Antropologia
Notas Sobre os Pequenos Estabelecimentos Comerciais
Introdução à coletânea “A reprodução da subordinação - mudança social no nordeste”
O Significado do Botequim
Analisa a organização social e funcionamento do botequim buscando entender o que representa - e para quem - na sociedade urbana brasileira. Focaliza o botequim no quadro geral das casas de bebidas, aspectos do sistema de valores e da mundivisão do freguês do botequim e o significado do botequim. Baseia-se em informações obtidas frequentando botequins durante dois anos. Conclui que nem as organizações tradicionais de sustentação do indivíduo, nem as criadas no bojo do sistema urbano-industrial, têm condições concretas de funcionar satisfatoriamente para ponderáveis parcelas da população urbana, entre as quais os frequentadores de botequim; que o botequim simboliza um esforço no sentido de participar de um universo novo por parte de certos grupos desamparados pela ruptura dos esquemas referenciais da sociedade tradicional.
Estratos Ocupacionais de Baixa Renda
Rio: a democracia vista de baixo
O livro apresenta sete artigos escritos por membros do "Fórum de Interlocução", um grupo de intelectuais ativistas comprometidos com o projeto Agenda Social Rio, do Ibase, e que têm o objetivo "pensar estrategicamente a ação político-cultural democrática e democratizadora" nas favelas cariocas da Grande Tijuca. Os artigos apresentam uma reflexão sobre temas como a relação entre cidadania, democracia e justiça social, assim como as formas de sociabilidade coexistentes nas favelas. Com apresentação de Cândido Grzybowski e introdução de Itamar Silva e Moema Miranda, contribuem para o livro Patrícia Lânes, Luís Carlos Fridman, Luiz Antonio Machado da Silva, Paulo Magalhães e Márcia Pereira Leite.
Continuidades e mudanças em favelas ‘pacificadas': Apresentação ao dossiê Unidades de Polícia Pacificadora-Cevis
Este dossiê apresenta alguns resultados das pesquisas sobre implantação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas favelas cariocas realizadas pelo Coletivo de Estudos sobre Violência e Sociabilidade (Cevis) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Essas investigações, de modo geral, consideraram que o início da implantação das UPPs implicou uma nova conjuntura – no que diz respeito aos processos de manutenção da ordem pública – capaz de pôr em questão o lugar das favelas na cidade.
Polícia e violência urbana em uma cidade brasileira
O trabalho discute questões relacionadas à expansão da violência criminal no Rio de Janeiro. Parte-se da hipótese de que a noção prática de “violência urbana” é o centro de uma “província de significado” embutida na linguagem de senso comum, que capta e confere sentido a uma forma de vida autônoma, a sociabilidade violenta. A “violência urbana” tematiza as ameaças à continuidade das rotinas cotidianas, alterando a compreensão do significado do controle social e delegando na polícia a preservação das rotinas a qualquer custo. Dessa maneira, favorece a manutenção da polícia como uma instituição pré-moderna, talvez a única com esta característica no Brasil de hoje, e torna inócuas as inúmeras propostas de intervenção técnico-administrativa e moral que visam “refundá-la”.
O vazio da ordem: relações políticas e organizacionais entre as escolas de samba e o jogo do bicho
Neste artigo, discute-se o vínculo crescente entre as escolas de samba e as organizações do jogo do bicho, com destaque para as relações de poder aí representadas e as questões econômicas que envolvem ambos os segmentos. Observam-se as formas de mercantilização do carnaval carioca, com sua forte tendência à privatização dos desfiles, as transformações na participação popular e a impotência do poder público em resistir a esse processo.
Organização Social do Meio Urbano
Os autores afirmam que o próprio título deste trabalho indica um ponto de partida, isto é, não se quer isolar o urbano como fenômeno e tratá-lo como um domínio autônomo dentro da vida social. Para além, portanto, de um determinismo ecológico e de uma dicotomia rural/urbano, que, conforme os autores marca não só a produção acadêmica na área, mas principalmente as políticas de planejamento, Machado da Silva e Velho atentam-se às situações sociais, formas de interação e sociabilidades que encontram expressão nas cidades.