Da desterritorialização à ressignificação: a r-existência dos caiçaras da Juréia
A temática central desta dissertação é a compreensão das relações existentes entre os processos de re-significação identitária e de construção de novas territorialidades pelas populações caiçaras residentes na região conhecida como Juréia, localizada no vale do ribeira, litoral sul do estado de São Paulo. Nosso diálogo privilegiado se dá com duas associações locais, que tem tido um papel protagônico nas articulações das ações, reflexões e práticas dessas populações entre si, e com outros atores sociais: a união dos moradores da Juréia (umj) e a associação dos jovens da Juréia (ajj). Em nosso entendimento esses fenômenos, que se expressam em múltiplas escalas e com intensidades diferenciadas, ocorrem como r-existência (Porto-Gonçalves, 2001b) aos processos de desterritorialização material e simbólica impostos a essas populações, principalmente, pela adoção de um modelo preservacionista, que privilegia a implementação de unidades de conservação de proteção integral, em detrimento das populações que tradicionalmente ocupam esses territórios as lutas pelas condições materiais de produção e de reprodução simbólica dessas populações provocam tensões e articulações com outros sujeitos (redes sociais), de onde emergem os processos de re-significação identitária dessas populações e a apropriação discursiva e política de categorias como moradores da Juréia, como caiçaras e como população tradicional. Trata-se, portanto, de um conjunto de lutas discursivas, territoriais e jurídicas, ao mesmo tempo materiais e simbólicas, que geram novos significados e territorialidades nosso recorte espacial transcende os limites locais e se estende para todo o raio de atuação dessas duas instituições, construídas a partir de lideranças geradas entre moradores e filhos de moradores da Juréia, residentes nos bairros periféricos, e que têm sido o grande canal de lutas dessas populações.