O direito à cidade para o exercício da sexualidade de mulheres lésbicas: uma questão de direitos humanos
Este trabalho objetiva mostrar como se dão as experiências de segredo e armário dentro das vidas de mulheres homoafetivas em seu direito de se relacionar afetivo-sexualmente em espaços de convivência. Para isso, utilizo-me de uma postura mais próxima e a partir da minha pertença social para acessar nuances subjetivas destas sujeitas. Atribuí importância ao histórico de cada uma desde os espaços familiares, crenças religiosas, iniciações sexuais até chegar ao ambiente de trabalho. Tendo como base relatos, pretendo esmiuçar as estratégias implicadas na busca por um lugar seguro para se relacionar, bem como retratar como as categorias segredo e armário, perpassam suas rotinas e delineiam as submissões, os estereótipos e, por fim, suas formas de lidar com o preconceito frente à violência. Neste percurso, coloco em evidência as entrevistas, não em função de querer traçar um perfil das mulheres homoafetivas em Brasília, mas na intenção de propor um panorama comportamental destas mulheres que, por vezes, têm vivências tão similares às outras; a amostra da pesquisa tem o caráter de indicador de traços, usos e condutas. Para obter tais amostras, entrevistei quatro mulheres na intenção de analisar as peculiaridades e, também, as decorrências de suas práticas afetivas em Brasília.