados relatórios e dados oficiais do ministério da saúde e da secretaria estadual de saúde sobre o desempenho dos hospitais escolhidos. Concluiu-se que a governança das oss incrementou os custos de transação em cerca de 1% dos gastos totais, mas os hospitais, segundo esse modelo, apresentaram um desempenho altamente satisfatório em comparação com o grupo de hospitais da administração direta. Outra descoberta do estudo é que a introdução do modelo das oss reduziu, nesses hospitais, os níveis de incerteza comportamental e ambiental, que ficaram significativamente mais baixos do que os percebidos pelos hospitais da administração direta.