Cabelo armado, em 'legítima defesa': performance e diferença no teatro negro da Cia. Os Crespos
Neste trabalho, meu objetivo é investigar como as práticas de teatro negro produzem noções de diferença através da performance. Dialogo com a produção intelectual da Cia. Os crespos, grupo de atores formado em 2005 na escola de artes dramáticas da Universidade de São Paulo. Para tanto, realizei entrevistas com os atores; um estudo da revista legítima defesa, publicada pela companhia; e etnografia de intervenções urbanas e apresentações do espetáculo alguma coisa a ver com uma missão (2016). Em minha análise, procuro compreender os processos de pesquisa cênica do grupo, destacando perspectivas teóricas e procedimentos estéticos. Em seguida, proponho uma discussão sobre uma história negra do teatro, como sugere Evani Tavares Lima (2015). Por fim, argumento que, em alguma coisa a ver com uma missão, a performance tece uma reflexão sobre múltiplas práticas de resistência e formas de sujeito, desafiando os lugares impostos aos negros pelo racismo. Subjazem essa construção noções particulares de espaço, tempo e liberdade, as quais traduzem visões de mundo e modos de relação transcriados na diáspora afro-atlântica.